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Sem Firula

Traidores

Quem disse que futebol não é cultura?

Quem falou que os amantes do chamado nobre esporte bretão estão distantes do conhecimento histórico?

Desde que a Conmebol decidiu, em atitude surpreendente, levar a final da Libertadores de 2018, entre Boca Juniors e River Plate, para Madri, temos visto, lido e ouvido verdadeiras aulas de história.

E tudo por conta do conflito entre o nome da competição (“Libertadores da América”) e o local da realização da partida, a capital espanhola, país que colonizou e dominou a maioria dos países envolvidos na competição – a exceção é o Brasil, colonizado e dominado por Portugal.

Vi citações à Simon Bolívar (o mais conhecido de todos), San Martín, Sucre e Tupac Amaru. Todos eles lutadores pelas causas de independência do continente.

A decisão da Conmebol me causou profundas estranhezas.

E por uma razão muito simples: escolher a Espanha é, numa rápida análise, perder dinheiro.

A proposta de Doha significava economia de custos e um ganho, segundo declarações, de uns quatro milhões de dólares para as equipes.

Abriram mão de tudo isso.

Perceberam a estranheza?

Quando lembramos que os dois presidentes anteriores da Conmebol estão presos por desvios de recursos, propinas, vantagens e outros erros, é ou não é de se estranhar que abram mão de tanta grana?

Vejam que não bati na questão incoerente de levar os “Libertadores da América” ao território opressor. Falo apenas da questão financeira, que supera divergências ideológicas e sociais – ou as agrava, é claro.

O mais interessante é que a decisão saiu juntamente à punição, declarada, de US$ 400 mil ao River Plate e à declaração de que o time jogará duas partidas com portões fechados na próxima competição continental.

É ou não é demais para a cabeça de qualquer um?

Ah… E avisaram ao Boca Juniors, também, que sua pretensão de ganhar sem jogar não seria atendida.

Resumindo: traíram a memória dos libertadores, perderam dinheiro e não cumpriram fielmente o regulamento.
Sobre o regulamento, não é de hoje que isso acontece.

Com relação aos heróis do continente, talvez os cartolas não saibam de sua importância.

Mas perder dinheiro…

Aí tem coisa, com certeza.

(acabo de escrever este texto e vejo que num portal de notícias da internet há um título de matéria questionando se a decisão é traição ou não aos libertadores – eu afirmo: é traição, sim, e movida por interesses inconfessáveis)

Como sempre…

Falta um jogo, para cada participante, para terminar o Brasileiro de 2018.

Brasileiro que já tem o Palmeiras como legítimo campeão.

Brasileiro que já tem Paraná e Vitória rebaixados.

Brasileiro que vai levar Flamengo e Internacional à fase de grupos da Libertadores (ainda resta uma vaga, entre Grêmio e São Paulo)

Brasileiro que pode enviar para a Série B, ainda, Sport, América Mineiro, Chapecoense, Fluminense ou Vasco – dois deles.

Nesta última rodada, quatro deles estão em paz, trabalhando para escapar da queda.

Um, teoricamente o que deveria estar mais tranquilo, vive em ebulição.

Há seis rodadas o Fluminense precisava de três pontos para garantir sua permanência. Conseguiu dois.

Jogará no Maracanã, neste domingo, contra o Coelho. E sem treinador.

Depois da derrota para o Atlético Paranaense, pela semifinal da Sul-Americana, Marcelo Oliveira foi demitido.

Como de hábito, os cartolas colocaram na sua conta a má campanha – ele errou, sim, muito, mas como fazer feijoada sem feijão e carnes, apenas com legumes comprados na hora da xepa?

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