Na Praia: Governador justifica apoio a evento pago

Rollemberg classifica como “fomento à indústria do entretenimento”, enquanto setor questiona benesses

Foto: Myke Sena

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

“Natural”. Desta forma, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) resume as relações do Palácio do Buriti com o festival privado Na Praia, às margens do Lago Paranoá. A opinião do chefe do Executivo colide com a percepção de lideranças empresariais brasilienses. O setor produtivo não tem ressalva alguma contra o evento, muito pelo contrário. No entanto, julga desproporcionais as constantes benesses públicas cedidas direta e indiretamente para a atração particular, enquanto a economia do Distrito Federal patina no desemprego e no fechamento de empresas.

“É um princípio do nosso governo que a gente tenha a orla de uso público. Não é? Tanto que estão desobstruindo a orla, construindo ciclovia. Para que a orla possa ser utilizada pelo conjunto da população de Brasília. Mas é natural também que nós tenhamos eventos privados em uma cidade que possa criar entretenimento, lazer para a população. Que possa gerar renda e empregos para a nossa cidade. E é importante registrar que a indústria da cultura é importante. A indústria do entretenimento gera empregos importantes no momento de crise da cidade”, argumentou Rollemberg, na segunda-feira da semana passada.

O presidente da Federação do Comércio (Fecomércio), Adelmir Santana, estranha o fato de que evento tenha sido beneficiado indiretamente por uma produtora parceira, que captou R$ 700 mil de incentivo fiscal público para uma atividade dentro do festival privado. Santana enfatizou que a gestão Rollemberg deixa muito a desejar nos projetos para o fomento do setor produtivo como um todo, pecando pela burocracia e lentidão.

Saiba mais
O Sindicato dos Policiais Civis decidiu que vai recorrer na Justiça contra a decisão do desembargador Teófilo Rodrigues Caetano Neto, do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). O magistrado validou o emprego de agentes na segurança do Na Praia. Segundo o presidente do sindicato, Rodrigo Franco, a posição do GDF é incompreensível diante dos índices de criminalidade nas regiões mais humildes do DF.

“Diversão para ricos”
O excesso de benevolências para o Na Praia é uma inversão de prioridades, na avaliação do presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Edson de Castro. Sem qualquer oposição ao evento em si, Castro ressaltou que o GDF não conseguiu ações consistentes para alavancar o setor produtivo como um todo.

“O comércio varejista não tem coisa alguma contra o Na Praia. Mas é estranho o GDF dar tantas facilidades para ele enquanto a rede hospitalar, as escolas não estão funcionando por falta de verba. O governo está dando entretenimento para os ricos, enquanto deixa de dar o apoio devido para os pobres”, criticou.

Além do desemprego alarmante que abrange 329 mil pessoas no DF, Castro comenta que a dificuldade do governo para arrecadar impostos é consequência direta da crise financeira. “Os cofres não estão conseguindo arrecadar. Novamente, nada contra o evento. Mas estamos preocupados com as prioridades do governo, que está em falta com o mercado”, reforçou.

Do ponto de vista do presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, a consagração do festival como um dos grandes eventos do DF é positiva. Para ele, o apoio para a ocupação do espaço e a duração do festival é correto. O ponto fora da curva seria a destinação de recursos públicos, direta ou indiretamente.

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