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Do Alto da Torre

Quatro candidatos ao Buriti são de partidos que apoiaram Agnelo em 2014

O legado de uma derrota

A imensa coligação de 16 siglas que tentou reeleger Agnelo Queiroz (PT) em 2014 fracassou na disputa pelo Governo do Distrito Federal e pelo Senado, mas seus cacos ajudaram a moldar o cenário político para o pleito de 2018. Quatro candidatos ao Buriti este ano são de partidos que apoiaram Agnelo, contando com o petista Júlio Miragaya. Eliana Pedrosa (Pros), Ibaneis Rocha (MDB) e general Paulo Chagas (PRP) pertencem todos a legendas que estavam na aliança Respeito por Brasília, encabeçada por Queiroz e cujo vice era Tadeu Filippelli (MDB), atual candidato a deputado federal.

Dança das cadeiras

As demais legendas daquela coligação são a base de quatro chapas distintas. Curiosamente, apenas o PT não conseguiu se reposicionar após a derrota há quatro anos e disputará as eleições deste ano com uma chapa puro sangue de cabo a rabo pela primeira vez desde 1990. Todos os outros encontraram novos ninhos tanto na oposição quanto na situação de Rodrigo Rollemberg (PSB), atual candidato à reeleição no governo.

Vem pra cá vem pra cá

A chapa inteira de Ibaneis Rocha (MDB) estava na base de Agnelo em 2014. Avante (à época conhecido como PTdoB), PP, PPL e PSL estavam todos na aliança em torno de Queiroz e agora sustentam a postulação do emedebista. Da mesma forma, no grupo de Eliana Pedrosa quatro dos sete partidos da coalizão, incluindo o dela, vieram daquela coligação. São eles: Pros, Patriotas (à época chamado de PEN), PHS e PTC. O PTB de Alírio Neto, atual vice de Pedrosa, e o PMN de Jaqueline Roriz, sem possibilidade de concorrer, pertenciam à chapa de Jofran Frejat naquele ano, enquanto o PMB nem existia.

Segue a dança

Rogério Rosso (PSD) também bebeu daquela fonte e conseguiu que PRB, Podemos (à época conhecido como PTN) e PSC se esquecessem do apoio ao petista para engrossar sua chapa. O PPS apoiava a candidatura de Pitiman (PSDB) antes da chegada do senador Cristovam Buarque (ex-PDT) ao seu quadro, enquanto o Solidariedade estava alinhado a Rollemberg nas últimas eleições e agora também tenta eleger Rosso.

Tem pra todos

Até a candidatura de Rodrigo Rollemberg (PSB) se fortaleceu com os espólios da coligação derrotada por ele próprio há quatro anos. O PV do atual vice da chapa de Rollemberg, Eduardo Brandão, estava naquele grupo, bem como o PCdoB. O outro partido da coligação que busca reeleger o Chefe do Executivo, intitulada Brasília de Mãos Limpas, conta também com um relutante PDT, aliado do governador em 2014, brigado com o governo há um ano, mas que depois retornou por imposição da Executiva Nacional, que priorizou um palanque para seu presidenciável Ciro Gomes no DF. Eleições são muito mais sobre se aproveitar da derrota do que saborear a vitória.

Tête-à-tête

Este fim de semana marcou o primeiro de muitos em que os 11 candidatos ao governo de Brasília e seus aliados fizeram o chamado corpo a corpo pela cidade atrás de apoio. Rollemberg (PSB) fez caminhadas em Ceilândia e Taguatinga, Fraga (DEM) esteve no Núcleo Bandeirante, Eliana Pedrosa (Pros) visitou Planaltina e esteve no lançamento da candidatura de Hélio José (Pros) à Câmara dos Deputados em Taguatinga Norte e Rogério Rosso (PSD) visitou a Cidade Estrutural e outras localidades so Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Júlio Miragaya (PT) se ateve a atividades partidárias, como lançamento da candidatura de Chico Vigilante (PT) para deputado distrital e um congresso do Sinpro. Ibaneis Rocha (MDB) comeu pastel e tomou caldo de cana em São Sebastião. Fátima Sousa (PSOL) também passou por Planaltina. Alexandre Guerra (Novo) prestigiou o lançamento da candidatura de João Amoêdo (Novo) à presidência, no Setor de Clubes Sul, e o general Paulo Chagas (PRP) deu entrevistas de rádio e pediu doações para campanha pelas redes sociais. Professor Guillen (PSTU) e Renan Rosa (PCO) atenderam a eventos partidários com seus presidenciáveis. Ufa! A maratona só começou.

Clã que nunca morre

A partir das 15h de hoje, o candidato a deputado federal Joaquim Roriz Neto (Pros), neto do ex-governador homônimo e filho de Jaqueline Roriz (PMN), será entrevistado pela coluna com transmissão ao vivo nas redes sociais do Jornal de Brasília. É sua segunda tentativa de chegar à Câmara dos Deputados e ele tem apostado bastante na memória afetiva de seus eleitores em relação a seu parente mais famoso para tentar superar a marca de 29,4 mil votos recebidos em 2014.

Missão dura

Desde que Brasília passou a poder escolher seus representantes, em 1990, o único pleito em que a população brasiliense não elegeu um integrante do Clã Roriz foi a de 1994. Em 1990, Joaquim Roriz foi o primeiro governador do DF colocado no cargo por meio do voto. Em 1998, alcançou o mesmo cargo novamente e conseguiu a reeleição em 2002. Em 2006, se elegeu para o Senado mas renunciou um ano depois para evitar ser cassado após suspeita de ter desviado dinheiro público. Posteriormente, no entanto, ele se tornou inelegível do mesmo jeito. Em 2010 sua esposa Weslian perdeu a corrida pelo Burito mas suas duas filhas, Jaqueline e Liliane Roriz, se elegeram para a Câmara Federal e Legislativa, respectivamente. Em 2014, apenas Liliane manteve sua família sob os holofotes e agora, em 2018, além de Roriz Neto, seu primo Paulo Roriz (PSDB), seu outro primo Dedé Roriz (PHS) e sua vó Weslian (PMN) tentam manter o legado.

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