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Publicação: Terça-feira, 30/04/2013 às 09:00:00
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No DF, poucos ônibus circulam de madrugada

A Câmara Legislativa discute o aumento da frota no período noturno. Antiga reivindicação dos brasilienses, a campanha Transporte 24 Horas, que cresce nas redes sociais, foi tema, ontem, de audiência pública entre parlamentares, usuários e empresários da área. A proposta veio do deputado professor Israel (PDT), que ressalta a necessidade de ter mais ônibus nas ruas da cidade no período das 22h às 6h

Carla Rodrigues
carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br


Pegando carona na licitação do novo sistema de transporte público do Distrito Federal, outras deficiências do serviço vêm à tona. Uma delas é a falta de ônibus no período noturno. A maior parte das reclamações é feita por quem trabalha à noite e fica sem alternativa para chegar em casa. Mas essa ideia não agrada apenas a essa parcela da população. Em tempos de Lei Seca, os ônibus seriam uma opção para quem tem a consciência de que não é correto beber e dirigir.

 

A Câmara Legislativa discute   o aumento da frota no período noturno. Antiga reivindicação dos brasilienses, a campanha Transporte 24 Horas, que cresce nas redes sociais, foi tema, ontem, de audiência pública entre parlamentares, usuários e empresários da área. A proposta veio do deputado professor Israel (PDT), que ressalta a necessidade de ter mais ônibus nas ruas da cidade no período das 22h às 6h.

 

 Cerca de dez mil trabalhadores que dependem do transporte na  madrugada seriam beneficiados com a medida. Além, claro, de quem aproveita a noite fora de casa.  “Com o endurecimento da Lei Seca, muita gente me procurou para reclamar da falta de alternativas de transporte público para sair à noite. Outra demanda veio por parte dos trabalhadores de bares, restaurantes, lanchonetes e boates”, explica o parlamentar. 

 

 

Para ele, o sistema de transporte público não atende essa parcela da população. “Há relatos de quem não consegue ônibus e acaba aguardando até de manhã, muitas vezes na Rodoviária, para ir embora”, enfatiza.

 

O próprio DFTrans, órgão responsável pelo transporte urbano da região, defende que a frota deve aumentar no período noturno. “Os ônibus devem rodar 24 horas. Tem passageiro em todos os horários. Usuários, nós temos”, ressalta o diretor-geral da autarquia, Marco Antônio Campanella. 

 

Hoje, há 15 linhas   no DF nos horários do chamado “corujão”, entre meia-noite e 6h, informa o DFTrans. Contudo, para Afrânio Cordeiro,   gerente do bar e restaurante Fausto e Manuel, do Sudoeste, a frota   precisa aumentar, já que muitos   funcionários ficam sem opção.  “Tenho pessoas que dormem no serviço pela falta de ônibus”, relata. 

 

Queda no movimento dos bares


 

Outro defensor da ideia é o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes da cidade (Sindhobar), que registrou queda de 25% no movimento noturno dos comércios após o endurecimento da Lei Seca. “O transporte 24 horas permitirá às pessoas cumprir a lei e se divertir com segurança”, salienta o presidente da Associação, Clayton Machado.

 

Moradora de Ceilândia, a doméstica Antônia Rodrigues, 35 anos, acredita que passou da hora de o governo investir no transporte noturno. “Aguardo muito tempo até conseguir ônibus à noite”, conta. Ela acredita que a frota deve aumentar junto com a demanda: “Tem trabalho toda hora. As empresas têm que pensar nisso”.

 

Alteração após licitação

 

A quantidade de ônibus necessários para atender a demanda noturna não foi informada pelo DFTrans. Segundo Marco Antônio Campanella, diretor da autarquia, está sendo feito estudo para definir a demanda da região. Entretanto, ele salientou que o governo deve aproveitar a licitação da nova frota, que está sendo feita por bacias, para implementar um sistema noturno mais amplo. “Faríamos isso com essa frota nova que está chegando”, destacou. 

 

Morador de Santa Maria, José Angélico de Jesus, 55, trabalha há 25 anos como garçom no bar Beirute, um dos mais antigos da cidade. Para ele, a saída foi mudar o horário de serviço. “Comecei a trabalhar mais cedo”, destaca. Ele conta   que chegou a passar por situações humilhantes nas paradas de ônibus durante a madrugada. “Jogaram ovo em mim e o ônibus não chegava. Está na hora de o governo levar isso a sério”, completa.

 

“O movimento noturno vem crescendo em Brasília. Não somos mais uma região parada. Eu mesmo tive que comprar um carro para poder trabalhar de noite. Depender de ônibus de madrugada está virando um pesadelo”, contou o caixa do Beirute  Leandro Lima, 33 anos. Há oito anos no cargo, ele ressaltou que fez um financiamento para não precisar depender do escasso transporte público. 

 
 
Para atender exclusivamente o público da agenda noturna da cidade, existe ainda um movimento a favor da chamada Rota Cultural. A ideia – já implementada em Curitiba (PR), de nome de Rota Interbares – é que empresas privadas apoiem e patrocinem os ônibus que circulam pelos bares, restaurantes e boates para levarem os frequentadores até os pontos de ônibus e metrô.
 
 
 “Brasília alcançou sua maturidade e precisa evoluir na suas políticas  e ter o transporte digno de uma capital. O caminho mais viável é uma solução integrada entre ônibus, metrô, a Rota Cultural e a parceria público-privada”, destacou o distrital professor Israel (PDT). 
 
 
Na tentativa de conseguir aliados entre os cidadãos, o deputado tem distribuído panfletos com a ideia em vários bares da cidade. As dentistas Débora Tânia Souza, 30, e Eveline Vasconcelos, 29, também acreditam que a proposta deve ser implementada o quanto antes. 
 
 
 “É fundamental. Mas deve ser acessível, seguro e, principalmente, com uma frota renovada. Nós, com certeza, deixaríamos o carro em casa para vir de ônibus e ficar em dia com a Lei Seca”, diz Débora. Porém, disseram, a população não aguenta mais depender de ônibus velhos, por isso “os veículos devem ser revisados”, salientaram. 
 
 
 

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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