Valeu a pena?

Menos de dez mil pagantes teve o jogo entre Flamengo e Boavista, pelo Campeonato Carioca, realizado na Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte.

O que há de estranho na frase de abertura da coluna de hoje? O Flamengo jogar para menos de dez mil pessoas ou o fato de o rubro-negro realizar sua estreia no Estadual a centenas de quilômetros de sua galera?

Sinceramente? Nada. Ou melhor, a união da ganância dos cartolas com a falta de estádios na Cidade Maravilhosa – fatores que não foram, propositalmente, citados pelo colunista na abertura.

Parece óbvio que o Flamengo foi jogar longe do Rio de Janeiro para faturar uns trocados. Parece óbvio, também, que a ausência de público pouco afetou o clube, afinal de contas, deve ter ido com cota garantida. Mas… Até quando (e onde) este tipo de situação será interessante?

Levar uma partida de pouquíssimo apelo para longe do Rio de Janeiro é convidar o organizador a levar prejuízo (estou falando em termos reais) e pensar três vezes, no futuro, sobre a conveniência de repetir a ousadia. Custava ter feito o jogo em Volta Redonda? Ou em Macaé?

Certamente a grana não seria a mesma, mas pelo menos a torcida do Flamengo ficaria feliz por ver seu time de perto. E manteria sem manchas o fato de o rubro-negro ter a maior torcida do país…

Dúvidas

Há algum tempo as relações entre os dirigentes esportivos e as diversas entidades e patrocinadores estão sendo alvo de investigações. Gastos elevados sem comprovação, gastos elevados sempre favorecendo as mesmas empresas, patrocínios inexplicados…

A recente detenção de um vice-presidente do Flamengo traz à tona alguns questionamentos que certamente deverão estar presentes em ações que talvez estourem daqui a pouco.

Ex-dirigentes do BNDES assumiram vice-presidências do rubro-negro. Empresas favorecidas por financiamentos do banco estatal decidiram patrocinar, pesadamente, o Flamengo. Cartolas flamenguistas se veem envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro.
Será que dá para unir as diversas pontas disso tudo?

Jogão

Para quem gosta de esporte foi muito bom acordar cedinho, ontem, para ver a final do Aberto da Austrália, de tênis, entre Roger Federer e Rafael Nadal. O suíço, que muitos davam como acabado após um acidente doméstico que o deixou fora das quadras há seis meses, bateu o Miúra com um jogo de altíssimo nível.

E a forma como se emocionou no fim da partida foi algo comovente. Demonstração pura de como o esporte mexe com as pessoas – até Nadal, com suas manhas e manias fez um discurso de agradecimento bastante humano, meio que se desculpando com seu patrocinador (que patrocinava também o torneio) por não ter sido campeão.

Foi um jogaço. Num dos pontos, Federer e Nadal chegaram a trocar 26 bolas até que o suíço fechou. Valeu a pena, mesmo.

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