A Caixa-Preta de Celso Brandão fica em cartaz até maio

Foto: Divulgação

São 66 anos de histórias, de memórias registradas por suas lentes únicas. Lentes de quem vê o povo, a cultura popular com todas as suas nuances, dores e simplicidade daqueles que lutam para sobreviver no Brasil. Um registro das terrinhas alagoanas, do sertão e de todo o país. Considerado hoje um dos mais aclamados fotógrafos brasileiros, Celso Brandão vai mostrar, pela primeira vez no Brasil, sua pesquisa de anos que deu origem à exposição e livro Caixa-Preta. Após a estreia na Maison Européenne de la Photographie, em 2016, na cidade de Paris (França), a capital federal irá receber a exposição.

De 22 de março a 14 de maio, os brasilienses poderão conferir 56 retratos que revelam a essência do povo que caminha por nossos sertões afora. A mostra, que contém 17 obras inéditas que não foram expostas na França, tem visitação sempre de terça-feira a domingo, das 9h às 21h, na Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul Quadra 4 Lotes 3 / 4). A entrada é franca.Caixa-Preta – Celso Brandão tem o patrocínio da Caixa e do Governo Federal. A curadoria é de Miguel Rio Branco. Coordenação de Fábio Settimi e produção de Rodrigo Andrade e Lucas Lins, da empresa R&L Produtores Associados.

Peculiaridades nas lentes

Na Caixa-Preta de Brandão, a poesia se exala nas fotos. Os cliques migram pelo interior de Alagoas e registram suas peculiaridades. São índios, negros, brancos, expressões marcantes, realistas e intensas, cultura e crenças populares reveladas com a intensidade dramática, porém não menos realista deste artista que joga com luzes e sombras e colore no preto e no branco. Afinal, o fotógrafo sempre se interessou pelos desamparados, pela dor do povo, pela energia e imaginação que transcende. Nas imagens de Celso, ele dá forma a um mundo que também o forma em troca. Por isto, escolheu o preto e branco como registro destas fotos, que falam por si só e apresentam uma função dramática e dialética.

“O preto e branco é, sem dúvida, a genuína natureza da captação fotográfica, a que mais incisivamente decodifica a realidade que nos cerca. Já o título (Caixa-Preta) surgiu por estar resgatando dados de uma determinada trajetória, como de uma caixa-preta de avião, encontrada no abismo do esquecimento”, revela Celso Brandão.

Embora o material desta caixa-preta seja exposto agora, a pesquisa do artista começou em 1990, quando ele percorria Alagoas e seus interiores e registrava mercados, ruas, festas religiosas e blocos carnavalescos em um resultado que deu origem a sua fotografia humanista. “Mesmo tendo estudado em colégios católicos de elite, sempre me interessei pelo modo de ser da maioria da população, tentando praticar uma fotografia humanista, voltada para os costumes e identidades locais”, conta o fotógrafo.A exposição será acompanhada por uma publicação inédita, que compila textos críticos e imagens expostas.

Celso Brandão

Nascido em 1951, na cidade de Maceió, Celso Brandão é fotógrafo e cineasta. Alguns dos seus trabalhos pertencem hoje à Coleção Pirelli, de 1996. Desde pequeno Celso se interessou pela arte, pela pintura e chegava a passar o dia inteiro brincando com barro. Queria fazer teatro, mas na época não havia aula na região. Criava então histórias com fantoches. Do pai, ele herdou a essência nômada e, da mãe, a veia artística.

O amor pela arte sempre esteve presente na vida do alagoano Celso Brandão, de 66 anos. Ainda criança, Celso se interessou pelo povo, índios, negros, excluídos socialmente – não à toa, diz que em suas veias corre sangue indígena – pela mitologia e cultura que clama nos interiores de sua terra e das diversidades dos Brasis. Vendo sua vocação para arte, seu pai lhe deu uma câmera fotográfica aos 13 anos de idade. E Celso nunca mais parou de registrar a essência da cultura popular tupiniquim.

Além de fotógrafo, Brandão também se aprumou nas lentes das câmeras do cinema. Cineasta e documentarista, fez filmes como o seu primeiro e premiado documentário Reflexos, sobre a Lagoa Manguaba, em Alagoas. A produção ganhou primeiro lugar no Festival de Cinema de Penedo. O filme foi rodado com uma câmera Super 8 emprestada por uma amiga. Assina ainda como diretor Filé de Pombal da Barra, Mandioca da Terra à Mesa, Benedito: O Santeiro, Dede Mamata, Ponto das Ervas, A Singeleza da Singeleza , A Casa de Santo, Memória da Vida e do Trabalho (1ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico) Chão de Casa, Mestra Hilda, Mestre Benon, o Treme Terra, este dele e de Nicolle Freire, O Lambe-Sola, as opiniões de Celso Brandão sobre o popular poeta Antonio Aurélio de Morais.

Serviço

Data: de 22 de março a 14 de maio
Hora: de terça a domingo, das 9h às 21h
Local: Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul Quadra 4 Lotes 3 /4)
Informações: (61) 3206-9448
Entrada franca
Classificação indicativa livre

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