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Gasolina não chega a postos e motoristas amargam espera no DF

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

A gasolina desapareceu dos postos nesta quarta-feira (30). Não é por menos: apenas 5% dos caminhões que deixaram as distribuidoras tinha o combustível. Dos 74 veículos carregados que saíram da área no Setor de Inflamáveis, três serviram para abastecer os estabelecimentos até as 16h. Os demais tinham diesel ou gás de cozinha. O desabastecimento deve começar a ser minimizado com a chegada de álcool anidro.

A situação foi sentida pelos motoristas, que enfrentaram em vão as filas em postos completamente fechados. A expectativa era de que, em algum momento, o combustível chegasse às bombas.

“Eu não tenho escolha, preciso abastecer porque meu trabalho depende disso”, lamentou o motorista João Alberto, 39 anos, após quase seis horas de espera.  A Polícia Militar foi acionada para conter confusões em estabelecimentos da capital. Segundo as entidades que representam a classe e o setor, o abastecimento deve ser retomado dentro da normalidade possível na quinta-feira (31).

Até o fim do dia, 48 carretas com cerca de 30 mil litros de álcool anidro devem chegar à capital. O material precisa ser misturado à gasolina para comercialização. A previsão é que o volume renda quase oito milhões de litros direcionados ao consumidor. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a composição deve ter 21% do etanol, que chega via terrestre. O transporte enfrenta dificuldades em virtude da greve dos caminhoneiros.

O Jornal de Brasília procurou a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência – Plural para comentar a situação enfrentada pela capital. A reportagem não obteve resposta até a publicação desta matéria. Uma nota publicada no site da entidade nesta quarta informa que a circulação de caminhões-tanque já chega a 60% da movimentação normal nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.

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Sem mistura 

Na sexta-feira passada, apenas uma das cinco empresas distribuidoras de combustíveis que atuam em Brasília informou que tinha em estoque 1,3 milhão de litros do etanol que precisa ser misturado à gasolina. O transporte desse elemento é feito apenas por via terrestre. Assim, os veículos têm ficado presos nos bloqueios nas rodovias do País realizados pela greve dos caminhoneiros.

Ontem, duas das distribuidoras contavam com 130 mil litros em seus reservatórios, quantia que garantiria produção de 700 mil litros de gasolina tipo C já contendo a substância e prontos para consumo. De acordo com o Governo de Brasília, a escolta de caminhões com álcool anidro tem sido garantida desde o início da greve. A estimativa é que dois milhões de litros tenham chegado à capital.

Desmobilização

No 10º dia de mobilização nacional, a greve dos caminhoneiros perdeu força no DF. A Polícia Rodoviária Federal desmobilizou ao menos cinco pontos de ocupação de motoristas que se aglomeravam nas redondezas da capital e da Região Metropolitana. Agentes escoltaram manifestantes que quiseram sair do local, mas se mantinham ali por medo de represálias.

De acordo com a corporação, manifestantes foram desmobilizados nas BRs 040, 050, 060, 070 e 020 . Quem permanecer nos locais deve ser multado, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir a livre circulação. Veículos que pertencem a transportadoras podem ser multadas em R$ 100 mil por hora de paralisação. Caminhoneiros autônomos podem pagar R$ 10 mil.

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