CCBB recebe destaques da produção cinematográfica da Índia

Divulgação

A Índia está entre os cinco maiores polos produtores e consumidores de cinema do mundo. Dados no Ministério da Informação e Difusão Indiano apontam que em 2016 foram realizados quase 2 mil filmes no país. Anualmente, as bilheterias somam em torno de US$ 2,25 bilhões. Apenas uma fração desses filmes é exibida internacionalmente. E parte dessa recente produção cinematográfica da Índia poderá ser conferida em Brasília entre 20 de junho e 9 de julho no CCBB Brasília dentro da Mostra Novo Cinema Indiano.

Realizada em janeiro de 2017 no CCBB Rio de Janeiro, a mostra foi muito bem-recebida pelo público do centro cultural carioca, com várias sessões lotadas. Em paralelo a Brasília, a mostra ocupa o CCBB São Paulo entre 14 de junho e 3 de julho.

A programação conta com 15 filmes lançados a partir de 2013, 13 deles inéditos em Brasília, com foco no “Novo Cinema” indiano, como tem sido chamado o estilo praticado nos longas-metragens produzidos por jovens realizadores que buscam narrativas e temáticas menos convencionais dentro da cinematografia do país. São filmes ao mesmo tempo reflexivos e de apelo popular, que transitam entre os festivais internacionais de cinema de autor e o grande público, estabelecendo um verdadeiro contraponto ao estereótipo associado à indústria de Bollywood.

Esses filmes apresentam um retrato contemporâneo da Índia, nação multifacetada de estrutura social complexa que tenta alinhar tradição e modernidade. E o cinema é um forte elemento que compõe esse espectro social e cultural, visto que os indianos consomem seus próprios filmes há décadas. O cinema indiano leva para suas salas de cinema (estimadas em 13 mil distribuídas em seu território) as histórias, desejos e aflições de seu povo, construindo um imaginário de forte influência para os padrões sociais do país.

As produções presentes na Mostra Novo Cinema Indiano foram realizadas em sete regiões da Índia, consequentemente, são filmes falados em sete de suas 18 línguas oficiais. Representados na programação estão desde longas-metragens feitos na remota região de Assam, nordeste do país, onde se fala a língua Bodo, até filmes dos estados de Tamil Nadu e Kerala, na região sul, a responsável por 50% da produção de filmes indianos.

Entre os destaques da mostra estão filmes como Margarita com um canudo, da diretora Shonali Bose, que trata de questões de gênero, acessibilidade e inclusão social, temáticas recentes e impactante para o contexto indiano; Navio de Teseu, dirigido por Anand Gandhi, que explora temas de identidade, justiça e morte; Projecionista, de Kaushik Ganguly, que traz a história de um homem e sua luta pela sobrevivência de um cinema de rua voltado para exibição de filmes em película; O ovo do corvo, assinado por M. Manikandan, que narra as aventuras de dois meninos que sonham em conseguir dinheiro para comprar uma pizza (premiado como Melhor Filme Infantil e Melhor Ator no Indian National Awards); e Armadilha, com direção de Jayraj, uma adaptação de texto de Anton Chekhov que mostra o protagonista recomeçando sua vida após a morte dos pais (vencedor do Urso de Cristal em Berlim 2016).

Em 20 de junho, a sessão de abertura da mostra (com o filme Armadilha), será antecedida, a partir das 19h30, de um concerto de música clássica indiana Hindustani, com o duo Shabda Rasa, de São Paulo, formado por Julio Falavigna (Gopala) e Toti Lima (Ganapati), interpretes, respectivamente, de tabla e sitar. E no dia 21 de junho, às 17h, celebrando o Dia Internacional do Yoga, será realizada um “aulão” de yoga no jardim do CCBB, aberto ao público e conduzido por diversos instrutores do Distrito Federal. A atividade será seguida de meditação ao pôr do sol acompanhada de canto Drupad, um canto milenar da Índia, pelo português Ricardo Passos, e, logo depois, de mais um concerto de música clássica indiana Hindustani com o duo Shabda Rasa. No mesmo dia, às 20h, o público poderá assistir ao documentário Sopro dos deuses, sobre o surgimento do yoga. Em 7 de julho, o cineasta e músico André Luiz Oliveira (sitar) e o percussionista Marcelo Das (tabla) apresentarão um concerto de música clássica indiana Hindustani.

