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Delação de Cláudio Melo Filho cita valores pagos a Gim Argello e a Robério Negreiros

Dois políticos de Brasília receberam doações de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. A revelação dos pagamentos está na delação dele no âmbito da Operação Lava Jato. Gim teria recebido R$ 2,8 milhões e Negreiros,  R$ 50 mil.

Segundo Melo Filho, Gim Argello tinha o codinome “Campari” e recebeu pedidos de apoio financeiro durante as campanhas eleitorais de 2010 e 2014. “Não tenho como dizer se os pagamentos em dinheiro que foram realizados efetivamente foram utilizados por Gim Argello para fins eleitorais. Em 2010, inclusive, Gim Argello sequer candidato era. Mas, como
habitualmente ocorre entre agentes políticos, as campanhas eleitorais foram o pretexto apresentado para que os pagamentos ocorressem”, diz o delator.

Cláudio Melo Filho revela também que, nos dois períodos (2010 e 2014), Gim Argello pediu uma reunião com Marcelo Odebrecht para tratar de pagamento financeiro diferenciado a pretexto de campanha. Segundo ele, a aprovação de Marcelo Odebrecht, em 2010 foram feitas três contribuições de R$ 500 mil cada,  após pedido feito a ele por Gim, à época presidente regional do PTB.

Os valores foram pagos nos dias 22 de julho, 19 de agosto e 27 de agosto de 2010, em São Paulo. Em um deles consta o endereço Rua Cardoso de Almeida, 1943. Melo Filho revela que o objetivo das doações sem campanha era ajudar Gim Argello a “formar uma
base político-eleitoral e se candidatar a Governador do Distrito Federal em eleição futura, cargo de grande relevância para os investimentos já realizados pela companhia no DF”.  O delator revela que a solicitação, feita por ele e aprovada por Marcelo Odebrecht, foi operacionalizada pelo setor de operações estruturadas, a área de pagamento de propina da empresa.

Já em 2014, após receber o pedido de Gim, Cláudio Melo Filho sugeriu o valor de R$ 1,3 milhão à Odebrecht, sendo aprovado por Marcelo Odebrecht. Ele alega que não tive influência na forma de alocação interna do valor, mas conta que os pagamentos foram feitos de diferentes maneiras. Assim, PTB distrital recebeu R$ 250 mil em 12 de setembro de 2014, de forma declarada, pois teve o recibo eleitoral número P14000397012DF000009. Outros R$ 50 mil, pagos em 15 de setembro daquele ano, foram direto para a conta da candidatura, também obtendo um recibo eleitoral de número 001440500000DF000021. Já o R$ 1 milhão restante teria sido operacionalizado no mesmo mês de 2014 pelo setor de operações estruturadas e Gim teria recebido uma “senha da operação”.

Doações ilegais para abafar CPIs

Melo Filho também relatou o pedido de doações ilegais à Odebrecht durante a CPI da Petrobrás no Senado e a CPMI da Petrobrás no Congresso. Segundo ele, o contato de Gim com a Odebrecht foi indireto. “Júlio Camargo, da Toyo Setal, procurou Márcio Faria para informar sobre pedido de apoio ilícito feito por Gim Argello. Márcio Faria não deu andamento ao tema. Posteriormente, Léo Pinheiro convidou Benedicto Júnior para um almoço na residência de Gim Argello para tratar do andamento da CPMI da Petrobrás”, disse, na delação.

Segundo ele, Benedicto Júnior não pôde ir a Brasília e pediu que o delator participasse do almoço na residência de Gim Argello, sem explicar todos os fatos que envolviam o encontro. No almoço, Melo Filho não presenciou, por parte do ex-senador Gim Argello, “a formulação de pedidos de nenhuma natureza” e as conversas envolveram amenidades, “pois Gim Argello estava aguardando a chegada de Vital do Rêgo Filho para tratar do andamento da CPMI da Petrobrás”.

No final do encontro, Vital do Rêgo Filho chegou e somente nesse momento a CPMI foi abordada. Os ex-parlamentares explicaram que “o propósito da CPMI não era prejudicar a imagem das empresas” e que procurariam “conduzir as investigações sem exageros”, mas não “houve qualquer pedido de apoio ilícito”. Melho Filho diz que reportou, por telefone, o teor do almoço a Benedicto Junior e que não se envolveu “novamente com o assunto”.

Ajuda a Robério Negreiros

Em seu depoimento, Cláudio Melo Filho cita ainda o deputado distrital Robério Negreiros, eleito em 2014 pelo PMDB e hoje no PSDB. Segundo ele contou, a empresa fez “pagamentos a pretexto de campanha, tendo a companhia os realizado de maneira oficial”. Os valores pagos “tinham como premissa a expectativa de que o candidato, caso fosse vencedor das eleições, se dedicaria aos pleitos de interesse da empresa”.

Foi por conta disso que Robério Negreiros recebeu de R$ 50 mil, já que Melo Filho é amigo de seu sogro, Luiz Carlos Garcia, autor do pedido de doação para a campanha de Robério Negreiros. “Eu disse a ele que não tinha relações com deputados distritais e não era meu objetivo ter. Para ajudar a um amigo, solicitei à empresa que realizasse o pagamento, pois, em algum momento no futuro, poderíamos ter interesses locais a serem defendidos no Distrito Federal”.

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