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Festival inédito em Brasília traz documentários de moda

Da Redação
redacao@grupojbr.com

O Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios) se tornará uma passarela durante a primeira edição na cidade do Feed Dog Brasil – Festival Internacional de Documentários de Moda. Em cartaz até domingo, o evento exibirá 12 filmes relacionados com o tema e também contará com uma programação paralela. Tudo com entrada franca.

O festival começou em Barcelona (Espanha) e ganhou uma edição em São Paulo em 2015. No Brasil, passou por São Paulo (2017) e Belo Horizonte (2018). Na capital federal, a expectativa é grande. “Brasília é uma das cidades em que a moda, tanto como consumo quanto criação, cresce a cada dia”, acredita Flávia Guerra, curadora. “Sem contar o cenário cultural da capital federal, que sempre produziu e pensou cinema de forma muito livre, o que é importante para o Brasil”, complementa.

O público terá a oportunidade de assistir a diversos filmes, como First Monday in May, dirigido por Andrew Rossi. O filme fala sobre o luxuoso baile de gala do MET 2015 e conta com a participação de grandes ícones fashionistas, como Anna Wintour, editora-chefe da edição norte-americana da revista Vogue. Wintour serviu de inspiração para que a atriz Meryl Streep interpretasse a icônica Miranda Priestly no filme O Diabo Veste Prada.

Entre os debates, destaca-se Cinema e Moda – Uma Relação ao Longo da História, marcada para sábado, às 17h. Na ocasião, a mesa vai abordar a ligação do universo da moda com a sétima arte.

A programação do Feed Dog Brasil inclui ainda uma exposição fotográfica no Hall do Museu Nacional da República e duas oficinas. Mais informações: 98632-6607. A classificação indicativa varia de acordo com o filme.

Entrevista com a curadora Flávia Guerra:

Por que trazer o Feed Dog a Brasília em 2019?
Porque a ideia é poder levar a moda e o cinema para o maior número de cinemas possíveis, uma vez que há uma demanda por este tipo de programação que raramente é suprida. Brasília é uma das cidades em que a moda (tanto como consumo quanto criação) cresce a cada dia. Sem contar o cenário cultural da capital federal, que sempre produziu e pensou cinema de forma muito livre, o que é importante para o Brasil. Por tudo isso, o Feed Dog chega em ótima hora a Brasília.

Além da exibição dos filmes, a mostra também traz exposição, oficinas e debates. E oferece ao público uma experiência completa de imersão nos universos do cinema e moda. Qual a importância de apresentar uma programação tão ampla?
O Feed Dog pensa e enxerga a moda em 360º, como área que se comunica, contamina e é contaminada não só pelas outras artes, mas pelo contexto socioeconômico e cultural de onde é produzida. Na era das convergências, é preciso pensar transmídia. Este é um festival para quem gosta de moda e de cinema, não só como espectador, mas também para quem quer produzir, pensar e debater.

A moda se mantém como pauta de debate há tempos. E a cada dia ganha mais importância. As pessoas estão mais atentas ao que vestem e de onde vêm essas produções, assim como as semanas de moda e os desfiles se tornam mais e mais disputados. Como você vê a moda atualmente?
Sim. O acesso à informação facilitou também o acesso à informação de moda, que vai muito além do consumo, mas que trata também de comportamento, meio ambiente, responsabilidade social e cultura. A moda sempre foi tudo isso, mas hoje a informação circula muito mais rapidamente e as trocas são em tempo real. Mais uma vez, a troca não é só poder consumir fast fashion, comprar roupas de um desfile em tempo real, mas sim troca de referências e experiências. No Brasil, a formação do olhar passa também pela formação do olhar sobre a estética da moda (e digo isso pensando na democratização e na diversidade. O Plus Size, a moda inclusiva, o estilo afro e suas referências ganhando o merecido valor, o upcycling, a pesquisa de materiais orgânicos e naturais, entre outros.

O avanço das tecnologias e as novas mídias contribuem para que a demanda de produções seja maior e até mesmo com orçamentos mais baixos. Você vê essa tendência presente nos documentários? Pode comentar sobre este universo tão rico?
Com certeza. Não só se filma mais com custo menor, como também há mais janelas para se exibir e assistir ao que é filmado. Pode filmar desde um documentário para cinema como The First Monday in May até um curta muito autoral (como Perfect Fit). Docs curtíssimos para a internet também são uma tendência e webfestivals (no Rio já há um grande e com relevância no circuito internacional) vieram pra ficar.

Fale um pouco sobre o processo de curadoria dos filmes selecionados.
O processo de curadoria mira, prioritariamente, na qualidade dos filmes selecionados e em sua capacidade de se comunicar não somente com quem trabalha com moda, mas sim com o público interessado em descobrir mais sobre este universo tão rico. Muito por isso, a diversidade de temas e olhares sobre o assunto nos interessa. Filmes que nos contam histórias de personagens fascinantes , que fazem parte da história da moda e romperam paradigmas, que estão rompendo no mundo contemporâneo, que ampliam nossa visão do que é moda, estilo e beleza e também que questionam nossas certezas. Este é o caso dos filmes da seleção, como Fios de Alta Tensão, The First Monday in May, Deixa na Régua, Bangaologia, Mapplethorpe, Mini Miss, Fora do Figurino e vários outros.

Em 2019, o festival vai passar por quais cidades?
Nossa ideia (minha e dos produtores e também curadores Marcelo Aliche e Leonardo Kehdi, que trouxeram o festival da Espanha para o Brasil, em 2017) é passar novamente por São Paulo e Belo Horizonte, além de levá-lo para outras capitais.

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