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Sem Firula

Idas e vindas

O Palmeiras é o campeão brasileiro de 2018.
Ganhador da Série A, junta-se à Fortaleza (campeão da Série B), Operário de Ponta Grossa (PR, campeão da Série C), Ferroviário (também do Ceará, ganhador da Série D) e Cruzeiro (campeão da Copa do Brasil) como uma das equipes brasileiras a conquistar um título nacional na temporada.
É claro que o colunista não está traçando qualquer paralelo entre as conquistas. Talvez a do time mineiro possa ser equivalente, afinal de contas reuniu equipes da Série A e valeu vaga para a Libertadores.
A lembrança, apenas para iniciar a conversa de hoje, serve para mostrar a diversidade do futebol nacional. Uma diversidade que está com seus dias contados, infelizmente.
Há muito tempo se fala da espanholização do futebol brasileiro.
E esta cruel realidade econômica está cada vez mais forte e presente por aqui.
Sempre nos orgulhamos de ter um Brasileiro com mais de dez times disputando o título. Acabou.
Não é uma simples coincidência que os dois primeiros colocados do Brasileiro sejam os times de maior investimento no futebol nacional.
Nem que o campeão da Copa do Brasil seja dos que mais gasta.
A diversidade, citada a partir dos times que foram campeões nacionais este ano, está acabando.
Na Espanha (e daí o termo espanholização), ou dá Barcelona ou dá Real Madrid.
De vez em quando o Atlético de Madri aparece para atrapalhar. Mesmo assim, não vence.
Para ser bem preciso, devo dizer que dos últimos 15 campeonatos espanhois, em 13 o ganhador foi Real Madrid ou Barcelona.
São eles que têm o dinheiro, que podem investir, que contratam – se bem que, aí, falando de forma muito dura, gastam mas devem demais.
No Brasil estamos assim.
E vai piorar.
Em 2019, por exemplo, os times da Série A que caírem (e falo daqueles doze que sempre brigavam por títulos) não terão mais a garantia da grana da televisão de um integrante da elite.
Ou seja: vai cair e perder dinheiro, muito dinheiro.
O leitor poderia dizer que o Corinthians recebeu tanto dinheiro quanto o Flamengo e só se livrou do rebaixamento do Brasileiro na rodada deste fim de semana.
É verdade.
Quantas fortunas já foram dilapidadas por más administrações? Por roubo? Por soberba?
O Timão está incluído nos itens anteriores.
A grana recebida pelo time do Parque São Jorge é tão maior do que a do Santos, por exemplo, que mesmo com tanta incompetência ainda sonha repatriar o ex-treinador Fábio Carille, como se ele, sozinho, fosse capaz de resolver o desmanche promovido pelos seus cartolas.
O Palmeiras navega na grana do patrocinador – e na segunda faixa mais bem paga pela televisão.
O Santos luta, mas precisa economizar para sobreviver. As contas não param de chegar.
No Rio de Janeiro, e muito já se falou sobre isso, será quase impossível que sobrevivam os antigos “quatro grandes”.
O Botafogo já incorporou que por algum tempo vai viver de investimentos de time médio. Por sorte (e dedicação de seus jogadores) passou bem pelo Brasileiro deste ano.
Mas não conseguiu chegar à Libertadores, para gerar dinheiro novo.
Vasco e Fluminense chegam à última rodada podendo cair. E cheios de problemas administrativos e financeiros.
Times e cartolas sem vergonha.
Em Minas Gerais, Atlético e Cruzeiro gastam muito. Talvez de forma irresponsável. Mas sobrevivem.
No Sul, Grêmio e Internacional conseguem novas receitas – e contam com estádios próprios, o que é muito importante para capitalizar o clube.
E aí? Vamos espanholizar e passar a ter um campeonato para três ou quatro times apenas?

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