Siga o Jornal de Brasília

Cidades

No DF, companhia área embarca adolescente em voo errado

Virginia Freitas
Especial para o Jornal de Brasília

Um garoto de 13 anos embarcou em um avião de Brasília (DF), com destino seria Florianópolis (SC), porém, por uma sucessão de erros cometidos pela companhia área, Luís Eduardo Costa chegou em Porto Alegre (RS), 500 km de distância do destino original. O extravio, assim descrito pelo pai, aconteceu no último dia 9. A família está indignada com a situação e cobrou explicações da empresa aérea Avianca.

Luís Eduardo mora com a mãe em Florianópolis. Após passar as férias na casa do pai, em Brasília, o adolescente deveria retornar a Santa Catarina. Eduardo Gontijo, pai do menino, conta que acompanhou o filho até onde era possível e a partir desse momento ele ficou sob responsabilidade da companhia aérea.

“Eles tiveram quatro oportunidades de identificar que o meu filho não estava na aeronave e não identificaram. Podia ter acontecido com uma criança menor, com um idoso, com uma pessoa que tem alguma deficiência”, relata o empresário. O garoto só percebeu o engano quando desembarcou em um aeroporto que não conhecia e imediatamente telefonou para o pai.

“Fui fazer o check-in dele no balcão, despachei uma mala e solicitei o acompanhamento. Eles pegaram  aquela pulseirinha vermelha e eu o deixei nas poltronas destinadas às pessoas que necessitam de acompanhamento. Conversei com o funcionário e ressaltei que ele iria para a Florianópolis”, afirma Gontijo.

Em Florianópolis, a jornalista Elisa Nogueira aguardava a chegada do filho. Ao perceber que o menino não havia desembarcado do avião, entrou em desespero. “Ele mandou mensagem quando decolou e avisou quando o avião pousou no aeroporto. Saiu todo mundo do voo e ele não saia e eu comecei a ficar super preocupada. Quando eu vi que ele realmente não saiu fiquei desesperada. Depois ele me avisou já chorando muito: ‘mãe estou em Porto Alegre'”, acrescenta a mulher.

Após falar com o filho, Elisa foi ao balcão da companhia aérea questionar o que tinha ocorrido. “A moça no balcão da Avianca disse que isso nunca tinha acontecido e perguntou: ‘porque ele não prestou atenção’ jogando a culpa no menino. O Luís Eduardo é um garoto, ele é muito inocente, ele confiou totalmente no funcionário da companhia aérea que estava responsável por acompanhá-lo. Não havia nenhum registro, fico pensando se tivesse acontecido alguma coisa com esse voo, eu nunca saberia o que teria acontecido com o meu filho”, alerta.

Cartão de embarque do garoto tinha detalhes do seu destino. Foto: Arquivo Pessoal

Sem itens pessoais

Na capital federal e na capital catarinense, pai e mãe cobravam respostas. A companhia, então, deu duas opções a Elisa e Eduardo: o garoto poderia dormir em um hotel acompanhado por um funcionário da empresa ou passar a noite no aeroporto. Os pais optaram por aceitar a hospedagem do filho em um hotel. Preocupada com filho ter de dividir o quarto com um estranho, a mãe do garoto foi a uma delegacia para se certificar que o funcionário não tinha antecedentes criminais.

Além da hospedagem, a Avianca ofereceu alimentação para Luís Eduardo. Os pais, porém, contam que não foram ofertados materiais de higiene pessoal, roupas ou dinheiro para adquirir esses itens. Em soma à toda situação, o garoto estava sem sua mala – que só foi receber dois dias depois do incidente.

12 horas de agonia

Luís Eduardo desembarcou em Porto Alegre por volta das 21h50. Após os país cobrarem providências, a Avianca informou que não haviam mais voos nem ônibus para fazer o trecho Porto Alegre – Florianópolis. Os funcionários se comprometeram a verificar se na manhã seguinte haveria lugar em um voo para fazer o transporte do adolescente.

“Eu vi que os funcionários não estavam preparados para essa situação, tanto os de Porto Alegre quanto os de Florianópolis. Me falaram que não tinha mais voos, nem ônibus e que iam tentar colocá-lo num voo na manhã seguinte, mas não deram certeza”, aponta Elisa.

Entre 5h30 e 6h do dia seguinte, os funcionários da empresa avisaram que conseguiram lugar em um voo da Azul. O jovem chegou a Florianópois por volta das 9h. De acordo com os pais, Luís chegou à capital catarinense muito assustado.

A situação gerou um problema: o garoto não quer mais viajar sozinho. “A gente mora aqui em Florianópolis há sete meses. Ele começou a viajar agora para visitar o pai. É uma necessidade que ele viaje sozinho. Ele já havia viajado sozinho anteriormente e nunca teve problemas. Mas agora ele está muito assutado e não quer passar por isso de novo”, conta Elisa.


Versão oficial

Em nota, a Avianca afirma que “o episódio ocorrido no último dia 9 foi pontual e que a companhia prestou total assistência ao passageiro e à sua família. A empresa reforça ainda que segue rígidas normas e procedimentos de segurança”.

Publicidade
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade
Publicidade
  • CHARGE DO DIA

Mais lidas