Em 1º de julho, um grupo de dançarinas da Escola Natyalaya, de São Paulo, mostrará uma performance, dentro do cinema, de dança clássica estilo Barathanatyam, tradicional do sul da Índia. Dia 2 de julho, o Grupo​ Bollywood – também da Escola Natyalaya, a principal referência no Brasil para dança indiana – executará coreografias folclóricas no foyer do cinema.

O cinema autoral e o cinema comercial da Índia serão tema de debate, em 29 de junho, com a participação de estudiosos da sétima arte, o jornalista Ulisses de Freitas e o professor de Comunicação Pablo Gonçalo. Em 6 de julho, o papel da mulher indiana na realização cinematográfica e como representação nos filmes será debatido pela jornalista Yale Gontijo e pela pesquisadora Marina Costin.

A curadoria da mostra é assinada em parceria pela brasileira Carina Bini e pelo indiano Shankar Mohan. Desde 1997, Carina passa temporadas na Índia estudando o cinema e a cultura do país. Diretora geral do Festival Internacional Cinema e Transcendência, ela produziu mostras como a BHAVA: Universo do Cinema Indiano (CCBB Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo – 2011 e 2012), maior mostra de cinema indiano já realizada no Brasil, e a Mostra Cem Anos do Cinema Indiano (2014), para o Museu Correios Brasília.

Sobre a seleção de filmes, Carina comenta: “Quando observamos o cinema indiano indo além de Bollywood, percebemos a diversidade de histórias e a pluralidade de maneiras como elas são contadas, vindas das várias Índias que existem naquele subcontinente tão rico culturalmente”.

Formado em cinema, Shankar Mohan trabalhou na área por quase 40 anos. Recentemente, aposentou-se como Chefe e Diretor do Departamento de Cinema do Governo da Índia. Antes disso, dirigiu o Festival Internacional de Cinema da Índia, em Goa (festival de cinema oficial do país) e foi diretor do Instituto Satyajit Ray Film & TV, em Calcutá. Atualmente, ele ensina, escreve e discursa sobre cinema, além de viajar para outros festivais internacionais. “Cada filme desta mostra foi selecionado baseado em sua capacidade de representar e iluminar seus diretores, atores, tradições culturais e as preocupações sociais que estão atualmente moldando o curso do cinema indiano. E a cada ano, o cenário em constante mudança no contexto indiano traz diferentes gêneros de filmes e cineastas”, afirma Mohan. “Esperamos sinceramente que vocês desfrutem desta seleção de filmes realizados nos últimos anos, que reflete a rica e diversa tapeçaria de uma terra distante – e de seu povo – chamada Índia!”

A Mostra Novo Cinema Indiano é uma produção da Atma Filmes. Patrocínio: Banco do Brasil. Realização: Governo Federal e Ministério da Cultura por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

FILMES:

Água (Jal)
Direção: Girish Malik. 2014, 136 min, livre. Região/Língua: Hindi. Bakka é um jovem adivinho com poderes místicos para descobrir onde existe água no deserto, com o uso de suas varinhas sagradas. Kim, uma europeia, chega no vilarejo e percebe que filhotes de flamingo estão morrendo por falta de água potável. Com a ajuda da Sociedade Ecológica decide criar lagos artificiais para salvar as aves. O único percalço é que todos os métodos científicos utilizados não encontram água. Kim volta-se para Bakka para obter ajuda. A atuação de Bakka e o envolvimento do vilarejo nessa missão, trazem acontecimentos guiados pela ganância, inveja e desespero pela sobrevivência, relevando o lado mais sombrio do caráter humano. O diretor: Girish Malik é ator e diretor, conhecido por Krantiveer (1994), Shola Aur Shabnam (1992) e Água (2013). Malik diz que acredita no cinema crítico, provocativo e completamente divertido. Trajetória do filme: Uma superprodução de Bollywood, o filme foge do padrão da indústria com suas intensas cenas musicais e melodrama; mas traz uma trama romântica à luz de um tema atual, que é a escassez da água e suas consequências ambientais. Filmado no deserto, traz uma fotografia magnifica e efeitos especiais interessantes que reforçam o misticismo indiano presente no roteiro. Enxergamos esse filme como uma tendência atual dessa indústria, que busca um filme mais “cult” à moda Bollywoodiana. Prêmios: 61º National Film Awards 2013 (Melhor Efeitos Especiais), também foi selecionado como candidato a Oscars 2014 na categoria de Melhor Filme e na categoria de Melhor Trilha Sonora Original.

