Dia dos Namorados: na saúde ou na doença, nada interrompe o amor

Eles são a prova viva de que o amor supera tudo. Uns venceram a distância, outros um problema grave de saúde, e há que tenha enfrentado   dificuldades para ter filhos. Foi preciso paciência, compreensão e muito companheirismo. Mas, apesar das adversidades, esses casais escolheram permanecer juntos e comemoram mais um Dia dos Namorados com a certeza de que todo o esforço valeu a pena. 

A jornalista Cíntia Magalhães, 30 anos, conheceu William Andery, 27, em 2002. Quatro anos mais tarde, a amizade tornou-se romance. Tudo parecia tranquilo, até que, após cinco anos felizes,  a bomba: William estava com câncer. Depois da busca por explicações para os vômitos e enjoos frequentes, em   2011, veio o diagnóstico de Leucemia Linfóide Aguda (LLA), caracterizada pela produção maligna de linfócitos imaturos  na medula óssea. 

O câncer foi descoberto em estágio inicial.  “Os primeiros seis meses foram os mais difíceis. Medicações na veia,  passagens pela  UTI, falta de apetite”, diz Cíntia. 

Blog

Foi nesse período que o casal teve a ideia de fazer um blog, o Leukemia (http://will-leukemia.blogspot.com.br), no ar até hoje.  William postou fotos e textos sobre seu tratamento. Um quadro mostra as mudanças de seu rosto  durante os primeiros seis meses. A alteração é notável, sobretudo, pelo inchaço provocado pelos medicamentos e pela queda de cabelo. “A ideia do blog é orientar pessoas que estejam passando pelo   problema, servir como um referencial”, explica Cíntia. 

A exemplo do que acontece no filme   em cartaz A culpa é das Estrelas, no qual os protagonistas se unem na luta contra o câncer, Cíntia ficou ao lado do namorado. “Tentávamos encarar as coisas com naturalidade e otimismo”, conta. 

A maior prova de amor dada por Cíntia, porém, mexeu com algo   ligado à   feminilidade. “Um dia eu disse  a ele: ‘se o seu cabelo cair, eu raspo o meu também’. E foi inevitável. No começo era ruim porque caía em todos os lugares, enquanto comíamos, enquanto dormíamos, no banho. Fomos fazendo cortes diferentes até que ele decidiu raspar a cabeça. Depois de alguns dias, foi a minha vez. Fizemos até um vídeo. Quando o médico entrou no quarto levou um susto, eu já estava com metade da cabeça raspada. Na hora do vamos ver deu um frio na barriga, mas no fim das contas achei maravilhoso. Ele também adorou”.

Parceria sempre fala mais alto
 
Para William, a parceria de Cíntia é “coisa de outro mundo”. “Ela esteve comigo desde o momento em que descobri o câncer, em 2011, até a minha alta, no final do ano passado. Antes de mais nada, sempre fomos muito amigos”, derrete-se.
 
Agora, ele segue tomando medicamentos   e   fazendo exames. “Ainda descobri uma necrose no fêmur, em função da   quantidade de medicamentos, e tive que parar de correr. Era algo que eu adorava,  participamos até da meia maratona do Rio em 2012, então foi outro momento complicado. Mas a Cíntia continuou  dando todo o apoio”, diz.
 
Com tudo isso, um desejo antigo do casal veio à tona. “Pedi demissão  e, a partir  de agosto, vamos passar um ano viajando pela Europa”, conta Cíntia. “Depois de tudo o que passamos, decidimos não esperar as oportunidades surgirem para fazer  o que queremos. Vamos   viver um dia de cada vez”.
 
A distância era só um detalhe
 
Namorar a distância é um desafio para muitos casais. A maquiadora Juliana Chechin, 23 anos, e o engenheiro civil Rafael Kazmierczak, 27, sabem bem o que é isso. Eles namoraram  seis anos e meio morando em cidades diferentes. 
O casal se conheceu em uma das idas de Juliana para o interior de Santa Catarina, onde vive parte da família de seu pai, durante as férias escolares. No começo, ela se relacionou com um amigo dele e ele namorava outra garota. Em 2007, ambos terminaram os respectivos relacionamentos e começaram a conversar pela internet. Após meses de interação virtual, resolveram se encontrar pessoalmente.
 
