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Hélio Doyle

Os votos não vão apagar textos e fotos pró Cunha

Os cinco deputados brasilienses que sempre estiveram ao lado de Eduardo Cunha não votaram contra a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara. Podem até dizer que fizeram uma autocrítica do passado ao lado do seu ex-líder, viram que é um corrupto e resolveram se penitenciar. Mas o mais provável é que tenham tido medo da reação do eleitorado em 2018.

Dois desses deputados, Laerte Bessa (PR) e Rôney Nemer (PP), abstiveram-se de votar, uma maneira de ajudar Cunha sem se comprometer tanto com os eleitores. Não contribuíram com seus votos para a cassação, mas não aparecerão na lista dos que ficaram até o fim com o cassado.

Rogério Rosso (PSDB), Ronaldo Fonseca (Pros) e Alberto Fraga (DEM), que foram fidelíssimos escudeiros de Cunha, votaram surpreendentemente pela cassação. Esses três sempre estiveram ao lado do então presidente e continuaram se relacionando com ele depois que o Supremo Tribunal Federal o afastou do posto.

Não vão conseguir, porém, apagar os textos em que defendiam Cunha e as fotos em que posavam alegremente ao seu lado.

Sigo o líder, mas só até certo ponto

Erika Kokay (PT) e Izalci Lucas (PSDB) nunca estiveram ao lado de Eduardo Cunha e votaram com coerência. Já Augusto Carvalho (SD) manteve uma posição dúbia: não defendia Cunha, mas também não o atacava, talvez para não se confrontar com o líder do Solidariedade, Paulinho da Força.

Conhecido como um atuante pelego sindical há muitos anos, Paulinho fazia a defesa escrachada de Cunha e foi um dos 10 deputados que votou contra a cassação. Augusto não o acompanhou.

Com Rosso teria sido diferente

A forte ligação entre Eduardo Cunha e Rogério Rosso foi mais do que explicitada pelo próprio ex-presidente da Câmara na entrevista que deu logo depois da votação. Cunha disse que sua cassação foi decretada quando o governo Temer se aliou ao PT para eleger Rodrigo Maia para a presidência da Casa.

Se o eleito fosse Rogério Rosso a história poderia ser outra e Cunha ainda estaria com seu mandato. Rosso seria pau-mandado de Cunha e não faltariam manobras para protelar a realização da sessão para cassá-lo.

As nuvens da política passam lá e aqui

A maciça votação pela cassação do mandato de Cunha – 450 votos, quando bastavam 257 – mostra que o poder é mesmo efêmero e na política tudo pode acontecer. Eduardo Cunha era o todo-poderoso presidente da Câmara, tido como articulador competente, temido por aliados e adversários. Parecia gostar de espalhar arrogância e prepotência por onde passava.

Quando se elegeu presidente em 2015, dizia-se que as operações policiais jamais o pegariam – era inteligente demais para cometer erros que levassem à descoberta de seus roubos aos cofres públicos. Roubava com competência.

Quem quis seguir seu exemplo em Brasília também está vendo seu mundo desmoronar.

O tiroteio já começou

Com a derrocada da possibilidade de reeleição da presidente afastada Celina Leão, já aparecem os possíveis candidatos a presidente da Câmara no biênio 2017-2018. Os mais citados, até agora, são Agaciel Maia (PR), Joe Valle (PDT), Sandra Faraj (SD) e Israel Batista (PV). Os partidos são citados só como informação, não têm importância nesse contexto.

Como o ambiente político em Brasília é tenso, diante das gravações e delações, é praticamente impossível prever quem irá sobreviver até a eleição da mesa, em 1º de janeiro de 2017.

Até porque quem coloca a cabeça para fora da trincheira é alvo fácil dos franco-atiradores.

Lembranças desagradáveis

A primeira vítima está sendo Agaciel Maia, o candidato preferido pelo governador Rodrigo Rollemberg. Histórias do tempo em que foi afastado do importante posto de diretor-geral do Senado estão sendo relembradas: o domínio sobre os contratos, os empréstimos em dinheiro a senadores, os decretos secretos, a sala escondida embaixo de seu gabinete, a mansão de R$ 5 milhões não declarada no imposto de renda e por aí vai.

Agaciel é tido como um dos mais preparados e competentes distritais – o que, a bem da verdade, não é difícil tendo em vista a mediocridade da maioria dos parlamentares brasilienses. E é um dos que mais tem ajudado ao governador.

Mas quem entra no fogo se queima.

Plataforma de lançamento

Os que se colocam mais abertamente ou discretamente na briga pela presidência da Câmara Legislativa aspiram subir na carreira política. Exercer o posto às vésperas das eleições de 2018 pode ser um impulso importante para isso – dependendo do desempenho, claro.

Por isso Celina Leão queria se reeleger. Ela tinha como alvo mínimo uma cadeira de deputado federal e como máximo o Palácio do Buriti. As circunstâncias políticas e a avaliação da gestão do governador Rodrigo Rollemberg é que determinariam o rumo, que também poderia ser o Senado.

Agaciel quer ser deputado federal ou senador. Joe Valle abre o leque: deputado federal, senador, vice-governador ou governador. Para Sandra Faraj e Israel Batista, um lugar na Câmara dos Deputados está de bom tamanho.

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