Apur Panchali
Direção: Kaushik Ganguli. 2013, 87 min, 12 anos. Região/Língua: Bengala/ Bengoli. O filme é inspirado na história real de Subir Banerjee, o ator mirim que interpretou o papel icônico de Apu no consagrado filme Pather Panchali (1955) do diretor Satyajit Ray. Ironicamente, Subir “Apu” Banerjee, o famoso menino ator, nunca atuou em qualquer outro filme e nem é fã do diretor indiano mais conhecido no mundo todo. A caminho da Alemanha para receber um prêmio pelo filme do qual participou, ele tem recordações de sua vida. O diretor: Ganguly é um diretor, roteirista e ator do Cinema de Bengali conhecido por abordar temas de sexualidade. Ganhou o prêmio de melhor diretor no 44º Festival Internacional de Cinema da Índia.

Armadilha (Ottaal)
Direção: Jayaraj. 2015, 81 min, 12 anos. Região/Língua: Kerala/Malayalam. O filme é uma adaptação de uma das obras atemporais de Anton Chekhov, Vanka. O jovem Kuttappayi encontra-se triste e desesperado quando escreve uma carta para o avô. As recordações de Kuttappayi nos levam aos locais pitorescos de Kuttanad, onde Kuttappayi e seu avô, Valiyappachayi, estão chegando com seus patos. A aldeia é muito agradável, mas o motivo que o leva até lá é a morte de seus queridos pais. Com esperança e liberdade, ele está prestes a começar sua nova vida entre o carteiro da aldeia sem cartas, o cão sem nome, o rapaz rico, Tintu e muitos outros. O diretor: Jayaraj Rajasekharan Nair é um cineasta indiano aclamado pela crítica. Estreou na direção em 1990 com Vidyarambham. Ele ganhou o Urso de Cristal em Berlim 2016 pelo filme Armadilha. É o único diretor a ganhar tanto o Pavão Dourado e o Corvo Dourado no Festival Internacional de Cinema da Índia e no Festival Internacional de Cinema de Kerala, respectivamente. Ao longo dos anos, ele produziu 37 filmes em várias línguas indianas, incluindo Malayalam, Hindi, Tamil e Telugu. Seu filme Adbutham entrou no livro Limca of Records por concluir a filmagem em duas horas e 14 minutos, o filme mais rápido com o recurso de uma única câmera. Seu filme The train, de 2011, também é recordista por ser um filme onde a conversa de todos os seus personagens são via telefone. Trajetória do filme: Urso de Cristal de melhor filme no Festival de Berlim 2016; Kerala State Film Award – Melhor Filme; National Filme Award – Melhor Roteiro; National Filme Award – Melhor Filme Ambiental.

O fabricante de caixão (The coffin maker)
Direção: Veena Bakshi. 2013, 123 min, livre. Região/Língua: Goa/ Konkani-Inglês. Filmado numa pequena aldeia de Goa, o filme conta a história de Anton Gomes, que vem de uma família de carpinteiros tradicionais que passam a fabricar caixões quando as circunstâncias difíceis os deixam sem emprego e dinheiro. A diretora: Veena Bakshi começou sua carreira como assistente de famosos publicitários. Depois abriu sua própria agência, realizando – como produtora ou diretora – mais de 300 filmes publicitários. O fabricante de caixões é seu primeiro longa-metragem. Trajetória do filme: National Film Award 2013 para Melhor Filme da Língua Inglesa.

