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Cidades

Casa de Direitos vai oferecer desde atendimento jurídico até capacitação

João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

Em meio à correria do centro de uma metrópole com três milhões de habitantes, um espaço foi aberto para dar assistência e diminuir as barreiras existentes para aqueles que não nasceram no Brasil. Ao lado da Rodoviária do Plano Piloto, a Casa de Direitos buscará acolher imigrantes e refugiados. Todo o serviço prestado será gratuito e especializado.

O local foi idealizado pela Cáritas Brasileira e é a sétima com esse estilo de trabalho no País. Boa Vista, Porto Velho, Recife, São Paulo, Curitiba e Florianópolis já contam com esse serviço para os estrangeiros. A Cáritas é uma instituição ligada à Igreja Católica e que tem representação em 165 países.

A inauguração da Casa de Direitos, que funciona no 1º andar do edifício Venâncio II, no Conic, ocorreu ontem e já atendeu algumas pessoas que precisavam tirar dúvidas de a respeito da documentação para continuar no País.

O coordenador colegiado nacional da Cáritas Brasil, Fernando Zamban, lembra que esse era um sonho antigo da organização e uma demanda constante das pessoas. “Era preciso construir um espaço para acolher de forma humana e afetiva as pessoas que vêm de fora. Muitas chegam aqui sem saber nada de português e encontram barreiras”, afirma.

O espaço vai funcionar como um ponto de encontro de todos aqueles que, por algum motivo, deixaram seu país de origem e precisam reconstruir sua vida na capital brasileira. Quem chega ao local já recebe as boas-vindas pelos braços e sorrisos dos auxiliares, mas também da grande faixa escrita “Que bom que você veio!” em português, inglês e espanhol.

O coordenador Fernando explica que o primeiro passo é uma conversa para entender as razões, os problemas e a história de vida daquele que ali chega. Em seguida entra a assistência social, que busca direcionar a pessoa para os serviços públicos prestados para cada caso. Por fim, existe a ajuda jurídica para que ninguém fique sem documentação.

Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasilia

Serviços oferecidos

A diretora de Política Internacional da Cáristas, Martina Liebsch, entende que a presença da Casa de Direitos na capital do Brasil tem um valor simbólico, mas também representa a possibilidade de pressionar por mais políticas públicas para aqueles que buscam refúgio no País, seja qual for a necessidade.

Outro fator é a possibilidade de a pessoa encontrar todo o auxílio necessário em um só lugar. Ela tem ajuda assistencial e jurídica e é ouvida por pessoas especializadas nesse tipo de escuta. Além disso, a partir do dia 20 deste mês, alguns cursos começarão a ser oferecidos. O primeiro deles é um básico de português como segunda língua para 200 pessoas.

Os participantes também terão direito a lições sobre empreendedorismo e economia solidária, em uma parceria da Cáritas Brasileiras com a Fundação Banco do Brasil. A inscrição pode ser feita no site da instituição até o dia 14. Tudo é gratuito.

Tratamento que faz a diferença

Para quem chegou à Casa de Direitos no primeiro dia, o acolhimento foi uma das partes mais importantes. Damelis Castillo, 58, que o diga. A venezuelana, que tem relação afetiva com a capital, disse que foi uma ótima sensação entrar em um lugar com pessoas amáveis e preparado para o diálogo.

A conexão dela com Brasília começou há 38 anos. De lá para cá, ela já foi e voltou diversas vezes da Venezuela, até porque tem filhos aqui. Há seis anos, imigrou de vez. Agora, a produtora cultural e cantora faz de tudo um pouco para se sustentar e auxiliar imigrantes.

Damelis compareceu ao local com um grupo de venezuelanas recém-chegadas ao Brasil e que precisam de auxílio com a documentação. “Quero mostrar que agora elas têm uma casa”, afirmou.


Saiba Mais

Com o objetivo de auxiliar mais imigrantes e refugiados, até o fim do mês de novembro, 102 venezuelanos, que vivem provisoriamente em Roraima deste o início do êxodo migratório do país vizinho, virão para a capital.

Todas as Casas de Direitos do Brasil vão receber imigrantes. Ao todo, serão 1.224 venezueluanos realocados em todas as sete cidades onde existe uma dessas casas.

Em Brasília, as pessoas ficarão em casas alugadas em São Sebastião. Por seis meses, elas terão aluguel e auxílios básicos pagos pela Cáritas Brasileira.

Além disso, haverá oficinas de empreendedorismo para que seja mais fácil que elas se recoloquem no mercado.

O site para se inscrever no curso de português é http://caritas.org.br/.

 

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