Sonho?

Assim que a goleada se confirmou, os fanáticos por números e estatísticas começaram a se movimentar. Descobriram, logo, que jamais na história da Liga dos Campeões um time conseguiu “virar” uma desvantagem de quatro gols. Fuçando um pouquinho mais, descobriram que o Barcelona nunca conseguiu esta façanha, em qualquer competição. Para completar, lembraram que uma desclassificação, assim tão cedo, há dez anos não acontecia para a equipe catalã. Em resumo: a situação do Barça é muito ruim.

Nas entrevistas pós-jogo pude ver um Neymar excessivamente conformado. Sem aparentar tristeza, mas sim enfado, o brasileiro dizia que a missão do seu time no jogo de volta “é quase impossível”. Estranho. Logo ele, que terá a obrigação de comandar, ao lado de Suarez e Messi essa virada, manifestar-se desta forma.

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A opinião do brasileiro, que parecia mais preocupado, no dia 14, em postar declarações de amor para a ex-de-novo-namorada Bruna Marquezine contrastava totalmente com a postura do treinador da equipe. Ciente da dificuldade da situação, Luis Enrique era sincero e otimista: “Por que não sonhar?”, questionava. E, sim, o Barcelona tem o direito – e a obrigação – de sonhar.

É claro que a tarefa será dificílima. Para marcar os quatro gols necessários para levar a decisão da vaga ao menos para os pênaltis o Barcelona precisará abrir-se. E o Paris Saint-Germain tem atacantes fortíssimos, como provou (mais uma vez) na goleada de terça-feira com atuações magistrais de Di Maria e Cavani (que faziam aniversário e decidiram festejar para cima do time catalão). Para complicar ainda mais, Thiago Silva, considerado um dos melhores zagueiros do mundo, deverá voltar ao time francês para a partida de volta.

E como fica o Barcelona? Bem… Acho difícil que Messi e Suarez repitam a pífia atuação do jogo de Paris. A torcida, que certamente irá lotar o Camp Nou, também terá papel fundamental nesta tentativa de recuperação. Estarão, todos, em busca do sonho sonhado pelo treinador. O que não pode acontecer é a postura desanimada e, até, desinteressada exibida por Neymar. Aí, não precisa nem ter jogo.

Para que o leitor tenha idéia de como repercutiu mal a atuação do Barcelona, o Sport, principal jornal esportivo da Catalunha, manchetou “Isso não é o Barcelona”. Precisa dizer mais alguma coisa? “Desastre” e “Perda total” foram outras manchetes nos jornais de ontem na Espanha. Na França, apenas elogios. “Prodigioso”, limitou-se a dizer o L’Equipe.

Ah… Depois de dominar o futebol francês com folga nos últimos anos, o PSG parece, finalmente, querer alçar vôos mais altos na Europa. Não parece ser apenas coincidência que esta classificação bem encaminhada aconteça num ano em que o time não tem folga no seu campeonato nacional. Como seus cartolas há tempos querem “dominar a Europa”, o caminho parece estar aberto. Resta saber se irão resistir ao Barcelona no início de março.

Não, não e não

Premiado em Montecarlo, anteontem, o jamaicano Usain Bolt foi muito questionado, claro, sobre o fato de ter perdido uma de suas medalhas de ouro por conta do doping de um colega de revezamento. A medalha nem está mais com Bolt, que já a devolveu ao Comitê Olímpico Internacional para que a entidade faça a entrega a quem de direito após o flagra no antidoping. Coisa simples e rápida, certo? Nem tanto, nem tanto.

Uma atleta russa, medalhista de ouro, prata e bronze nos Jogos de Pequim (2008) e Londres (2012), já avisou que não devolve as honrarias – verdade seja dita, ela jamais foi flagrada dopada, mas como estava num time em que havia alguém dopado…

A situação é complicada. Não sei, com sinceridade, se o COI tem o direito de simplesmente chegar e tomar a medalha. Seria mais “esportivo” que a russa fizesse como Bolt, devolvendo e pronto. Só que não é assim que a banda está tocando. O pior é que uma dessas medalhas a ser devolvida mexe com o Brasil: o revezamento russo foi ouro em 2008 e o Brasil ficou em quarto. Com a mudança, o quarteto brasileiro herda o bronze.

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