Parada LGBT adota tom político em SP

REUTERS/Paulo Whitaker

Aos gritos de “Fora, Temer!”, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo acontece neste domingo, 18, com expectativa de reunir 2 milhões de pessoas na Avenida Paulista. Organizadores do evento também pedem a realização de novas eleições presidenciais.

A multidão que toma a Avenida Paulista começou a se concentrar às 10 horas, na frente do Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Nós queremos ‘diretas já’ para ontem”, afirmou Nelson Matias, sócio fundador da Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (Apoglbt), que há 21 anos organiza o evento.

Publicidade

“A Parada é uma festa, sim, mas também uma manifestação”, disse Matias. “Se fôssemos um País consciente já teríamos derrubado esse governo que está aí, mas estamos assistindo a tudo deitados em berço esplêndido.”

Por volta das 12h30, a atriz e apresentadora Fernanda Lima fez um discurso breve de abertura, em que defendeu a diversidade. “Estou muito emocionada”, disse. Embaixo do trio elétrico, o público puxou um “Fora, Temer”, que se repete em intervalos de poucos minutos.

Sempre presente na Parada LGBT, o vereador Eduardo Suplicy (PT) discursou. “É preciso que a Prefeitura continue o programa Transcidadania (de transferência de renda e formação profissional), que levou condição de respeito a centenas de transexuais”, afirmou. O deputado estadual Ramalho da Construção (PSDB) destacou a evolução da Parada ao longo dos anos. “Na primeira reunião eram 200 pessoas.”

O vice-prefeito Bruno Covas (PSDB), representante do prefeito João Doria (PSDB), que está em viagem ao Caribe pelo aniversário de 15 anos da filha, disse que era “a maior Parada do mundo” e que Prefeitura investiu R$ 1,4 milhão no evento.

“São duas razões. Em primeiro lugar, mostrar que São Paulo é exemplo de respeito à diversidade”, afirmou Covas. “A segunda é mostrar para o mundo inteiro que a cidade é vocacionada a receber eventos como esse, que é uma forma alternativa de gerar emprego e renda.”

Laico. Neste ano, a Parada LGBT adotou como tema o combate ao “fundamentalismo religioso”. “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é Lei! Todas e todos por um Estado Laico”, diz o tema escolhido.

Para Nelson Matias, o avanço do protagonismo político de bancadas evangélicas é o principal responsável pelo que chamou de “retrocesso da pauta LGBT”. “Todos os direitos que conquistamos não foram pelo Legislativo, foram pelo Judiciário”, afirmou.

“As bancadas evangélicas têm emperrado nossa participação nas discussões”, disse. “Emperram a criminalização da homofobia. Propõem o Estatuto da Família e a retirada das discussões de gênero nas escolas.”

Dezenove trios elétricos desfilam entre a Avenida Paulista e a Rua da Consolação, a custo estimado de R$ 2 milhões. Entre as atrações, a cantora Anitta se apresenta no trio do Uber, e Daniela Mercury, no da Skol – os dois patrocinadores do evento. Fafá de Belém e Tulipa Ruiz também fazem parte da programação.

O público é formado por todas as idades. “Eu adorei, o pessoal é muito divertido”, disse a aposentada Aparecida Persi, de 78 anos, que veio pela primeira vez na Parada LGBT, acompanhada da irmã Thereza Persi, de 76. “Eu sempre via na TV e tinha vontade de vir”, contou Thereza. “Eu não tenho preconceito: vejo todos como iguais.”

“O importante é que todo mundo se sinta feliz sendo o que é”, afirmou a estudante Mariana Reixelo, de 16 anos, também pela primeira vez na Parada LGBT. “Eu já vim umas dez vezes: adoro essa bagunça bonita, essa diversidade”, disse a tia dela, a autônoma Katia Picolo, de 51.

Fonte: Estadão Conteúdo

Cadastre-se para receber as notícias do Jornal de Brasília.

COMPARTILHAR