Terror

Há pouco mais de um mês, quando ocorreu o acidente com o avião da Chapecoense, abri minha coluna com a frase “poderia ter sido com qualquer um de nós”.

Lembrei, então, que jogadores, membros de comissões técnicas e jornalistas esportivos, em todo o mundo, estão para lá e para cá, toda quarta, todo domingo, percorrendo estradas e ares para realizarem os jogos que fazem a diversão da galera.
Agora, ou melhor, há algum tempo, além dos riscos dos meios de transporte, estamos convivendo com situações ainda mais perigosas e inesperadas: o terrorismo.

Lembram do 13 de novembro na França? Lembram que foram ouvidas bombas fora do estádio? Pois é… Imaginem como está a situação na Turquia, país para onde nos últimos anos foram tantos jogadores de futebol e de vôlei do Brasil? Claro que a questão da insegurança não é apenas na Turquia. Ou nos Estados Unidos, ou no Brasil (em outras proporções, é claro). Mas é algo que mexe com a gente.

Até o fim do mês termina o prazo para solicitar-se o credenciamento para a Copa das Confederações, na Rússia. Para o Brasil, desta vez, o interesse na competição é mínimo, afinal de contas não estamos classificados. Mas, ao manter contato com os colegas chilenos, ouvi de muitos que, mais do que a questão financeira, aflige o que pode ser encontrado em termos de segurança. Os envolvimentos do país-sede em questões militares de outros países (com as consequentes possibilidades de vingança…) deixam muita gente em estado de preocupação. O fator insegurança, aliado ao alto custo e, também, à má fase da seleção chilena podem fazer com que a presença da imprensa esportiva chilena na competição seja mínima.

Para os russos isso é preocupante. O país tem um imenso potencial turístico. Cidades belíssimas, monumentos… Mas ainda pairam algumas questões do tipo “o que vou encontrar por lá”. E a possibilidade de estar no olho do furacão de algum tipo de atentado terrorista acaba por amedrontar potenciais visitantes. E a Copa das Confederações é sempre utilizada como um “cartão de visitas” para o que irá acontecer um ano depois, no Mundial.

Acredito que, superados os problemas econômicos, os portugueses compareçam em peso a Moscou, Sochi e São Petersburgo. Será a primeira vez que seu país participará da Copa das Confederações – e não certeza alguma de que Cristiano Ronaldo e seus companheiros estarão no Mundial, em 2018. Para os alemães a participação na competição não é novidade. E celebrar a conquista do Mundial é sempre um prazer – além do mais, alguns balneários russos são verdadeiras áreas de lazer de alemães endinheirados (como acontece com algumas cidades turcas, como Antalya). Entre os outros… Bem, aí a (falta de) grana fala mais alto.

De qualquer modo, não estranhem se nos próximos dias começarem a pipocar verdadeiras campanhas institucionais do tipo “aqui você se sente seguro”, convidando os turistas para visitarem a Rússia. O país sabe que a grana dos visitantes estrangeiros é importante para ajustar a sua balança comercial. E certamente o todo-poderoso Puttin não vai deixar (ou melhor, vai tentar que) o terrorismo atrapalhar seus planos de vender bem o país para os estrangeiros.

Pouco espaço

Quem já não ouviu falar que quantidade não representa qualidade?
Pois é… Na Copa São Paulo de juniores isso vem acontecendo a cada ano. Em 2017, então… Com 120 participantes, a repercussão da competição na mídia tem sido mínima. De nada adianta convidarem, por exemplo, oito times do Rio de Janeiro, se os jogos se perdem nos horários improváveis e contra adversários desconhecidos. Os organizadores ficam torcendo, então, para que os confrontos dos mata-mata reúnam times de torcida para que, finalmente, a imprensa abra espaço para falar do torneio. Um Palmeiras indo adiante; um São Paulo goleando (como fez na estreia); o Corinthians mostrando força; o Flamengo exibindo futebol que o credencie ao bi… Tudo isso ajudará na divulgação da Copinha, que está, digamos, “meio esquecida”. Que até o dia 25, data da decisão, engrene.

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