Falta de leitos e hospitais públicos lotados são problemas constantes no DF

Leandro Cipriano
leandro.cipriano@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A falta de leitos e hospitais públicos lotados são problemas constantes no Distrito Federal. Mas um agravante tem piorado ainda mais a situação. Várias internações nas unidades do Sistema Único de Saúde do DF poderiam ser evitadas se o atendimento na atenção básica fosse melhor.  Para se ter uma ideia, 19,5% das mais de 157 mil internações que já ocorreram na rede pública não precisavam ser feitas se tivessem sido adequadamente diagnosticadas em postos e centros de saúde. Em apenas um ano de pesquisa, foi detectado que os gastos com as internações desnecessárias chegaram a R$ 24 milhões.

A conclusão partiu de uma tese de mestrado da estatística Rozânia Junqueira, chefe da Divisão de Custos e Planejamento do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Segundo Rozânia, o trabalho só pode ser feito com informações de janeiro a dezembro de 2008 porque o banco de dados do Sistema Único de Saúde (Datasus) estava fechado no início do seu mestrado, em 2010. Mas, com base na experiência em hospitais públicos, a especialista garante que a situação atual não difere em nada da apontada há quatro anos.

“Hoje, vemos que ainda existem muitas falhas na atenção básica. Os hospitais estão cheios e as emergências cada vez mais inchadas. Se existisse uma atenção primária efetiva para a população do DF, os leitos seriam para atender apenas pacientes em situação mais grave, e não os que deveriam ser atendidos na análise básica”, afirmou.

Ao observar a situação preocupante dos hospitais da rede pública, Rozânia realizou a pesquisa para descobrir a causa exata de os hospitais estarem sempre tão cheios, enquanto o número de leitos estava constantemente abaixo da demanda.

“Trabalhamos dia a dia no hospital e verificamos que muitas internações poderiam ser evitadas”, confirmou Rozânia. “Sem mencionar que o custo delas é muito alto. Já na atenção primária, os gastos são bem menores. Se o atendimento básico nos postos e centros de saúde fosse o ideal,  a população teria  acesso a um atendimento de maior qualidade, e com menos gastos para o governo”, ressaltou.

 

 Leia mais na edição deste sábado (31) do Jornal de Brasília.

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