Geregalu
Direção: Nikhil Manjoo. 2015, 90 min, livre. Região/Língua: Karnataka/Kannada. O filme narra a história do artista clássico Yakshagana – cujo enorme sucesso, prêmios e nomeações lhe subiram à cabeça. A vida de Gaffur Khan não é totalmente um mar de rosas. Ele não consegue digerir seu sucesso e, em vez disso, torna-se um incômodo para a família e a sociedade. No fim das contas, é seu próprio neto que vem como um instrumento em sua vida e traz mudanças. O diretor: Nikhil Manjoo estudou psicologia, mas encontrou sua paixão na direção, inicialmente na atividade teatral e produção para TV, depois no cinema. Ganhou vários prêmios e medalhas de ouro em festivais nacionais e internacionais. É ator de cinema e recebeu várias premiações importantes em seu país. Trajetória do filme: participou da seleção oficial do 46º IFFI (International Filme Festival of India), um dos mais importantes festivais da Índia.

Ilha de Munroe (MundroThuruth)
Direção: Manu. 2015, 92 min, 12 anos. Região/Língua: Kerala/Malayalam. Adolescente rebelde, mas amoroso, Keshu e seu pai chegam à casa de seus ancestrais na Ilha de Munroe, onde o avô vive com Kathu, a empregada. O pai quer levar Keshu para um tratamento psicológico adequado, mas o avô, que está convencido de que seu filho está sempre errado, não suporta a ideia. Apesar das advertências graves, ele quer que seu neto fique na ilha para planejar seu futuro. O diretor: Manu atua no meio cinematográfico desde os tempos de escola. Formado em Filosofia, voltou-se para o jornalismo, trabalhando como editor, colunista e crítico de filmes em diferentes jornais e, posteriormente, no cinema como roteirista e assistente de documentários e filmes para TV. Trajetória do filme: participou da seleção oficial do IFFK (International Filme Festival of Kerala – 2016) e do Jio Mami (Mumbai International Film Festival), um dos festivais mais prestigiados do Índia. Recebeu o prêmio nacional de melhor filme no prestigiado Aravindam Memorial Award, e ainda o prêmio John Abraham Award, como melhor diretor estreante e melhor filme na língua malayalam.

Índia, my love story
Direção: Carina Bini. 2016, 23 min, livre. Região/Língua: Índia/Português. O filme é o making of do longa Ilha de Monroe. Narrado pela diretora, conta sua história de amor pela Índia e seu cinema, a convivência com o caos e as contradições do mundo, descobrindo enfim que a vida faz parte de uma grande ficção criada por cada um de nós. A diretora: Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (PR), atua na área de produção cultural e cinema há 15 anos. Foi para a Índia em 1997 estudar cinema no Pune Film Institute. Em 2011 realizou Laboratório de Roteiro, no Centro Sperimentale de Cinematografia (CSC), Roma, onde escreveu o roteiro do longa metragem La Mamma. É curadora e realizadora das principais mostras do cinema indiano realizadas no Brasil. É diretora geral do Festival Internacional Cinema e Transcendência que está em sua quarta edição em Brasília. Viveu na Índia de 2013 a 2016, quando aprofundou suas pesquisas acerca do cinema indiano.

Margarita com um canudo (Margarita with a straw)
Direção: Shonali Bose. 2014, 140 min, 16 anos. Região/Língua: Hindi/Inglês. Laila (Kalki Koechelin) é uma adolescente com paralisia cerebral que usa uma cadeira de rodas. Ela estuda na Universidade de Delhi e é uma aspirante a escritora que escreve poesias e cria sons eletrônicos para uma banda indie da universidade. Laila se apaixona pelo vocalista da banda e fica de coração partido quando é rejeitada. Depois, estudando em Nova York, ela conhece um jovem atraente chamado Jared (William Moseley), designado para ajudá-la na digitação. Ela também conhece a jovem ativista Khanum (Sayani Gupta), uma garota cega com descendência paquistanesa, por quem mais tarde se apaixona. Laila embarca em uma viagem de descoberta sexual. A diretora: Shonali cresceu em Bombaim e Delhi. Foi uma ativista desde estudante no Miranda House College. Obteve seu bacharelado em Artes pela Universidade de Delhi e mestrado em Ciências Políticas pela Columbia University, Nova York. Ela também se envolveu com teatro durante toda a escola e faculdade. A ativista Malini Chib é sua prima, com quem fez o filme de drama Margarita com um canudo (2014). Trajetória do filme: Prêmios: International Asian Film Premiere no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2014 (TIFF). Kalki Koechlin ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema Tallinn Black Nights, Estônia, 2014. O filme ganhou o prêmio do público e o prêmio do júri da juventude no Festival de Vesoul, na França em 2015. Ganhou os Prêmios de Cinema Asiático para o Melhor Compositor de 2015.

