Só trabalho

Se há uma coisa que me irrita, profundamente, é ouvir de jogadores e treinadores, após qualquer derrota, “que o grupo vai continuar trabalhando firme para recuperar-se”.

Dizem isso como se fosse favor levar a sério a atividade (muito bem) remunerada que exercem. Acham que ao falar que continuarão treinando irão redimir-se de lambanças realizadas dentro de campo. Ou recuperar os pontos perdidos.

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Após mais uma derrota, o Atlético Mineiro entrou na zona de rebaixamento (como, aliás, este colunista profetizou na coluna de quarta-feira). E o que foi que os jogadores do Galo e, principalmente, o treinador Roger Machado disseram?

Exatamente: que iriam continuar trabalhando com seriedade para tirar o time desta incomoda posição.

Caramba…

Quando o Galo faturou o Campeonato Mineiro só se falava em festejar (não precisavam trabalhar). Quando fechou a fase de grupos da Libertadores com a melhor campanha, idem. Só agora, quando todos terão jogos praticamente toda quarta e domingo falam em trabalho?

É ou não é incoerente?

E cresce, muito, mas muito mesmo, a corrente pedindo a cabeça de Roger Machado. Há um grupo forte na cartolagem do Galo que deseja Dorival Junior no comando do time. E querem tomar logo a decisão, temendo que o ex-treinador santista acabe sendo contratado por outra equipe enquanto dura a indefinição mineira.

Jogo sujo

Age mal, muito mal, o Palmeiras.

O desmedido interesse por Richarlison (será que estamos diante de um novo Maradona e o colunista não se deu conta?) está levando o clube paulista a métodos, digamos, pouco ortodoxos para fechar a negociação.

Agora, o Porco está usando dívidas do Fluminense para com os empresários do jogador para forçar a liberação do atacante.

Explico: os agentes de Richarlison também são de outros jogadores (claro). E a um deles pelo menos o tricolor carioca deve comissão pela negociação de outros atletas. A outro, a dívida é ainda da compra dos direitos econômicos do Fluminense junto ao América Mineiro. E o Palmeiras, com este “trunfo”, pressiona.

Seria bom a cartolagem do Palmeiras lembrar que, há uns 20 anos, o clube também nadava em dinheiro com o patrocínio da Parmalat, multinacional de laticínios. Quando a empresa foi embora, a queda foi cruel.

A história, quando se repete, é como tragédia…

Imitação barata

A empresa, ou melhor, o consórcio que administra(va) o Maracanã devolveu o estádio ao governo do Rio de Janeiro.

Mesmo assim, o prefeito da cidade, o bispo Marcelo Crivella, pediu ao presidente do Flamengo que encaminhasse à Conmebol a proposta de realização, no Rio de Janeiro, em 2018, da final da Libertadores caso esta decisão passe a ser em jogo único, como acontece com a Liga dos Campeões da Europa.

Confuso, não?

Um político, que não possui qualquer ingerência sobre o bem, encaminha, por terceiros, que não sabem se estarão na competição, a proposta para realizar uma final que há mais de 50 anos acontece em duas partidas, uma em cada sede dos finalistas. Só mesmo na América do Sul e com o Brasil envolvido.

A Conmebol quer utilizar no continente o que faz sucesso na Europa. Só que no Velho Continente o deslocamento é muito fácil. Você pode percorrer praticamente todos os países em confortáveis trens. Ou usando estradas maravilhosas.

Vá fazer coisa semelhante por aqui. Impossível.

Recebi convite para realizar palestras em Cáli, na Colômbia, em julho. A ida me obrigaria, por exemplo, a ir até o Panamá para chegar ao destino final. Ou fazer baldeação em Lima e Bogotá. E a volta… Sem falar no alto preço dos bilhetes aéreos – de trem ou carro é impossível.

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