“Salomé: o sacrifício de um justo” emociona às sexta-feiras no Teatro do Brasilia Shopping

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O Teatro do Brasília Shopping, na Asa Norte, recebe nos próximos dias 17, 24 e 31, a peça “Salomé: o sacrifício de um justo”, com texto de Oscar Wilde e adaptação de Gilson Monteblanc. O espetáculo tem início às 21h das sextas-feiras, e os ingressos estão à venda por R$ 20 a meia entrada.

A trama é descrita pelos quatro evangelistas (João, Marcos, Mateus e Lucas) e nos apresenta uma princesa judaica, cobiçada por seu padrasto e tio, o rei Herodes. É noite de bodas e a pedido de sua mãe, ela dança para o rei e pede como
pagamento a cabeça de João, o Batista. O profeta estava preso no palácio por injúrias ao casal real. A jovem não o conhece e apenas atende ao capricho materno.

Este mito é retomado por vários artistas europeus nos séculos XIX e XX. Em quadros, livros, poemas, esculturas, sinfonias e palco a princesa e o profeta ganham vida. O dramaturgo inglês Oscar Wilde, acrescenta à trama o desejo de Salomé por Iokanaan, o profeta do Senhor. Ela usa de artimanhas para vê-lo, apaixona-se por ele, mas não é correspondida. Por vingança, a casta princesa dança para o rei e pede a cabeça do amado.

A esta moldura romântica, religiosa e trágica, o grupo fez alguns acréscimos: Brasília, em cenários e trechos de sinfonias que tem a capital da república como tema (maestros Guerra Peixe, Tom Jobim e Cláudio Santoro). Ao aspecto religioso foram acrescentado três afro-sambas de Vinícius e Baden Power; alguns atores fazem um metateatro e imagens dos evangelistas, que falaram do mito e estão no pátio da nossa catedral são trazidos à cena. Além do trágico, foram inseridos mais bebedeira, mais loucura e um quê de absurdo.

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Figura central

“Salomé – o sacrifício de um justo” divide o protagonismo da peça entre a princesa e o profeta. Ele é a figura central, na nossa visão influência a todos e muda o status quo dos personagens e das cenas. Talvez o nome do nosso grupo “Qorpo Santo” tenha uma cota de responsabilidade por estes acréscimos: professor e dramaturgo gaúcho, considerado louco, mas que antecipou em décadas o teatro do absurdo de Ionesco, o teatro épico de Brech e de quebra a reforma ortográfica de Getúlio.

Na montagem há Brasília, mas também a lua cheia que a todos observa e a ninguém julga. A peça se passa em uma noite enluarada; ‘ave luna, gratia plena’ reza a princesa à satélite iluminada que passa a influenciar a todos os personagens. O drama é iniciado e finalizado com a bela música de Dona Chiquinha Gonzaga: “Lua branca”.

“Procuramos montar nosso espetáculo oferecendo uma estética que vai além dos moldes tradicionais da trama. Não ignorando-a, mas acrescentando elementos para torná-la além de poética, também profética e brasiliense e absurda. Um espetáculo cênico de uma história velha e trágica com novas propostas”, detalha Gilson Montblanc, responsável pela adaptação do texto.

“O figurino e o enredo nos remetem ao antigo testamento, mas outros elementos compartilham e enriquecem o drama encenado. Um espetáculo que esperamos que agrade a plateia e nos faça refletir e quiçá tecer relações entre uma história bela e antiga, onde um justo foi sacrificado com a nossa atualidade: nem bela, nem antiga onde justos são desrespeitados”, completa.

Ficha técnica

TEXTO: OSCAR WILDE.
ADAPTAÇÃO: GILSON MONTBLANC.
DIREÇÃO: XICO NUNES.
ASSISTÊNCIA: ISABELA DUARTE.
ELENCO: JEFF MOREIRA, KAROL CRISPIM, DAN OLVEIRA, FELIPE BONNY, ALBERGUE LIMA LUIS ALBERTO MONTE E GILSON MONTBLANC.

Serviço

LOCAL: TEATRO DO BRASÍLIA SHOPPING
FONE: 998278553 OU 21092122.
DIAS 3, 10,17,24 e 31 DE MARÇO.
APENAS AS SEXTAS-FEIRAS
HORÁRIO: 21 HORAS
INGRESSOS: 40,00 INTEIRA, 20,00 MEIA
CENSURA 12 ANOS.
FOTOS: XICO NUNES E ISABELA DUARTE.

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