A menina e a coruja (Dau Huduni Methai)
Direção: Manju Bohra. 2015, 78 min, livre. Região/Língua: Assam/Bodo. Fatalidades e insurgências têm crescido a um número alarmante na região nordeste da Índia ao longo dos últimos 35 anos. Perto de 40 mil pessoas perderam suas vidas em distúrbios de violência comunal e de organizações militantes. E é neste contexto que o filme relata os efeitos da insurgência e contra-insurgência em pessoas comuns através da perspectiva de Raimali, uma jovem vítima de estupro. Em uma casa abandonada, ela recorda como separatistas marcaram sua vida, a de seu namorado e de suas famílias, contrastando sua natureza intrusiva com o folclore indígena e a imutabilidade da paisagem Assamese. A diretora: Nascida em Assam, no nordeste da Índia, Manju Borah explora em seus filmes a cultura de sua região e seu impacto na sociedade. O primeiro longa-metragem da diretora, Baibhab (“O golpe”, em Verso), foi lançado em 1999. O filme ganhou a Menção Especial no 47º Festival Nacional de Cinema, 2000, e foi nomeado o melhor filme na Ásia no 6º Dhaka International Film Festival, 2000. Ela também foi a ganhadora do prêmio Gollapudi Srinivas de Melhor Diretora Estreante em 1999. Seu filme mais recente é Dau Huduni methai (A menina e a coruja), selecionado para o Montreal World Film Festival de 2015. Foi ganhadora do Prêmio Mulheres de Excelência pela FICCI pela excepcional contribuição na área de Filmes & Empreendedorismo no ano de 2009. Trajetória do filme: participou da seleção oficial do 46º IFFI (International Filme Festival of India), um dos mais importantes festivais do país. Seleção Oficial do Festival de Montreal 2015.

Navio de Teseu (Ship of Theseus)
Direção: Anand Gandhi. 2013, 144 min, livre. Região/Língua: Mumbai/Hindi e Inglês. Se as partes de um navio são substituídas, pedaço por pedaço, esse ainda é o mesmo navio? Uma fotógrafa diferente lida com a perda de sua visão após um procedimento clínico; um monge erudito enfrenta um dilema ético frente à sua ideologia de vida e tem de escolher entre seus princípios e a morte; um jovem corretor da bolsa de valores, seguindo o rastro de um rim roubado, aprende como a moralidade pode ser complexa. Seguindo estes elementos isolados de suas viagens filosóficas, e sua eventual convergência, o Navio de Teseu explora questões de identidade, justiça, beleza, entendimento e morte. O diretor: A carreira de Anand Gandhi como roteirista começou em 2000 com o surgimento do gênero de telenovela na Índia. Ele escreveu o diálogo para os primeiros 82 episódios de um popular programa chamado Kyunki Saas Bhi Kabhi Bahu Thi. Pelo seu desgosto com a estética da televisão indiana, voltou-se para cinema e teatro. Seu primeiro longa-metragem, Navio de Teseu, ambientado no Cairo, Estocolmo e Mumbai estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2012, onde foi descoberto como a “joia escondida” da seleção de filmes do festival Mumbai naquele ano. Foi dada uma Menção Especial pelo Júri de Sutherland “por fazer cócegas no nosso intelecto e mostrar-nos as facetas raramente vistas da vida indiana”. O crítico Derek Malcolm o colocou na lista de “filmes que mudaram nossas vidas”, feitos para comemorar o centenário do Círculo de Críticos. Trajetória do filme: selecionado para a premiere do IFFI (International Film Festival of India) e foi premiado no National Film Awards como Melhor Filme do ano de 2013. Ganhou o Prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Transilvânia, Prêmio de Melhor Cinematografia no Festival Internacional de Cinema de Tóquio, Prêmio do Júri de Excelência Técnica no Festival de Cinema de Mumbai, Prêmio de Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema de Dubai.

