Moradores da 703/704 Sul protestam contra desativação de posto da PM

Foto: Ariadne Marçal

Joyce Coelho
joyce.coelho@jornaldebrasilia.com.br

Entoando gritos como “O posto é do povo”, cerca de 30 moradores da 703/704 Sul se reuniram, na tarde desta segunda-feira (20), para pedir que o posto comunitário da Polícia Militar da quadra funcione por 24 horas e não seja desativado. O posto, que foi fechado na última sexta-feira (17), fica localizado na Praça do Compromisso, que foi batizada com esse nome em memória ao assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos.

Para o presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul, José de Aldegan, o fechamento trata-se da falta de investimento na segurança pública. “Tudo que beneficiava a população está sendo cortado. Nós necessitamos da presença de policiais aqui nessa localidade, afinal, eles nos mantêm seguros. Nada explica esse fechamento repentino”, afirma o presidente.

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A também integrante do Conselho, Michele Paula, lamenta a situação e acredita que a onda de crimes irá se elevar. “Fomos pegos de surpresa. Com essa decisão, aquela rotina de assaltos voltará a ser como antes. Essa decisão precisa ser reavaliada, pois ficaremos à mercê da criminalidade”, diz.

Paulo Martins, morador da quadra há 40 anos, teme pela volta de usuários de drogas no local. “Antigamente, aqui era frequentado por um grande números de viciados. E com o posto, houve uma amenizada. Agora, se fechar, tudo isso vai voltar. Não teremos a liberdade de fazer uma caminhada noturna e ficaremos presos em nossas próprias casas. Eu fico triste esse desprezo à população”, lamentou Martins.

Moradores reclamam da ausência de policiamento

Na Asa Sul, moradores de outras quadras também reclamam do aumento da insegurança com o fechamento dos postos da PM. A fundadora da prefeitura da 716 Sul, Fernanda Monturil, sofre com essa ausência desde o ano passado. “Estamos sem policiamento há oito meses e o aumento de roubos expandiu por aqui. Principalmente os furtos a veículos. Nossa rotina mudou completamente. Hoje em dia, não temos a liberdade de transitar sem medo de ser assaltados”, conta Monturil.

Já na 308/309 Sul, moradores e comerciantes também afirmam que a escalada de violência se intensificou após a remoção do posto da Polícia Militar. Segundo eles, apenas a presença do instrumento já intimidava as ações dos bandidos.

Versão oficial

Em nota, a Policia Militar informou que o policiamento continuará sendo realizado 24 horas por dia. O planejamento operacional do Batalhão responsável pela Asa Sul decidiu, segundo a corporação, priorizar a ronda com viaturas e motocicletas “por conta da agilidade e da rapidez no atendimento de ocorrências, além de atender uma área muito mais abrangente do que o policiamento fixo nos postos”. A PM alegou ainda que a comunicação com os moradores é feita sempre que possível.

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