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Cidades

Sob a inspiração de Drummond, biblioteca da Ceilândia guarda maior acervo entre as unidades públicas

“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer”. O pensamento de Carlos Drummond de Andrade, poeta que batiza a Biblioteca Pública da Ceilândia, é um convite para conhecer a unidade pública com o maior acervo e espaço físico entre as bibliotecas públicas do Distrito Federal. O local recebe, em média, 4724 leitores por mês, entre alunos da rede pública e outros leitores que se preparam para concursos, vestibulares e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O espaço oferece o acervo 100% informatizado, com cerca de 53 mil livros, sendo boa parte doações feitas pela comunidade e outras regiões administrativas. “A administração não possui verba específica para a compra de acervo”, afirmou Márcia Magalhães, professora do Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e funcionária da biblioteca.

A manutenção do prédio é de competência da Administração Regional de Ceilândia, porém os recursos destinados ao espaço são insuficientes para a manutenção. A professora Márcia explicou, porém, que há desafios na manutenção do espaço. “Estamos com um problema sério de infiltração no telhado. O gesso está cedendo e possui buracos, as lâmpadas estão queimadas e precisam ser trocadas, mas estamos dependendo de andaimes. Os próprios leitores por gostarem do ambiente, doaram as lâmpadas, mas estamos esperando um andaime para fazer o trabalho.”

A voz dos leitores

A estudante Poliana Siqueira, 27 anos, considera a Biblioteca de Ceilândia Carlos Drummond de Andrade, a sua “segunda casa”. Ela se prepara para concursos neste momento e explica que a convivência com outras pessoas, a riqueza de conteúdo e cultura tornam o lugar importante e essencial para a vida dela. “Temos um ambiente acolhedor, com eventos voltados para cultura, nos quais já participei. Há um convívio de colegas,  a sensação é como se estivéssemos na escola.”

A estudante relatou que já realizaram abaixo-assinado para a melhoria de alguns pontos, apesar de perceberem que os funcionários fazem o possível com o que é disposto a eles. “Eu vejo que as pessoas que estão aqui tentam fazer o melhor e o possível com os recursos dispostos e com o que está ao alcance, são todos solícitos e atendem bem”. Poliana Siqueira nunca frequentou outra biblioteca pública do Distrito Federal, mas conhece pessoas que já frequentaram e afirmaram preferir a da Ceilândia.

O estudante José Mailton da Silva, 26 anos, também estuda para concursos na Biblioteca Pública da Ceilândia. Na visão dele, o projeto favorece a educação e estimula a cultura, por meio de palestras, movimentos e os recursos oferecidos para a aquisição de conhecimento. José relata que os funcionários do local são capacitados para cuidar do ambiente. “Os funcionários aqui são muito bem capacitados para lidar com as demandas do público e também quanto a atenção que dão ao acervo e o cuidado com os alunos e os equipamentos.”

As sugestões de melhorias na Biblioteca Pública da Ceilândia apresentadas pelos estudantes, José Mailton e Poliana Siqueira, consistem em aumentar o número de tomadas e implementar internet fora da sala de informática, pois ajudaria a complementar a pesquisa dos leitores, não sendo necessário o deslocamento para a sala de informática. A melhora na ventilação do ambiente também foi sugerida, pois em períodos muito quentes, torna-se sufocante ficar em alguns locais. Outro ambiente disponibilizado para os leitores é a copa, que segundo os alunos poderia ser maior. “A copa (Café Drummond) dos estudantes, que é o local onde fazemos as refeições poderia ser maior, pois há uma demanda muito grande de pessoas e às vezes precisam sair na pressa”, relatou Poliana Siqueira.

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26 Bibliotecas Públicas no Distrito Federal

O Distrito Federal dispõe de 26 bibliotecas públicas, sendo a Biblioteca Nacional de Brasília e a Biblioteca Pública de Brasília pertencentes à Secretaria de Cultura e Economia Criativa  do Distrito Federal (Secec). As demais são conduzidas pelas regiões administrativas e recebem suporte da SEEDF e da Secec. Os principais desafios para a manutenção dos projetos são orçamento, equipe qualificada e conservação predial. A Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal (SECULT) explicou que a atual gestão está em busca de soluções alternativas para o corte de gastos, como parcerias, emendas parlamentares e convênios.

A Secretaria de Cultura informou que houve reformas e investimentos na área. “Informamos, que ainda no ano passado foi realizada a reforma e a troca de todo o mobiliário da Biblioteca Pública de Brasília. Foi investido também em acervo para o Programa Mala do Livro, Biblioteca Pública de Brasília e Biblioteca Nacional. O investimento total foi de quase um milhão de reais”. As bibliotecas do Paranoá e do Cruzeiro foram encontradas em situações precárias e estão fechadas para reforma predial.

Por Ana Luísa França
Jornal de Brasília / Agência de Notícias UniCEUB

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