O ovo do corvo (Kaaka Muttai)
Direção: M. Manikandan. 2014, 109 min, livre. Região/Língua: Tamil Nadu/Tamil. Quando uma pizzaria é aberta em um antigo parquinho, dois meninos pobres são consumidos pelo desejo de saborear este novo prato. Percebendo que uma pizza custa mais do que a renda mensal de sua família, eles planejam maneiras de ganhar mais dinheiro – começando inadvertidamente uma aventura que irá envolver toda a cidade. O diretor: M. Manikandan é cineasta, escritor e diretor que trabalha em Tamil. Ele começou a carreira como assistente de fotografia. Fez sua estreia na direção com o curta-metragem Vento (2010), depois em longa-metragem com Kaaka Muttai, que ganhou o Prêmio Nacional de Cinema de Melhor Filme Infantil em 2015. Trajetória do filme: National Film Award 2015: Melhor Filme Infantil e Melhor Ator Mirim; Filmfare Award para Melhor Filme na língua Tamil; Seleção Oficial do Festival de Toronto – 2015. Distribuição Internacional da Fox Films India.

Pink
Direção: Aniruddha Roy Chowdhury. 2016, 136 min, 14 anos. Região/Língua: Hindi. O filme aborda a questão do machismo e de como os homens e a sociedade selecionam e rotulam as mulheres com base em suas roupas ou origem étnica. Uma mulher foi agredida sexualmente, mas acaba sendo julgada por tentativa de homicídio do estuprador. Está na hora de questionar a cultura do estupro na Índia. O diretor: Aniruddha Roy “Tony” Chowdhury é um cineasta do estado de Bangala, nordeste da Índia, e produziu e dirigiu dois filmes importantes de lá: Antaheen e Anuranan. Para a indústria de Bollywood, dirigiu os longas: Aparajita Tumi (2012), Buno Haansh (2014) e Pink (2016), seu mais recente trabalho. Trajetória do filme: o longa foi especialmente selecionado para a polícia do Rajastão, a fim de deixá-la mais sensíveis quanto os direitos das mulheres. O filme também foi convidado para uma exibição especial na sede da ONU em Nova York. Prêmios: Star Screen Awards, Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diálogo, Melhor Edição. Stardust Awards.

Projecionista (Cinemawala)
Direção: Kaushik Ganguly. 2015, 105 min, livre. Região/Língua: Bangala/ Bengali. Um projecionista de filmes aposentado se esforça para evitar que seu cinema seja demolido. O tema do filme é um tributo às salas individuais de cinema com projeção em película que estão rapidamente se tornando raras na Índia, ultrapassadas pelo avanço da tecnologia digital. O diretor: Kaushik Ganguly é diretor, roteirista e ator do Cinema de Bengali. Ele é conhecido por abordar temas de sexualidade, como relacionamentos lésbico e transexuais. Ganhou o prêmio de melhor diretor no 44º Festival Internacional de Cinema da Índia. Trajetória do filme: Participou de vários festivais indianos e da Seleção oficial para o Festival Internacional de Cinema da Índia.

Punhalada no coração (Katyar Kaljat Ghusali)
Direção: Subodh Bhave. 2015, 161 min, livre. Região/Língua: Maharashtra/Marathi. Por que a garganta está localizada equidistante entre o cérebro e o coração? O que levou a Providência a colocar a voz entre o intelecto e a emoção? Este musical tenta explorar exatamente o tema do ego, através da história do cantor Sadashiv e seus dois gurus, Panditji e Khasaheb. O diretor: Subodh Bhave tem uma longa carreira com filmes, seriados, cinema, filmes comerciais, teatro e documentários. Ganhou sete prêmios e 15 indicações. Trajetória do filme: participou da seleção oficial do 46º IFFI (International Filme Festival of India), um dos mais importantes festivais do país. Distribuição Nacional com bilheteria de US$ 5,9 milhões.

