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Professor M.

De volta ao futuro passado

O filme De Volta Para O Futuro também teve suas idas e vindas, viagens temporais entre os estúdios de cinema americanos, trocas de nome e título, reviravoltas no roteiro e nos elementos do filme, que durou cinco anos até sua estreia nas telonas dos cinemas.

Uma verdadeira viagem no tempo, compondo uma história de persistência, flexibilidade, parcerias e cocriação entre os envolvidos no projeto. Um exemplo de aprendizado na viagem do tempo de inovações e empreendedorismos.

Qualquer semelhança com projetos, programas, ações e empreendimentos nas organizações não é mera coincidência. A diferença consiste em como conduzir e utilizar o DeLorean e em como absorver o aprendizado das viagens no tempo.

Em conversas com alunos, professores e profissionais colegas de mercado, percebi que as viagens no tempo nas organizações acabam sendo mais utilizadas para voltar ao passado do que para idealizar o futuro.

É frequente a interrupção de projetos, programas e ações inovadoras e promissoras nas organizações, por decisões equivocadas ou por alienação e miopia de gestores. O que existe em comum? Consumiram recursos valiosos!

Viagem organizacional temporal

Vamos nos concentrar nas iniciativas inovadoras, de profissionais que utilizam o DeLorean para obter uma visão de futuro promissora e sustentável, que criam novos modelos de negócio e relação com os clientes.

Reclamamos com frequência que os políticos, quando eleitos, não gostam de continuar os projetos e programas do antecessor e querem consolidar sua marca e suas próprias realizações durante seu mandato. Na iniciativa privada não é diferente!

Quantas iniciativas inovadoras sofrem reveses por motivos como descontinuidade incoerente, afastamento dos idealizadores, trocas discutíveis de equipe e de integrantes, disputas internas de poder, vaidade profissional e miopia sobre a inovação.

São tantos retrabalhos, duplicidade de trabalhos e acréscimo de recursos que assustam. Com frequência assistimos a repaginações, nova rotulagem, nova embalagem e volta ao passado de ações que já haviam sido realizadas antes.

Gestores retornam a um ponto no passado que já havia sido transposto antes. Reiniciam ações como se fosse um novo começo, ignorando todo o aprendizado e os profissionais que se dedicaram ao tema antes.

Descontinuidade dos projetos e ações

Certas descontinuidade parecem ser uma amnésia proposital, um esquecimento intencional do que foi realizado anteriormente e das pessoas envolvidas, com intenções propositais ou involuntárias questionáveis.

É aceitável as mudanças de direcionamento em prol de melhorias e evolução para um melhor resultado futuro, como exemplo ‘pivotar’. Contudo, é incompreensível o abandono ao que já foi aprendido e investido em inovações promissoras e prósperas.

Imagino dois motivadores para que os gestores tomem essa decisão: desinformação sobre o projeto, programa e ações e (ou) miopia sobre a inovação e os resultados futuros.

Afastamento dos idealizadores

Inovadores e empreendedores continuamente navegam de projeto em projeto com naturalidade e sem remorso. Muitos possuem o espírito de criação e concepção de ideias mas não lidam bem com o dia a dia delas após a implantação.

Com frequência ocorre nas organizações o distanciamento do idealizador da inovação do processo de implantação, por motivos controversos e incompreensíveis para os inovadores, prejudicando e (ou) comprometendo o resultado final.

Em organizações com forte presença da cultura de hierarquização, inovadores podem ser considerados uma ameaça à autoridade formal a partir do momento que se destacam como líderes informais, referência de conhecimento e atitudes e formadores de opinião.

Daniel Tits

Individualismo x coletivismo

A cultura de reconhecimento profissional individual ainda reina na maioria das organizações (resultado individualista), contrapondo aos esforços para engajar as pessoas em trabalhos coletivos, coparticipativos e cocriativos (resultado em grupo).

Ainda precisamos criar um sistema sólido de reconhecimento financeiro e (ou) ascensão profissional pautado em conhecimentos, habilidade e atitudes colaborativas e em competências contributivas aos resultados em coletividade.

Não cabe mais apenas reconhecer a realização individual (individualismo). Precisamos valorizar os inovadores pelo esforço em trabalhar colaborativamente, em democratizar suas experiências no grupo e pela capacidade de potencializar resultados em equipe.

Vaidade profissional

Quando falamos de resultados positivos das inovações, com consequente reconhecimento dos inovadores, falamos da atração fatal de um sentimento humano, a vaidade, que provoca resultados devastadores nas organizações.

Como descrito em um dos dicionários da língua portuguesa, vaidade é a qualidade do que é vão, inútil; fútil. E quais os reflexos da vaidade nas organizações? A resposta é fácil: desperdício de recursos (materiais, tecnológicos, financeiros e humanos), retrabalhos e reinícios desnecessários.

Frequentemente projetos, programas e ações são interrompidas nas organizações pela vaidade profissional, pelo sentimento humano de autovalorização, pela busca da autoafirmação na organização e pela disputa irracional de poder.

Preparando os pilotos

Pilotar o DeLorean do Dr Brown, do filme De Volta Para O Futuro, nas organizações não é tarefa fácil, requer pilotos do tempo que saibam dirigir nas estradas conhecidas do passado e em caminhos ainda inexplorados do futuro.

São caminhos do passado e do futuro que se entrelaçam, que podem confundir e tirar da rota um piloto inexperiente ou, servir de álibi a um piloto com intenções prejudiciais à organização.

Na trilogia do filme, os personagens Dr Marty McFly (ator Michael J. Fox) e Dr. Emmett Brown (ator Christopher Lloyd), passam por diversas situações onde passado e futuro se misturam e coloca em risco suas próprias existências.

Precisamos nos concentrar em otimizar os recursos organizacionais na eficácia do presente e na eficiência do futuro, e em eliminar situações letais à organização.

Como eu sempre digo: muitos usam o DeLoream para voltar ao passado ao invés de ir ao futuro. Que desperdício!

  

Compulsivo em Administração (Bacharel). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Empreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Projetos, Pessoas e Educacional, Marketing, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação e Empreendedorismo.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, UDF/UnicSul e mentoria a Startups. Já cruzou os oceanos do IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco (NCNB) e Cia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias e avaliação de pitchs: professor.manfrim@gmail.com.

Linkedin – Prof. Manfrim

Currículo Lattes – Prof. Manfrim

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