Preços em disparada. Gás de cozinha sobe acima da inflação

No DF, botijão já custa a média de R$ 68,76, sete reais acima da nacional. Foto: Myke Sena

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

A nova política de preços da Petrobrás, em vigor desde junho, fez o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o popular gás de cozinha, aumentar acima da inflação em 2017. No acumulado entre janeiro e os primeiros dias de novembro deste ano, o preço subiu mais de 10% no País, saltando de uma média de R$ 55,61 para R$ 61,63, conforme a tabela da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O último reajuste, de 4,5% sobre o valor cobrado nas refinarias, entrou em vigor no último domingo.

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No DF, o botijão custa R$ 68,76, preço acima da média nacional, o que tem feito muitos revendedores do produto encerrarem as atividades. A diretora da Associação Brasiliense das Empresas de Gás (Abrasgas), Cyntia Moura Santo, não levantou o número exato até o fechamento desta edição, mas assegura que a realidade preocupa. “Entre maio e outubro de 2017, houve mais lojas fechadas do que nos últimos dois anos”, alerta.

Ela critica as notas da Petrobrás sobre os reajustes, pois a empresa estatal teria o costume de não informar o valor real a ser repassado ao consumidor final. “São genéricas e pouco transparentes. Eles anunciam reajuste de 4,5%, por exemplo, e dizem que vai impactar R$ 1 real no preço final. Mas o reajuste é no preço de distribuição e sobre isso recaem impostos. Nunca dá para repassar apenas o que a Petrobras anuncia”, dispara.

Segundo ela, isso favoreceu os revendedores clandestinos e irregulares, que vendem os botijões diretamente e sem autorização. “Esse tipo de comércio coloca em risco o patrimônio e a vida das pessoas. Não há como atestar a qualidade do produto e não há respaldo em caso de sinistro”, previne.

Cyntia reclama da ANP, órgão fiscalizador, pois a agência teria lavado as mãos após denúncias da Abrasgas, e dispara até contra a Agência de Fiscalização do DF (Agefis), que também faria vistas grossas. Em nota, a ANP se justificou ao dizer que “não detém o poder da polícia“ e, portanto, só pode agir junto a estabelecimentos regularizados. A Agefis, por sua vez, rebateu a crítica e garantiu fiscalizar estabelecimentos “cotidianamente”, podendo aplicar multa de até R$ 3,1 mil contra o infrator.

Empresas sofrem cerco

Wellington Marques, 61 anos, é dono de uma revendedora de GLP no Cruzeiro Novo há 20 anos. Ele alega que os negócios nunca estiveram tão complicados e culpa tanto a política de preços da Petrobrás como a falta de fiscalização dos órgãos competentes.

“Quando há reajustes, os clientes buscam alternativas, principalmente relacionadas com uso da eletricidade. A energia subiu bem menos do que o gás”, reclama. Segundo Marques, no início do ano ele vendia o botijão de 13kg por cerca de R$ 50, bem menos que os atuais R$ 75. “Os preços para comprar das distribuidoras vão aumentando e a nossa margem de lucro vai se achatando”, resume.

Para revendedores como Wellington, o preço de compra saltou de uma média de R$ 39,57 em janeiro deste ano para R$ 44,43, registrados pela ANP neste início de novembro. O empresário afirma que as variações têm acontecido tanto, que muitas vezes precisa absorver o impacto e não repassar todos ao consumidor. Com o comércio informal proliferando em sua região, teve de cortar ainda mais.

A justificativa da Petrobrás para a nova política é ficar em sintonia com o mercado internacional. Para justificar o aumento do último domingo, a empresa divulgou, por meio de nota, que a “conjuntura externa” e a “variação de câmbio” contribuíram.

Saiba mais

  • Os reajustes anunciados desde junho são válidos apenas para o GLP de até 13kg, de uso residencial. Os produtos desse tipo com propósito comercial ou industrial não foram afetados.
  • A Petrobrás estima que o impacto no preço final do GLP de 13kg será, em média, de R$ 1,21 por botijão, se mantidas as margens de distribuição e de revenda e as alíquotas de tributos.
  • Setembro foi um dos meses mais movimentados, com dois reajustes. Um de 2,2% e outro de 6,9%.
  • Entre novembro de 2015 e novembro de 2016, o preço médio do GLP sofreu reajuste pequeno, passando de R$ 54,21 para R$ 55,61. Isso foi antes da nova política de preços.
  • Em Brasília, o preço máximo constatado pela ANP na revenda de botijões de 13kg foi de R$ 75. Mas existem revendedoras com preços maiores devido a taxas de entrega aplicadas.

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