Que assim seja (Astu)
Direção: Sumitra Bhave e Sunil Sukhtankar. 2014, 135 min, livre. Região/Língua: Maharashtra/Marathi. O filme traz o relacionamento entre pai e filha, quando o pai, um doutor em sânscrito aposentado, que sofre de Alzheimer, desaparece e é encontrado por um casal andarilho que cuida de um elefante, e passa a viver o seu momento a cada dia. Os diretores Sumitra Bhave a Sunil Sukhtankar formam uma dupla do cinema marathi, proveniente do estado do Maharashtra, também representantes do cinema autoral e seus filmes sempre trazem uma temática social de impacto. Esse filme premiado, traz como temática o alzheimer, inspirado numa experiência de vida real vivida pelo protagonista do filme. Trajetória do filme: Melhor Roteiro, Diálogo e Melhor Atriz Coadjuvante no 61º National Film Awards 2014, mais importante prêmio do cinema indiano.

Sopro dos deuses (Breath of the gods)
Direção: Jan Schmidt-Garre. 2012, 105 min, livre. Região/Língua: Inglês. Um documentário de longa-metragem incluindo raras imagens históricas, bem como grandes reencenações. A yoga moderna, a forma praticada diariamente por milhões de pessoas ao redor do mundo, volta diretamente ao Senhor Shiva de acordo com a tradição indiana. Originou-se no início do século 20, uma criação do sábio indiano T. Krishnamacharya (1888-1989). Essa história é muito menos conhecida e é disso que se trata este filme. O diretor: O cineasta Jan Schmidt-Garre estudou filosofia e também direção de cinema em Munique entre 1984 a 1988. Durante esse período trabalhou como estagiário e assistente de direção no Festival de Salzburgo, no Festival de Bayreuth, no Metropolitan Opera de Nova Iorque e em A Ópera de Dresden. Em 1988 fundou a Pars Media, uma produtora cujos filmes, documentários e longas-metragens voltados para música e artes, receberam aclamação internacional e prêmios em festivais como o de Chicago, Paris, Monte Carlo, Columbus, Munique e Praga, além de uma indicação ao Prêmio Alemão de Cinema.

PROGRAMAÇÃO:

20 de junho (terça-feira)
19h30: apresentação de música clássica indiana Hindustani com o duo Shabda Rasa (SP)
20h: Armadilha (Ottaal) – Direção: Jayaraj, 2015, 81 min, 12 anos

21 de junho (quarta-feira)
17h: “Aulão” de yoga
18h15: Meditação ao pôr do sol com canto Milenar Drupad com Ricardo Passos
18h45: apresentação de música clássica indiana Hindustani com o duo Shabda Rasa (SP)
20h: Sopro dos deuses (Breath of the gods) – Direção: Jan Schmidt-Garre, 2012, 105 min, livre

22 de junho (quinta-feira)
16h: Navio de Teseu (Ship of Theseus) – Direção: Anand Gandhi, 2013, 144 min, livre
19h: Punhalada no coração (Katyar Kaljat Ghusali) – Direção: Subodh Bhave, 2015, 161 min, livre

24 de junho (sábado)
15h: Armadilha (Ottaal) – Direção: Jayaraj, 2015, 81 min, 12 anos
17h: Margarita com um canudo (Margarita with a straw) – Direção: Shonali Bose, 2014, 140 min, 16 anos
20h: O fabricante de caixão (The coffin maker) – Direção: Veena Bakshi, 2013, 123 min, livre

25 de junho (domingo)
15h: Água (Jal), de Girish Malik, 2014, 136 min, livre
17h40: O ovo do corvo (Kaaka Muttai) – Direção: M. Manikandan, 2014, 109 min, livre
20h: Projecionista (Cinemawala) – Direção: Kaushik Ganguly, 2015, 105 min, livre

27 de junho (terça-feira)
17h30: Geregalu – Direção: Nikhil Manjoo, 2015, 90 min, livre
19h30: Punhalada no coração (Katyar Kaljat Ghusali) – Direção: Subodh Bhave, 2015, 161 min, livre

