
Depois de um Natal nada animador, o comércio do Distrito Federal vive agora a expectativa de tentar reverter, em parte, o fraco desempenho do final de 2014.
As tradicionais liquidações de início de ano já movimentam os shoppings e lojas de rua, mas os empresários estão com os pés no chão. A previsão é de que as vendas aumentem somente 1,5%, contra os 2% registrados em janeiro de 2014.
Segundo João Tenório, gerente de uma loja de produtos para cama, mesa e banho do Conjunto Nacional, as vendas não têm sido satisfatórias. “O shopping está vazio, não tem movimento. Estamos em liquidação desde o dia 24 de dezembro e as vendas estão baixas em relação aos anos anteriores”, reclama. Ele espera que o movimento melhore com o fim dos recessos.
Até o Carnaval
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista), Edson de Castro, estima que cerca de 30 mil lojas em todo o DF participarão das promoções, que podem durar até o Carnaval. “O comércio precisa vender o que sobrou do Natal para renovar o estoque para a próxima estação”, diz.
Edson de Castro lembra que 2014 ficou prejudicado por conta de eventos como a Copa do Mundo e as eleições. “O ano passado foi marcado também por muitas greves, muitas categorias deixaram de gastar por falta de pagamento. As greves dos transportes também prejudicaram porque limitaram a locomoção do cidadão”, explica.
Ele ressalta que as compras de Natal também foram prejudicadas pela falta de pagamento dos servidores do GDF.
Clientes desconfiados
Todos os shoppings do DF anunciam promoções para atrair a clientela. No Iguatemi, por exemplo, durante todo o mês de janeiro podem ser encontrados produtos com até 50% de desconto. Os artigos vão desde roupas, sapatos, perfumaria a produtos para casa. No Conjunto Nacional, cartazes chamativos anunciam descontos que chegam a 70%.
Mas há quem desconfie dos preços baixos. A diretora administrativa Plabya Lacerda, 30 anos, foi a um shopping justamente para aproveitar as liquidações. Ela conta, no entanto, que os preços não estão tão animadores. “Eu comprei um fogão, que já estava precisando, por um preço bom. De resto, não achei nada mais que estivesse valendo a pena. Os sapatos, por exemplo, estão quase o mesmo preço”, explica.
A professora Flávia Bakker, 33 anos (foto acima), que procurava sapatos para a filha Iris, 8 anos, concorda. “Não encontrei nenhuma oferta boa. Acabei comprando uma sandália para minha filha pelo preço normal mesmo”, conta, sem esconder a frustração.
Confiança no setor nunca esteve tão baixa
A estagnação da economia levou a uma piora considerável no humor do comércio no ano passado. O Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), fechou 2014 com queda de 13,4% na comparação com dezembro de 2013. Foi o maior recuo anual do indicador em toda a série histórica da pesquisa, iniciada em março de 2011, anunciou ontem a entidade.
A queda reage ao mau desempenho da atividade econômica, e o quadro pode piorar ainda mais caso não haja uma recuperação das vendas neste ano. “Pode ser que o fundo do poço não tenha chegado”, disse Fabio Bentes, economista da CNC, lembrando que a previsão é de um primeiro semestre difícil para o varejo.
Na composição do Icec de dezembro, as condições atuais (com queda anual de 22,6%) pesaram mais do que as expectativas com o futuro (recuo de 9,9%). Bentes lembrou que o recuo no indicador já era esperado, mas que as projeções eram mais otimistas no início de 2014. Ao longo do ano passado, as perspectivas foram sendo revistas.