Tango

Michael Dalder/REUTERS

Zico foi um dos poucos jogadores do Brasil a disputar três Copas do Mundo sem jamais tê-la conquistado. Para os mais críticos, sinal de que foi um jogador de clube. Para seus fãs, azar da Copa, que não tem entre seus herois um jogador da qualidade do Galinho de Quintino. O colunista não entrará na discussão, neste momento.
Na realidade, uso o exemplo de Zico para falar do drama de outro craque, só que argentino.
Falo de Lionel Messi.
O argentino não fez carreira em seu país. Apesar de eleito, cinco vezes, o melhor do mundo, não tem história no futebol argentino. Sempre brilhou fora de casa. É herói do Barcelona, da Espanha. Não fez um gol histórico pelo Boca Juniors, pelo Independiente, nada. Paga por isso. É considerado um estrangeiro em sua terra.
Hoje, a Argentina joga suas últimas chances de disputar a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Provavelmente a última de Messi em alto nível
Com 30 anos, La Pulga, como é chamado, não será mais o mesmo em 2022, no Qatar. E, talvez, entre na relação dos craques que jamais conquistaram um Mundial.
Pior. Pode ficar sem disputar seu último Mundial.
A Argentina, verdade seja dita, tem feito o possível para não se classificar. Não tem sequer um gol por jogo nas eliminatórias sul-americanas para a Copa. O time não se encontrou em momento algum. Trocou de treinador e, com sinceridade, nada melhorou.
Pior é quererem jogar nos outros a responsabilidade por uma eventual desclassificação.
Alguns jornais argentinos dizem que o Brasil irá entregar o jogo contra o Chile para atrapalhar ainda mais a situação argentina.
Falam que seria uma vingança das ironias sobre a Copa de 2014. Não sabem de nada, inocentes.
Se o jogo fosse no Chile, talvez até se pudesse acreditar num jogo menos disputado pelo Brasil.
Mas jogando em São Paulo (logo lá…), Tite não vai querer perder sua invencibilidade em jogos oficiais. Estádio lotado, família presente, festa…
Lembrando que talvez seja o último jogo em território nacional antes da Copa do Mundo – oficial, com certeza; talvez marquem algum amistoso no Nordeste, ano que vem, na “despedida” rumo a Moscou.
O que os argentinos fazem questão de esquecer, por exemplo, é que contra o Brasil eles só marcaram um ponto em seis disputados.
Se tivessem vencido em casa, ao menos, sua situação hoje seria muito mais tranquila.
Mas o drama faz parte do cotidiano argentino.
Eles gostam da tristeza, da melancolia – como dos tangos.
Acredito, com sinceridade, que a Argentina irá ao Mundial. E digo mais: chegará como uma das favoritas.
Precisa, claro, superar seu drama de hoje. Depois, é esquecer o que aconteceu e jogar. Apenas
Ah…
E resolver seus problemas internos.
Dibala, craque em ascensão, teve a infeliz ideia de dizer que “é difícil jogar com Messi”.
Tentando adivinhar o que quis dizer, poderia conjecturar que como Messi é um craque fora de série, nem sempre os companheiros estão preparados para acompanhar sua genialidade.
Seus lances são excessivamente rápidos, ele está acima da média.
Tento desculpar Dibala, porque se sua frase segue a linha do “é difícil jogar com Messi porque ele não é essa bola toda, é individualista, ou sabe-se lá o que”, tenho muita pena do garoto.
Talvez um dia ele entenda que grandes craques ficam marcados até pelo que não fizeram.
Como pode acontecer com Messi, se ficar de fora do Mundial.

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