28 de junho (quarta-feira)
17h30: A menina e a coruja (Dau Huduni Methai) – Direção: Manju Bohra, 2015, 78 min, livre
19h30: Apur Panchali – Direção: Kaushik Ganguli, 2013, 87 min, 12 anos

29 de junho (quinta-feira)
15h: O fabricante de caixão (The coffin maker) – Direção: Veena Bakshi, 2013, 123 min, livre
17h30: O ovo do corvo (Kaaka Muttai) – Direção: M. Manikandan, 2014, 109 min, livre
19h30: Debate: Cinema autoral x cinema comercial – com o jornalista Ulisses de Freitas, o professor de Comunicação Pablo Gonçalo e mediação da curadora Carina Bini

30 de junho (sexta-feira)
17h30: Ilha de Munroe (MundroThuruth) – Direção: Manu, 2015, 92 min, 12 anos
19h30: Que assim seja (Astu) – Direção: Sumitra Bhave e Sunil Sukhtankar, 2014, 135 min, livre

1ª de julho (sábado)
15h30: Armadilha (Ottaal) – Direção: Jayaraj, 2015, 81 min, 12 anos
17h30: Apresentação de dança clássica do sul da Índia (no cinema), com grupo da Escola Natyalaya (SP)
19h: O ovo do corvo (Kaaka Muttai) – Direção: M. Manikandan. 2014, 109 min, livre

2 de julho (sábado)
15h: Geregalu – Direção: Nikhil Manjoo, 2015, 90 min, livre
16h40: Apresentação de dança folclórica indiana (no foyer) com Grupo​ Bollywood
18h: Navio de Teseu (Ship of Theseus) – Direção: Anand Gandhi, 2013, 144 min, livre

4 de julho (terça-feira)
17h: Pink – Direção: Aniruddha Roy Chowdhury, 2016, 136 min, 14 anos
20h: Água (Jal), de Girish Malik, 2014, 136 min, livre

6 de julho (quinta-feira)
17h: Projecionista (Cinemawala) – Direção: Kaushik Ganguly, 2015, 105 min, livre
19h30: Debate: O papel da mulher no cinema indiano – com a jornalista Yale Gontijo, a pesquisadora Marina Costin e mediação da curadora Carina Bini

7 de julho (sexta-feira)
17h: Apur Panchali – Direção: Kaushik Ganguli, 2013, 87 min, 12 anos
19h: Apresentação de música clássica indiana Hindustani com André Luiz Oliveira (sitar) e Marcelo Das (tabla)
19h30: Punhalada no coração (Katyar Kaljat Ghusali) – Direção: Subodh Bhave, 2015, 161 min, livre

8 de julho (sábado)
15h: A menina e a coruja (Dau Huduni Methai) – Direção: Manju Bohra, 2015, 78 min, livre
17h: O fabricante de caixão (The coffin maker) – Direção: Veena Bakshi, 2013, 123 min, livre
19h30: Que assim seja (Astu) – Direção: Sumitra Bhave e Sunil Sukhtankar, 2014, 135 min, livre

9 de julho (domingo)
15h: Pink – Direção: Aniruddha Roy Chowdhury, 2016, 136 min, 14 anos
17h30: Margarita com um canudo (Margarita with a straw) – Direção: Shonali Bose, 2014, 140 min, 16 anos
20h: Índia, my love story – Direção: Carina Bini, 2016, 23 min, livre + Ilha de Munroe (MundroThuruth) – Direção: Manu, 2015, 92 min, 12 anos

SERVIÇO

MOSTRA NOVO CINEMA INDIANO
Cinema do CCBB Brasília (SCES Trecho 2)
De 20 de junho a 9 de julho (com exceção de 23 de junho e 5 de julho), de terça a domingo, com sessões a partir das 15h

Entrada: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Ingressos para o cinema são vendidos apenas na bilheteria, no dia da sessão. Horário de funcionamento da bilheteria do CCBB: de terça a domingo, das 13h às 21h. Informações: (61) 3108-7600).

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