Associação inaugura ‘Tesourômetro’ no DF em protesto contra corte em universidades

Foto: Divulgação

Amanda Karolyne
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Sem recursos para manter segurança, limpeza e conservação, nem verbas para bolsas de iniciação científica. O corte de financiamento federal para as áreas de ciência, tecnologia e humanidades deste ano será de R$ 4,3 bilhões. Na tentativa de chamar a atenção da sociedade para a formação dos estudantes, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) inaugurou esta semana o Tesourômetro, na 608 Sul.

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A capital é a terceira a receber este painel eletrônico. Ele mostra o quanto já foi perdido no orçamento para ciência, tecnologia e inovação. Rio de Janeiro e Belo Horizonte já abrigaram o instrumento.

O Tesourômetro é um projeto da Campanha Conhecimento Sem Cortes, feita por universitários, pesquisadores e docentes do Brasil, e visa denunciar as consequências para as universidades e o prejuízo ao desenvolvimento de pesquisas.

O presidente da ADUnB, Virgílio Arraes, destaca que, desde 2015, o valor dos cortes foi de R$ 12 bilhões. Acreditando na formação acadêmica como uma forma de ajudar o País, Arraes afirma que a solução para a retomada da economia está no incentivo a pesquisas e desenvolvimento de tecnologia. “O governo deveria entender que, em momentos de crise, a educação deveria ser preservada, e não a promoção de cortes”, declara.

Saiba mais

  • O corte anual significa uma perda de quase R$ 12 milhões por dia, R$ 500 mil por hora ou mais de R$ 8 mil por minuto.
  • O próximo tesourômetro será instalado na cidade de Salvador (BA), e já existem negociações para ser colocado um em Goiânia (GO).
  • A petição da campanha Conhecimento Sem Cortes necessita de 80 mil assinaturas. Para saber mais e assinar o documento, basta acessar o site: www.conhecimento semcortes.org.br.

Ele aponta que medidas como a redução de cargos comissionados seriam uma alternativa viável. “As universidades não conseguem manter serviços de manutenção, os laboratórios não funcionam plenamente”, destaca.

O economista Carlos Frederico Leão Rocha, professor da UFRJ, aponta que o investimento no custeio de bolsas para iniciação científica e de manutenção de universidades foi reduzido em 50%. “Parar dois anos de tecnologia e educação no Brasil, significa parar dez anos de desenvolvimento”, alega. Para Rocha, os estudantes vão perder o interesse pelas pesquisas. Ele destaca ainda que no Brasil já estavam sendo alcançados resultados relacionados ao zika vírus. “Mas esses estudos vão parar”, prevê.

População avalia

Nas ruas, as opiniões se dividem. A estudante de odontologia Rafaela Lima, 21, acredita que esses cortes prejudicam os alunos pela falta de bolsas. “Eles dizem que vão reduzir gastos para melhorar, mas só piora nossa situação”, comenta.

Já o fotógrafo Cássio Moreira, 27, avalia que, na atual crise do País, um lado tem de se sacrificar. “Tem que cortar de algum lugar agora, porque senão no futuro a gente pode estar pior”, observa.

A administradora Layane Cristina, 31, afirma que todo esse descaso com a educação se reflete desde já no desemprego. “Essa falta de valorização acaba nos prejudicando para conseguir espaço no mercado de trabalho”, pondera.

Apresentando uma solução para os cortes, a estudante Camila Ruther, 29, acredita que o Brasil deveria se inspirar em países desenvolvidos como a Inglaterra. “O corte lá vem de cima para baixo. Começa cortando dos representantes”.

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