Vista chinesa

Seu time tem algum bom jogador cuja multa rescisória seja baixa? Algum jogador que esteja despontando e, por ser novo (ou, ao contrário, já meio veterano), esteja querendo uma grana forte para realizar sua independência financeira? Então, amigo torcedor, fique atento: a qualquer momento você pode ficar sabendo que este jogador está indo para a China. Abriu ontem o mercado chinês – na verdade, abriu oficialmente, porque quem acompanha reparou que nos últimos dias vários jogadores já se transferiram para lá, como Oscar, do Chelsea; ou Tevez, que deixou sua Argentina para ser, hoje, o mais bem pago jogador de futebol do planeta.

Não critiquem os cartolas de seu time. Ou melhor: critiquem, sim, se ficarem sabendo que o jogador saiu por uma ninharia. Os chineses quando querem, mesmo, chegam, colocam a grana em cima da mesa e saem de braços dados com o jogador. Procuram saber de quanto é a multa, acertam e vão embora. E não pensem que empresários têm vida boa, não: as negociações são feitas diretamente com o jogador. Algumas vezes é o próprio quem chega no clube e acerta o pagamento da rescisão. E parte para uma aventura que renderá muita grana – para ele.

Publicidade

Há algum tempo jogar na China era desculpa para não ser convocado para a seleção brasileira. Isso acabou com Dunga e, ainda mais, com Tite. É certo que o campeonato chinês não é lá estas coisas tecnicamente, mas são tantos bons jogadores indo para lá que uma coisa acaba compensando outra. Resta, ainda, porém, que os europeus descubram o mercado, como já aconteceu com os sul-americanos. Na hora em que os chineses resolverem investir mais pesado nos grandes astros que atuam na Europa a coisa vai se complicar definitivamente.

Para os clubes europeus, neste momento, o que ajuda é o fato de algumas grandes empresas chinesas estarem investindo em times do continente. Milão, por exemplo, tem suas duas equipes, o Milan e a Internazionale, nas mãos de grupos de investidores chineses. Não interessaria, então, desfalcar os ativos já colocados no Velho Continente. Mas que a ida para a China pode ser, num primeiro momento, uma ponte para depois desembarcarem na Europa…

Com moral

Quando assumiu, a diretoria do Flamengo prometeu à torcida que iria sanear as finanças do clube. Afirmou que seriam tempos difíceis, de pouco investimento, mas que em breve tudo se transformaria. O rubro-negro andou mal das pernas há pouco tempo. Chegou a correr riscos no Brasileiro há algum tempo. No ano passado, porém, brigou pelo título nacional com o Palmeiras – ironicamente, os rivais falaram que o “cheirinho” era, na verdade, o odor vindo do Palmeiras (o Porco).

Na verdade, as coisas caminham. No fim do ano o Flamengo livrou-se de uma dívida que durava 21 anos. O rubro-negro quitou, com desconto de 50%, seus débitos com Romário – isso mesmo, o Flamengo devia ao Baixinho desde sua passagem pela Gávea no ano do centenário. Com dinheiro em caixa (fechou um contrato espetacular de patrocínio com um energético), o clube propôs e o ex-jogador, agora senador, topou receber de uma só vez um valor equivalente a metade do que receberia em parcelas. Bom para as duas partes.

E assim, sem alarde, ao contrário do Corinthians que teve um ex-presidente falastrão que garantia que em três anos o Timão seria o clube mais forte do mundo (o que não aconteceu), o Flamengo olha para o futuro com boas perspectivas. E pode, sim, financeiramente saneado, buscar novos horizontes em breve, contando, principalmente, com a força de sua Nação.

COMPARTILHAR