Paralisação dos rodoviários causa confusão na volta para casa

Ary Filgueira, Luís Nova e Bárbara Fragoso
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Publicidade

O brasiliense que depende de transporte público saiu para o trabalho sem saber o caos que encontraria na volta para casa. Por volta das 12h30, rodoviários das empresas Pioneira, Urbi e Marechal decidiram cruzar os braços pelo mesmo motivo que tem afetado o serviço nos últimos meses: falta de pagamento. Ao longo da tarde, funcionários da Piracibana e São José também inciaram uma paralisação, deixando o setor ainda mais desabastecido. Mas os trabalhadores destas últimas empresas retornaram depois do depósito do salário.

O DFTrans estima que 650 mil passageiros ficaram prejudicados pela paralisação. A viação Pioneira circula nas cidades de Santa Maria, Gama, Park Way, Candangolândia, Itapoã, Paranoá, São Sebastião e Varjão. Já a Marechal atende ao P Sul, em Ceilândia; Taguatinga, Guará, Samambaia e Recanto das Emas. A Urbi Mobilidade Urbana, por sua vez, faz o trajeto para Samambaia e Recanto das Emas.

Passagem a R$ 5
A confusão maior ocorreu na Rodoviária do Plano Piloto e com passageiros de São Sebastião e Paranoá. Centenas de pessoas se espremiam na porta dos ônibus piratas para conseguir embarcar. O donos de ônibus clandestinos cobravam até R$ 5 de passagem. A pirataria estava tão livre que os veículos estacionavam nas baias de onde saem os ônibus convencionais.

PM intervém
Os motoristas das empresas regulares – que haviam retornado ao trabalho – tinham dificuldade para sair. Eram vans e ônibus clandestinos disputando palmo a palmo os usuários angustiados para conseguir voltar para casa. Um ônibus de Formosa (GO) estacionou na baia e só saiu com a lotação esgotada.

Foi preciso a intervenção da polícia para “organizar” o transporte pirata. Quatro policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar acabaram com o tumulto na porta dos ônibus irregulares. “Só entra até aqui. Pode ir, motorista. Arranca!”, ordenava o policial. O posto do DFTrans na Rodoviária estava fechado às 18h.

Disputa por vaga em piratas

Com o filho de três anos nos braços, a empregada doméstica Ednalva Maria do Nascimento, 39 anos, não conseguiu competir com as outras pessoas para conseguir um lugar em ônibus pirata. Moradora do Itapoã, ela lamentava o descaso. “Esse governo foi uma catástrofe”, disse.

No início da noite, os usuários de São Sebastião e Paranoá ameaçaram a fechar o Eixo Rodoviário em protesto à falta de ônibus e colocar fogo em alguns coletivos. Mas recuaram após a chegada da polícia. Mesmo assim, a situação continuou tensa devido à falta de ônibus. Os passageiros chegavam a discutir com donos de transporte pirata devido à lotação.

Sem expresso
Moradores da região do Gama e de Santa Maria também ficaram sem transporte na volta para casa. O vigilante Jonas Augusto de Mendonça, 35 anos, queria voltar para Santa Maria, mas, sem ônibus, não sabia como poderia chegar em casa.

“Eu pensei em pegar o Expresso DF, para chegar mais rápido. Porém, chego aqui e vejo a baia vazia. Com volto para casa agora?”, questionava.

Manifestantes fecham a Epia

O caos instalado na Rodoviária do Plano Piloto se estendeu para outro ponto do Distrito Federal: a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) Sul. Ali, passageiros protestaram no início da noite de ontem, contra a falta de ônibus. A rodovia ficou fechada, causando grande engarrafamento, que também tomou outras vias das proximidades. Somente por volta das 19h30, a passagem dos carros foi liberada e o tráfego começou a ser retomado, ainda que com lentidão.

O motorista Marcos Aurélio Rodrigues, 35 anos, foi um dos manifestantes que compuseram o grupo de pessoas que reivindicavam. “Ficamos debaixo da passarela (perto do Park Way) e desligamos os carros. A manifestação é para ajudar a acabar com os problemas que enfrentamos. Afinal, não tem ônibus suficientes para a população”, justifica Marcos.

Segundo ele, moradores do Gama e de Santa Maria não conseguiam ir embora. “Quando cheguei, às 17h40, não tinha ônibus nem para os meus colegas de Goiás irem para casa”, conta.

Tumulto
O vendedor de espetinhos Warley de Souza, 40 anos, presenciou policiais colocando vários passageiros dentro dos coletivos que apareciam. “Os ônibus estavam sem a identificação do destino e as pessoas não precisaram pagar passagem. Foi um tumulto”, ressalta. Segundo ele, o desrespeito com a sociedade é evidente. “Se temos que pagar os impostos, não é justo ficarmos sem ônibus”, acrescenta.

Dias antes…
Na BR-040, altura de Santa Maria, outro protesto bloqueou a via na última terça-feira. O protesto também era relativo ao transporte público, mas se tratava das queixas sobre o Expresso DF. Foram cerca de quatro horas de interdição, durante a manhã.

Por causa da insatisfação dos passageiros, o sistema de integração foi suspenso e linhas antigas, que dispensam o uso de vários ônibus em uma única viagem, foram reativadas.

Cadastre-se para receber as notícias do Jornal de Brasília.

COMPARTILHAR