“Assim que nos vimos eu corri, pulei no colo dele e nos beijamos. Coisa de cinema mesmo”, lembra a jovem.
 
Dificuldades
 
Alguns dias depois, o rapaz teve que voltar para casa e, com sua partida, eles se deram conta do problema: ela morava em Brasília e ele em Ponta Grossa (PR).
 
Um ano depois, em 2008, eles resolveram assumir publicamente o namoro. “Começamos após uma conversa séria pela internet”, afirma Rafael.
 
Em 2010, Rafael concluiu a graduação e resolveu tentar arrumar um emprego em Brasília, perto de sua amada.
As primeiras tentativas de trabalho fixo na capital foram frustradas. Apesar de concordarem que em Brasília havia mais oportunidades de emprego na área de Rafael, ele teve que voltar para o Sul após uma proposta de trabalho. “Quando tudo parecia encaminhado para finalmente ficarmos juntos, ele voltou. Fiquei arrasada”, disse Juliana.
 
O fruto
 
Mas o casal não contava que teria uma ajuda e tanto do destino. “Quando ele retornou ao Sul, eu descobri que estava grávida”, conta a maquiadora.
 
Após alguns meses, o amor voltou a falar mais alto. Decidido a acompanhar a gestação da namorada e o crescimento da filha, Rafael se mudou definitivamente para Brasília. “Em dezembro de 2013 vim de vez para cá”, relata.
 
Alice, hoje com quatro meses, nasceu em janeiro deste ano. Ela e os pais estão morando na casa dos avós maternos até que Rafael se estabilize no novo emprego. “Queremos comprar um apartamento e nos casar em breve”, diz Juliana. 
 
 
Barreira para formar  a família
 
Com o administrador Augusto Constance,   37 anos, e a publicitária Carla Fonseca,  34, a história também não foi simples. Eles   namoravam há sete anos, quando, em agosto de 2010, ela engravidou acidentalmente. “Não esperávamos, mas ficamos felizes e nossas famílias aceitaram bem”, conta Carla. 
 
Em menos de três meses, porém, ela sofreu um aborto espontâneo. “Foi muito difícil, após a aceitação da gravidez, termos de nos conformar com a perda. Compramos roupinhas, berço, carrinho e nos desfazer disso  foi  doloroso”, lembra. 
 
O desejo de formar uma família, no entanto, permanecia vivo e, em 2012,  eles se casaram. Mas  Carla não conseguia engravidar novamente. Convencida de que sua idade  – 32 anos na época – poderia estar retardando o processo, seguiram-se dois anos e meio até que ela resolveu procurar ajuda médica. 
“Foi quando descobri que não poderia ser mãe em função de um problema no útero.  Senti um misto de tristeza e raiva”, desabafa.
 
A notícia abalou o casal. “A gente sempre pensa que adotar é nobre, mas quer ter um filho biológico  primeiro. No começo fiquei insegura, com medo de que o Augusto me deixasse. Mil coisas passaram pela minha cabeça”, confessa.
 
Para  Augusto  também não foi fácil. “Apesar das dificuldades, eu nunca quis outra pessoa. De nada adiantaria ter filhos biológicos com alguém que eu não amo. Ela é a mulher que eu escolhi para ser mãe dos meus filhos”, assegura.
 
Após   tentativas de tratamento,  o casal optou pela adoção. “Foi a melhor decisão que tomamos! A luz voltou paras as nossas vidas quando a Júlia chegou. Ela preencheu o vazio que existia em nós e a nossa vontade de ser pais”, conta Carla.   
 
Apesar das dificuldades, o casal nunca se separou. “Em meio às adversidades é que percebemos o quanto nosso amor é verdadeiro. Passar por isso só fortaleceu nossa relação”, afirmam. 
 
Saiba mais
 
Em cartaz nos cinemas, o filme A Culpa é das Estrelas é baseado no best-seller homônimo escrito por John Green. Na trama, dirigida por Josh Boone,  a atriz Shailene Woodley (Divergente) vive uma adolescente com câncer, que logo fica amiga de Augustus Waters, interpretado por Ansel Elgort. 
 
 Os dois adolescentes, portadores da mesma doença, se apaixonam perdidamente e partem em busca de aventuras que os façam se sentir vivos.

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