Só conversa

Todos já sabem: os jogadores passam o ano inteiro reclamando que jogam quarta e domingo, que o calendário é apertado, que há um enorme desgaste por conta das viagens e, nas suas férias, ficam pulando para lá e para cá atrás das peladas de fim de ano. Viraram febre. Algumas têm legítimas causas, como arrecadar fundos para instituições sociais, outras são apenas para juntar o pessoal e bater uma bolinha, mesmo. Uma das mais famosas, talvez a mais famosa delas, é o jogo de confraternização que Zico realiza. Tradicionalmente realizado num domingo, no Maracanã, desta vez acabou sendo na noite de quarta-feira (foi Natal no domingo passado). A quantidade de craques, já aposentados ou não, fez valer a presença de mais de 58 mil pessoas no estádio – um dos cinco maiores públicos do futebol no Brasil em 2016.

Se a galera brincava com Renato quando ele pegava na bola chamando-o de “sogro” (alusão à bela filha Carol, que andou criando problemas para o Grêmio ao entrar em campo para festejar as vitórias da equipe comandada por seu pai), ou aplaudia a elegância do “maestro” Junior cada vez que ele tocava na bola (e apesar do forte calor, o ex-lateral-esquerdo ficou em campo mais de 40 minutos distribuindo classe e talento), o que mais chama a atenção, claro, são as declarações de fim de jogo. Ali, em vários casos, ficamos sabendo de negociações que estão caminhando – ou não. E ouvimos várias histórias para “boi dormir”.

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Aclamado pela galera, majoritariamente flamenguista, Neymar fez questão de dizer que sonha um dia “jogar sempre no Maracanã”. Como alguns colegas adoram ouvir frases feitas e de efeito, claro, houve quem pergunta-se se ele gostaria de jogar no Flamengo. A resposta, óbvia, foi sim (alguém acha que ele iria falar diferente?). Pronto. Foi o que bastou para alguns desavisados começarem a viajar e falar em Neymar na Gávea etc e tal. Vamos aos fatos: o jogador renovou, recentemente, até dois mil e lá vai fumaça, seu contrato com o Barcelona. Ele não abre mão da grana, alta, que fatura na Europa. Neymar (e seu pai, seu empresário) sabem que não há no Brasil nenhum time que possa chegar sequer perto do que ele ganha na equipe da Catalunha, sendo assim…

E mais: se realmente tivesse (tiver) a intenção de vir jogar no Flamengo, até que a situação não é tão complicada, não: basta ele levar o compromisso com o Barcelona até o fim, ou quase, e solicitar, depois, que a equipe espanhola libere o pagamento da multa rescisória, que hoje deve girar em algumas centenas de milhões de euros. Depois, Neymar precisa abrir mão de boa parte dos seus salários para adequar seus ganhos à realidade do futebol brasileiro. Quem sabe, como está rico, e pela satisfação de jogar no Maracanã (e no Flamengo…) ele não pode atuar um ano de graça?
Senhores… Sejamos realistas… O discurso é bonito, simpático, mas completamente fora de realidade. Falou por falar, apenas, Neymar. E o pior é que tem gente que compra o discurso como verdade futura…

Pela grana

Quando anunciou as alterações da Libertadores para 2017, a Conmebol chegou a acenar com a possibilidade de a final ser realizada em jogo único, em cidade a ser escolhida pela entidade – mais ou menos como acontece com a Liga dos Campeões, que independente de quais sejam os finalistas decide o título em cidade previamente escolhida, dois anos antes (às vezes acontece alguma coincidência, como o Bayern jogar a final na Alemanha). Muita gente estranhou e lembrou dos problemas de transporte e locomoção em nosso continente, que não conta com as facilidades da Europa, onde o torcedor percorre praticamente todos os países de trem.

A ideia da Conmebol, porém, não é realizar este jogo decisivo na Bolívia, no Brasil, ou na Argentina. De olho na grana dos árabes, e com a perspectiva de o Qatar querer mostrar-se ao mundo como capaz de receber a Copa do Mundo de 2022, o que a entidade sul-americana planejava (ou ainda planeja) é levar a final da Libertadores para Doha, como fizeram, há dez dias, Milan e Juventus, disputando na capital qatari a decisão da Supercopa da Itália (vencida pelo Milan, nos pênaltis). A grana reservada para os dois times foi muito boa, assim como a presença de público – local e de países vizinhos.

Resta saber se a ideia irá vingar por aqui. Como a grana fala bem alto, é bom que os torcedores dos times brasileiros que irão disputar a Libertadores separem uma graninha para a viagem, lembrando que, pelo novo sistema de disputa, a decisão da Libertadores acontecerá uns dez dias antes do Mundial de Clubes, que este ano será nos Emirados Árabes. Ou seja: o torcedor viaja para a decisão do torneio continental e estica a permanência na área para ver o Mundial – se o seu time ganhar, é claro.

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