Blocos tradicionais reclamam da falta de verba e ameaçam não sair no carnaval do DF

Pacotão é conhecido por suas críticas bem-humoradas sobre política. Foto: Manoel Lira

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

O Carnaval do Distrito Federal precisa se sustentar sem repasses vultuosos do Governo de Brasília. Essa realidade é alvo de contestação do presidente da Liga de Blocos Tradicionais, Jorge Cimas, que chama a Secretaria de Cultura de “irresponsável”. Ele ainda alardeia a possibilidade de eventos como o Pacotão e o Galinho de Brasília não acontecerem por falta de verba.

Publicidade

Em 2017, a pasta afirma ter destinado R$ 1,5 milhão para o Carnaval de rua por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC). Desse montante, metade vai para os sete blocos tradicionais, e o restante para outros 38 eventos. Cimas reclama que esses R$ 750 mil rateados pelos membros da Liga só podem ser investidos em estrutura, por determinação do governo.

“Imagine que você é convidado para um banquete. Quando chega lá existe um galpão, mas não há comida, som nem cozinheiro. Nenhum serviço que possa te atender. É o que o GDF está dando”, esbraveja o presidente, que também é líder do bloco Mamãe Taguá, de Taguatinga.

Ele sustenta que, para garantir as atrações responsáveis pelas seis horas de folia prometida de uma única entidade, é preciso investir cerca de R$ 480 mil, sem contar os gastos com estrutura.

Cimas ainda acusa o governo de se aproveitar do suor dos organizadores do blocos para se vangloriar de sediar “o quinto maior Carnaval de rua do Brasil”. “Eles querem que a gente pague para depois levarem os créditos. Eu tenho débitos, já perdemos carro. Há dois anos que brincam com a gente dessa forma”, desabafa.

Saiba mais

  • Segundo a Secretaria de Cultura, 118 blocos (61 deles no Plano Piloto) se cadastraram junto à pasta para animar o feriado de Carnaval na cidade. Destes, 45, dentre tradicionais e alternativos, receberão dinheiro via Lei de Incentivo à Cultura (LIC).
  • Após os blocos terem movimentado mais de 1 milhão de foliões em 2016, a expectativa da pasta é que até 2 milhões de pessoas, entre locais e turistas, vão às ruas em fevereiro.
  • Em 2017, seis baterias de escolas de samba do Grupo de Acesso serão contratadas ao custo de R$ 550 mil para engrossar as atrações culturais do Carnaval de rua do DF.

Resposta

A Secretaria de Cultura, por sua vez, se defende das acusações e coloca as críticas da Liga Tradicional em perspectiva. De acordo com o titular da pasta, Guilherme Reis, a reivindicação da entidade “é válida”, mas ele lembra que o investimento no Carnaval do Distrito Federal este ano, três vezes maior em relação a 2016, é o “possível”.

“Quanto às atrações artísticas, realizamos um chamamento público que selecionou 12 grupos de Brasília para se apresentar nos blocos de rua, além da contratação das seis escolas de samba do Grupo Especial, que também vão contribuir para uma festa mais bonita dos blocos”, defende o secretário.

Patrocínio da iniciativa privada

O secretário de Cultura, Guilherme Reis, destaca também a presença da iniciativa privada nas folias de feriado e espera que as parcerias aconteçam com mais frequência. Conforme mostrou o Jornal de Brasília na última semana, em 2017 apenas a Ambev, por meio da cerveja Antactica, manifestou interesse em patrocinar o Carnaval da cidade, colaborando com 80 blocos.

“É bom lembrar que não há exclusividade”, ressalta Reis. “Qualquer empresa com atuação no Distrito Federal pode entrar na LIC e patrocinar o Carnaval. Durante este ano, seguimos com um plano para profissionalização (da festa), buscando desde já recursos para a folia do próximo ano”, garante o secretário.

O impasse entre a Liga dos Blocos e Governo de Brasília é antigo e tudo indica que não deve ser resolvido para o ano. A popularidade crescente de blocos não tradicionais, como o Babydoll de Nylon e o Aparelhinho, no entanto, podem atrair mais investidores até para os integrantes da entidade. A expectativa e o desejo do Buriti estão nisso.

COMPARTILHAR