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Economia

Planejar é a saída para conseguir viajar

João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

As férias de verão se aproximam e a preocupação de quem vai viajar para o exterior aumenta. Em especial, daqueles que vão para locais em que o câmbio é desfavorável em relação ao real, como Estados Unidos e países da União Europeia. Fica a dúvida: o que fazer para que o bolso não sofra tanto com a variação cambial? Segundo especialistas, o jeito é se planejar ao máximo e seguir para o aeroporto com a consciência tranquila e dinheiro suficiente para aproveitar a folga.

Na última semana, apesar das pequenas variações, as notícias econômicas fizeram com que o dólar comercial ficasse em torno de R$ 3,80 e o euro em R$ 4,30. Há poucos meses, as moedas atingiram patamares de pesadelo para viajantes. A divisa americana chegou a R$ 4,20, em setembro, e o euro foi a R$ 4,91. Os valores eram para compra comercial. Para turistas, que só podem adquirir nas casas de câmbio, estava ainda mais alto.

Apesar da estabilização dos últimos dias, o economista-chefe da DMI Group, Daniel Xavier, analisa que há espaço para mais recuo e que o dólar chegue ao patamar de R$ 3,75, no máximo R$ 3,70. A movimentação ainda é fruto das eleições de 2018. “O principal motivo para o recuo foi o desfecho da eleição e a expectativa para o que vai ocorrer até o final do ano, como a nomeação de ministros e as medidas relacionadas a reforma da previdência”, afirma.

Para 2019, o economista estima que a baixa pode ser maior, se o mercado estiver otimista em relação às mudanças na economia. “Pensando em seis ou 12 meses a frente, trabalho com o dólar a R$ 3,30 ou a R$ 3,40. Se a economia voltar a crescer, não será preciso subir juros. Isso vai atrair dinheiro que vem por meio de investimentos estrangeiros e querem investir no longo prazo”, estima Xavier.
No meio de todas as variáveis do câmbio fica o viajante, muitas vezes perdido e saber o que fazer para não perder dinheiro. Para não sofrer tanto com as variações, Marcos Ribeiro, de 34 anos, começou a pesquisar o máximo de informações que poderia, até entender que o melhor para ele seria planejar a hora de comprar a moeda.

Assim, para a próxima viagem, marcada para janeiro de 2019, ele começou a comprar dólares em julho deste ano. Tudo para que a ida aos parques de Orlando, nos Estados Unidos, seja tranquila. Ele vai com a esposa, Nathália Carvalho, 31, e mais nove integrantes da família para comemorar o aniversário de 15 anos de uma prima.

O autônomo sabe que não escolheu a melhor época para viajar e acabou pagando mais caro por isso. As passagens dele e da esposa custaram R$ 10 mil. Se a viagem fosse feita em um mês mais tranquilo, poderia ter gasto a metade.

“Já repensei e fiquei chateado por ter escolhido viajar nesta época. Eu poderia ter ido em outro momento, mas não deu”, lamenta Marcos, que comprou dólar a R$ 4,26, na cotação mais alta, e R$ 3,70, na mais baixa. Toda vez que vai à casa de Câmbio, ele compra de U$ 300 a U$ 500. O planejamento é gastar de U$ 100 a U$ 150, diariamente, nos 11 dias que ele permanecerá em terras estrangeiras.
Essa não é a primeira vez que Marcos utiliza esta tática. Quando foi viajar entre Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega fez a compra da mesma forma. Ele lembra bem que a moeda era mais cara, mas comprando aos poucos evitou perdas grandes.

Comprar com antecedência ajuda

A tática utilizada pelo autônomo Marcos Ribeiro para sua próxima viagem é certa para o superintendente de varejo do Grupo Confidence, Juvenal Marcelo dos Santos. “Planejamento é tudo. Primeiro, na hora de comprar o pacote. Tem que pegar o melhor momento para viajar. Até porque tickets de atrações e passagens são atreladas ao dólar. Depois disso, se já definiu, é sempre bom comprar com meses de antecedência, de acordo com o orçamento”, afirma.

Juvenal aconselha que, se a pessoa programou para ir à Europa em setembro de 2019, que comece a comprar ao menos um pouco agora mesmo. Assim, não haverá tanto com a variação.

Câmbio favorável

Outra possibilidade para sofrer menos é ir para países cuja moeda tenha uma cotação menor que o real. A Argentina e outros países da América do Sul são algumas das possibilidades. O peso argentino valia R$ 0,10 na última semana. Em outubro, a divisa portenha valia um centavo a menos.

A esperança, para o economista-chefe do Grupo Confidence, Robério Costa, é que, em 2019, o dólar baixe ao patamar de R$ 3,50. Isso seria possível se, além da Reforma da Previdência, a política de privatizações seja tocada. “Com o cenário otimista, os investidores vão conseguir investir. É possível que abaixe ainda mais”, afirma.

Saiba Mais

Comece a comprar a moeda alguns meses antes de viajar. Um pouco de cada vez.

Se quiser sofrer menos com essas situações, ir para países em que a moeda brasileira valha mais pode ser interessante. em especial, quando se vai viajar em família.

Algumas casas de câmbio fazem promoção para aqueles que compram mil dólares ou mil euros de uma só vez. Essa pode ser uma possibilidade de economizar.

A escolha de comprar moeda em espécie ou em cartões pré-pagos, os VTMs, pode também trazer economia.

Para adquirir dinheiro em espécie, o IOF pago é de 1,1% do montante. Já para o cartão pré-pago é de 6,38%.

O superintendente de varejo do Grupo Confidence, Juvenal Marcelo dos Santos, explica que a escolha deve ser feita de acordo com o que for mais cômodo para a pessoa.

“Sempre, eu aconselho comprar das duas formas. Você economiza com a compra em espécie e fica mais seguro com o cartão”, afirma.

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