Do Alto da TorreEduardo Brito

Publicação: Domingo, 19/04/2015
A+ A-

Para dar o troco nos direitos do trabalhador

Irritado por constar de panfleto distribuído pela CUT na Rodoviária do Plano Piloto para acusar os “ladrões de direitos do trabalhador” — o panfleto era ilustrado com fotos dos parlamentares brasilienses que votaram a favor do projeto das terceirizações — o deputado Ronaldo Fonseca (foto) deu o troco. Participou das articulações do seu partido, o Pros, com PSD e PDT para retirar da pauta da Câmara as terceirizações e antecipar a votação das medidas provisórias 664 e 665, que desenham o ajuste fiscal. “Essas medidas, sim, é que tiram direitos dos trabalhadores e quero só ver como os deputados petistas ligados à CUT vão votar”, desafia Ronaldo Fonseca.

 

Dúvida atroz 

A propósito, Ronaldo Fonseca revela que começou a nutrir uma suspeita. Desconfia seriamente que a CUT hoje trabalha para derrubar a presidente Dilma Rousseff. Ao acusar furiosamente o projeto das terceirizações de furtar direitos dos trabalhadores, a central terminará por acender um fogaréu em torno das medidas provisórias do ajuste, assinadas por ela própria, que cortam um volume muito mais significativo de direitos. 

 

Uma bomba-relógio, ainda por cima nuclear

Estabelecida como uma pátria para os muçulmanos da Índia em 1947, o Paquistão teve até agora uma história tumultuada, sempre como peça-chave de conflitos regionais e internacionais terríveis. Tudo isso se agrava quando se lembra que é o único país islâmico a contar com armas nucleares. Essa tendência só tende a se agravar. Cada vez mais o país se convulsiona e cada vez mais sua posição estratégica exige extrema atenção internacional. Esse é o quadro mostrado em The Struggle for Pakistan, da premiada historiadora Ayesha Jalai, lançado há pouco pela Universidade de Harvard. A Luta pelo Paquistão, que seria seu título em português, existe, sim, e contrapõe todas as potências mundiais, além dos radicais islâmicos. Não à toa seu subtítulo, A Muslim Homeland and Global Politics — que poderia ser De um Lar Islâmico à Política Global — traduz a trajetória violenta de um país acossado por assassinatos, golpes, conflitos étnicos, crescente radicalismo islamita, a separação de Bangladesh e guerras no quintal dos fundos. O governo do país finge condenar, mas estimula extremismo religioso e o autoritarismo militar. Em meio à agonia de sua terra natal, Ayesha Jalal mostra para onde o Paquistão pode ir. O que nós temos a ver com isso? Muita coisa. Afinal, trata-se de uma nação com população quase igual à brasileira, apertada em território  menor do que Mato Grosso, que conta com o sétimo maior exército do mundo, um arsenal de 120 bombas nucleares, e fervilha de organizações extremistas islâmicas.

 

Guerra permanente 

Por sua posição estratégica, o Paquistão vive um estado de guerra permanente com a vizinha Índia. Tem também relação polêmica com a aliada China e com os Estados Unidos, que despejam lá rios de dinheiro para os militares, à espera de contrapartida. Afinal, foi lá que se encontrou, e matou, Osama bin Laden. A ajuda externa, quase toda controlada pelos militares, representa, diz a autora, compra de segurança à custa de do sacrifício das outrora. fortes instituições democráticas. Há ainda disputas fronteiriças com o Afeganistão, no oeste, e do conflito com a Índia sobre a Caxemira no leste. Combinadas com as rivalidades étnicas e regionais domésticos, essas pressões criaram uma mentalidade de cerco que incentiva a dominação militar e o extremismo militante.

 

Democracia só no papel

Biógrafa de Mohammed Ali Jinnah, o visionário e democrático líder que conduziu o processo de independência do Paquistão, Ayesha Jalal, mostra que, apesar das instituições formalmente liberais e das boas intenções de Jinnah, o país nunca foi uma democracia no pleno sentido da palavra. Por toda a sua história, uma casta militar e os seus apoiadores na classe dominante formaram um establishment que definiu como nacionais seus estritos interesses. Em meados da década de 1950, o Paquistão tornou-se um aliado americano, em grande parte porque os Estados Unidos queriam um "equilíbrio" contra a Índia que, como muitos Estados pós-coloniais, se orgulhou de seu "não-alinhamento" durante a Guerra Fria. Em 1958, com o apoio americano, o exército paquistanês lançou o seu primeiro golpe formal, em meio a instabilidade regional e econômico. "O sistema político não apenas quebrou", diz a professora, mas. "as autoridades civis e militares graduadas, com bênção britânica e americana, fizeram com que quebrasse para baixo."

 

De onde vem o dinheiro

Embora após quatro golpes militares sucessivos seja tentador culpar os generais por tudo o que deu errado no Paquistão, Ayesha Jalal deixa claro que a liderança civil tem sido corrupta, mesquinha e tacanha, colocando a política acima do princípio da supremacia civil, especialmente quando os adversários estão no poder. Após o assassinato da líder Benazir Bhutto, o poder retornou ao religioso Nawaz Sharif, que enfrenta acusações de fraude. Mas, para a autora, o problema é sistêmico. Ela mostra, no livro, as políticas do governo têm como principal objetivo manter os dólares de ajuda internacional fluindo para garantir uma instabilidade. A ideia é mostrar que o Paquistão é indispensável para manter algum equilíbrio na região,  apesar de ter perdido toda guerra em que lutou. Afinal, mostra ela, se o Afeganistão for pacificado e as relações com a Índia normalizadas, os paquistaneses pode começar a perguntar por que o maior orçamento do país é o militar e por que os escassos recursos estão sendo desviados para armas nucleares.

 

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Serviços.

Assinatura

Tenha seu jornal sempre na mão

Confira nossa Edição Digital

Classificados

Encontre o que você procura

Empregos

Temos um trabalho para você

Hoje temos vagas disponíveis