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Brasília

Exposição com Kombis chama atenção de quem passa pela L4 Norte

Arquivo Geral

01/01/2013 7h00

Raiane Kissem

raianekissem@jornaldebrasília.com.br


Há aproximadamente um ano, o grupo Corpos Informáticos, do Instituto de Artes da UnB, vem transformando ferro velho em esculturas. Como resultando, kombis coloridas se espalham na paisagem de quem passa pela via L4 Norte, próximo à área central de Brasília. Paralelo às kombis, foram pintadas letras por aproximadamente 150 metros, gravadas em uma pista abandonada perto dos veículos. 

 

Mas a inusitada exposição chegou a ficar com os dias contados. É que este ano, o grupo de pesquisa Corpos Informáticos foi surpreendido com uma notificação do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) que determinava a retirada da exposição de arte. 

 

O conjunto artístico é composto por seis kombis coloridas, “plantadas” no chão. Dentro delas, existem até árvores. A retirada determinada pelo DER previa a remoção dos veículos do local e o afastamento das kombis artísticas da via de rolamento.

 

Até o momento, três kombis já foram retiradas. No interior das que restaram estão plantados  xixás, flamboyants e palmeiras, inclusive uma Imperial. Como as árvores se encontram enraizadas nos veículos, movê-los representaria matar as árvores. A coordenadora do grupo, a professora da Universidade de Brasília, Maria Beatriz de Medeiros, conhecida como Bia Medeiros, reclamou da medida explicando a impossibilidade de as peças serem removidas. “As árvores cresceram e criaram raízes, fazem parte da obra. Se a gente retirar os veículos, vamos arrancá-las também”, lamentou.

 

Explicação

Bia Medeiros informou que, no momento, o DER está estudando a possibilidade de as obras de artes continuarem exatamente onde estão. “Escrevi uma carta séria ao órgão perguntando o que eles realmente queriam que fosse retirado”, contou. Segundo a professora, “existe uma lei maluca, que ninguém conhece, que é a faixa de domínio de 65 metros, onde não pode existir nada. Agora, eles estão estudando o assunto, reclamou.”

 

Porém, de acordo com o DER, em um acordo com a UnB, foi solicitado que apenas um dos veículos – que estava muito próximo à guia, o que é proibido -, fosse afastado cerca de um metro das margens. O DER informou ainda que, como responsável pelas rodovias distritais, no caso, a L4 Norte, em nenhum momento ordenou a retirada da exposição.

 

O grupo de pesquisa Corpos Informáticos existe desde 1992 e atualmente recebe apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).

 

Um carro semelhante ao dos Flintstones

 

Uma segunda obra de arte foi feita recentemente próxima aos veículos já existentes. As letras, pintadas em aproximadamente 150 metros de extensão, formam o título de um texto que recebe o nome de Mar(ia-sem-ver)gonha. A professora Bia Medeiros explicou seu significado: “Dentro de todo esse trabalho, existe uma questão filosófica. A gente inventou um texto poético, poético-filosófico que chama Maria Sem Vergonha. 

A coordenadora esclareceu que a pintura não foi feita como forma de protesto contra o DER. “Não é um  protesto, é outra obra de arte. A gente não tem nada contra o DER, eles até garantiram que, na medida em que o assunto for sendo estudando, podem até decidir colocar uma placa indicando que aqui há uma obra de arte”, esclareceu.

Os veículos foram instalados no lugar onde se encontram em junho de 2011, logo após a participação na exposição “Aberto Brasília” no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e na Universidade de Brasília. Desde essa época, o projeto vem sendo financiado pelo CCBB. “A gente participou com três kombis. A proposta inicial era apresentar uma obra de arte. Então, as três kombis foram plantadas no chão e dentro nasceram as árvores. Depois, foi introduzida uma quarta Kombi, que sofreu uma reforma para que ficasse parecida com o carro dos Flintstones”, contou Bia.

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