Assassinos que confundiram mãe e filha também teriam matado jornalista e pastor

Data:13-07-2017 Operação Hannah.DPE Presa quadrilha suspeita de matar Ana Rita Foto: Breno Esaki

Douglas Lemos
Especial para o Jornal de Brasília

A Polícia Civil prendeu cinco envolvidos na morte de Anna Rita Graziela Rodrigues da Silva, de 21 anos. O crime aconteceu no Núcleo Bandeirante, em outubro do ano passado. A investigação concluiu que a vítima foi morta por engano devido à semelhança com a mãe, Gilvana Teles Rodrigues, alvo real dos criminosos, que pertenceriam a um grupo organizado de Santo Antônio do Descoberto (GO), que praticou outros homicídios (leia o quadro). O crime teria sido encomendado por Yuri Hermano Tavares de Brito, ex-companheiro de Gilvana, por R$ 10 mil.

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O delito foi tratado inicialmente como latrocínio (roubo seguido de morte). Gilvana chegou a relatar que havia um envelope com R$ 20 mil no local do crime, uma loja que fabricava e vendia caixas d’água. Mas as investigações apontaram que não havia nenhum envelope ali.

Devido à complexidade, o caso foi transferido para a Delegacia de Repressão a Furtos (DRF), que analisou o histórico da mãe da vítima e constatou várias ocorrências envolvendo Gilvana e clientes da loja, amigos e até Yuri, o suposto mandante.
“Apesar de um celular ter sido levado, havia características de execução. Um atirador entra na empresa, anuncia o assalto, atira três vezes em uma pessoa e só leva um celular. Ele não foi ali para um assalto”, concluiu Fernando César Costa, delegado titular da DRF. O celular roubado foi vendido em uma feira de Santo Antônio do Descoberto. De acordo com o delegado, Gilvana pouco colaborou com as investigações.

Em uma das linhas de apuração, a DRF viu que Gilvana já tinha ameaçado Yuri. “Ela tentou matá- lo, pois estava grávida e tentaria ficar com os bens dele”, relatou. Tudo confirmado pela mãe de Gilvana. Costa acredita que a encomenda teria sido para eliminar qualquer hipótese de que a guarda da criança – que hoje é do pai, de maneira provisória – ficasse com a mãe em definitivo. O relacionamento do casal durou menos de um ano.

Cuidados para despistar a polícia

Após a divulgação de retratos falados, a Polícia Civil chegou até Cícero Nunes de Lima, que dirigia o carro usado na fuga, um Palio vermelho, e Lucas dos Santos Almeida, suposto autor dos disparos que mataram Anna Rita. Diante das provas e com o depoimento dos envolvidos, foi possível fazer uma reconstituição.

Os criminosos foram ao local do crime no carro, que estava no nome da esposa de Cícero. Na frente, estava Janilene Ferreira Lima, apontada como amante do motorista. No banco de trás, Joabis Rodrigues Batista, a companheira dele, Jermaine da Silva Rocha, que está foragida, e Lucas.

Eles passaram várias vezes na frente da loja. Janilene tinha uma foto de Gilvana e a mostrou para Lucas. Ele desceu, fez três disparos e saiu da loja. O autor dos disparos entrou no carro e eles seguiram para Santo Antônio do Descoberto.

Para o delegado Fernando César Costa, a quantidade de pessoas era uma maneira de tentar atrair menos atenção. “Um policial que avista um veículo com quatro indivíduos homens vai parar o carro. Quando vê dois casais e uma pessoa com cara de adolescente, vai passar batido”, observou. Apesar desse cuidado, o grupo cometeu outros crimes no mesmo veículo.

O pagamento seria feito apenas depois do crime. Como o grupo matou Anna Rita no lugar de Gilvana, o valor pago foi de R$ 4 mil, em vez dos R$ 10 mil combinados. “Qualquer pessoa a uma distância considerável poderia confundir as duas”, disse o delegado, comparando fotos. O homem que indicou o grupo a Yuri teria sido Jader Nei Rodrigues Barbosa, fazendeiro que contratava o grupo para expulsar posseiros de terras.

Jader é considerado foragido. A Polícia Civil acredita que a prisão de Jader e Jermaine deve acontecer nos próximos dias. Cícero e Lucas foram presos em Minuaçu (GO) e em Samambaia. Eles confessaram e apontaram os outros envolvidos.

Envolvidos na morte de jornalista

Três pessoas do grupo estão envolvidas em dois homicídios em Santo Antônio do Descoberto. As vítimas foram o jornalista João Miranda do Carmo, em julho do ano passado, e o pastor Paulino Rodrigues da Silva. Além de homicídios, o grupo atuava em saques a chácaras e no tráfico de drogas. O delegado apontou que o tráfico era tratado como uma espécie de investimento do dinheiro arrecadado. Com Joabis e Janilene, foram encontradas drogas e uma arma de fogo.

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