3ª Bienal do Livro: Contagem regressiva para respirar literatura

Larissa Galli
cultura@jornaldebrasilia.com.br

A Bienal do Livro e da Leitura de Brasília chega a sua terceira edição este ano. A partir desta sexta-feira, o Estádio Nacional Mané Garrincha recebe atividades gratuitas voltadas para a literatura, como lançamento de livros, contação de histórias e sessões de autógrafos, além de apresentações teatrais e show musicais.

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De acordo com o diretor-geral e curador do evento, Nilson Rodrigues, o foco desta edição tem ligação direta com as discussões mais atuais do contexto social e político em que vivemos. O deslocamento de populações e a tragédia dos refugiados, intolerância, afetividade, gênero, meio ambiente, vida urbana e tecnologias digitais são alguns dos temas das mesas de debate, seminários, palestras e lançamentos de livros. “É sobre isso que os autores estão escrevendo atualmente”, pontua.

Em suas duas edições anteriores, em 2012 e 2014, a Bienal de Brasília movimentou R$ 16 milhões com a comercialização de mais de 785 mil livros. Passaram pelos corredores, auditórios e estandes do evento, em cada ano, mais de 300 mil visitantes e 70 mil estudantes da rede pública de ensino.

Este ano, os organizadores preparam atividades com cerca de 120 escritores convidados, 100 sessões de autógrafos e lançamentos de livros, 80 sessões de contação de histórias, 40 apresentações teatrais e 10 shows musicais de artistas nacionais e do Distrito Federal. A apresentação de abertura fica a cargo de Arnaldo Antunes, que sobe ao palco da Bienal nesta sexta, às 22h.

Homenagens

Duas personalidades do cenário literário vão estar presentes este ano para receber homenagens e participar de encontros com a plateia. O escritor internacional escolhido é o pensador português Boaventura de Sousa Santos, referência mundial no campo da Ciência Social. Das terras tupiniquins, recebe homenagem a poetisa Adélia Prado, por sua escrita feminina sobre a vida cotidiana, cuja cerimônia acontece na noite de abertura, às 20h, no Auditório Nelson Rodrigues, seguida de uma palestra com a autora.

Boaventura é mais conhecido como sociólogo, com livros publicados em várias línguas. Além disso, também é poeta e possui dez livros publicados, alguns deles no Brasil. Na Bienal, ele lança a obra seu livro A Difícil Democracia – Reinventar as Esquerdas (Editora Boitempo). “Gostaria que o livro animasse debates entre os cidadãos e cidadãs, entre organizações e movimentos sociais interessados em defender a democracia brasileira”, destaca Boaventura, em entrevista ao JBr.

Segundo o pensador português, o desafio do cenário literário atual é “continuar a lutar por uma cultura diversa e democrática na qual os livros sejam um componente essencial”. Sobre a homenagem, ele considera “uma grande honra. Um reconhecimento que muito me satisfaz pelo trabalho científico que tenho realizado, comprometido com as lutas sociais dos que sofrem a exclusão social, a discriminação racial e sexual”.

A cerimônia acontece no dia 27, às 21h, também no Auditório Nelson Rodrigues. Já o lançamento do livro de Boaventura vai ser no dia 29, às 19h, seguido de debate e sessão de autógrafos, no Auditório Machado de Assis.

Time de peso

Também estão confirmadas as presenças de autores como a mexicana Guadalupe Nettel, o inglês Theodore Dalrymple, a portuguesa Raquel Varela e o norte-americano Glenn Greenwald (que junto com Edward Snowden, revelou ao mundo a existência de um programa de vigilância global dos Estados Unidos). Entre os nomes nacionais estão Renato Janine Ribeiro, Leandro Karnal, Marcia Tiburi, Viviane Mosé e Fernando Moraes.

A escritora Lisa Alves espera ansiosa por esta edição da Bienal candanga. Nela, lança Arame Farpado, livro de poesias que marca sua estreia no mundo literário. A brasiliense começou escrevendo em blogs na internet e já teve poemas publicados em sete antologias poéticas no Brasil, Argentina e País Basco. Adepta da literatura ativista, Lisa acredita que “fazer literatura dentro de um sistema que instiga as pessoas a darem mais valor ao mercado, ao lucro, já é por si só um ativismo”.

Os poemas que integram o lançamento falam sobre as barreiras físicas e psicológicas do mundo atual. “Arame Farpado são os limites territoriais, as fronteiras culturais, a desigualdade que nos cerca, o preconceito que mata e que mantém as pessoas em cárceres físicos e mentais”, explica a autora. O lançamento da obra está marcado para o dia 27, às 18h30, na Banca 308.

Serviço:

III Bienal do Livro e da Leitura
De sexta a 30 de outubro.
No Estádio Nacional Mané Garrincha (Eixo Monumental). Entrada franca. Informações e programação completa: bienalbrasildolivro.com.br. Classificação indicativa varia de acordo com a atração.

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