Provocação

Depois dos resultados das partidas de volta das oitavas-de-final da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, o colunista prevê: temos boas chances de alterarem, de novo, o regulamento da competição para o próximo ano. A razão? Simples… Os sete times já classificados (ontem à noite se definiu o oitavo, entre Cruzeiro e Chapecoense), sete deles disputam ou disputavam (preciso usar o passado por causa do Flamengo, já eliminado, e contando com a possibilidade de a equipe catarinense continuar) a Libertadores da América, tendo iniciado sua participação no torneio nacional apenas nesta fase da competição.

Para quem não entendeu: o regulamento da Copa do Brasil deste ano, querendo “recuperar” para o torneio equipes que participam da Libertadores (e foram oito este ano), foi de tal forma ajeitado que aqueles times, mais os campeões da Copa do Nordeste e da Copa Verde (de 2016), além do campeão da Série B nacional (também de 2016), somente começaram agora na Copa do Brasil. Justo? Injusto? Sinceramente, fico com a segunda opção.

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O Internacional, por exemplo, que foi eliminado mesmo tendo vencido o Palmeiras, até chegar a este ponto na Copa do Brasil passou, antes, pelo Princesa do Solimões (AM), pelo Oeste (SP), pelo Sampaio Correia (MA) e… Pelo Corinthians. Viajou um bocado, não é mesmo? Sem falar que, caso tivesse caído, por uma infelicidade, diante de qualquer time considerado “pequeno”, provavelmente abriria uma crise na equipe. Lembrando: foram quatro adversários até chegar ao Verdão. É correto isso?

E o Sport? Desclassificado pelo Botafogo, em casa também, no dia da estreia de seu novo treinador, Vanderley Luxemburgo, o Leão do Recife enfrentou, até chegar ao “convidado” Botafogo, o CSA (AL), o Sete de Dourados (MS), o Boavista (RJ) e o Joinville (SC). O mesmo se pode falar do Fluminense, cuja trajetória até a eliminação diante do Grêmio incluiu enfrentar Globo (RN), Sinop (MT), Criciúma (SC) e Goiás.

Não quero defender, de modo algum, a exclusão das equipes. Ao contrário. Como escrevi estes dias, a busca por participações em competições do peso de uma Libertadores, de uma Copa do Brasil, merece e deve ser valorizada. Só que a valorização da presença não pode passar por atalhos como aconteceu este ano.

O calendário é duro, cruel, desumano? Sim, mas ele recebe todos estes adjetivos justamente pelos citados torneios que valorizam a marca do time e, também, a carreira dos jogadores. Será que o Palmeiras, disputando desde o início a Copa do Brasil, teria chegado até aqui? Ou o Atlético Mineiro? Eu poderia escrever algumas colunas lembrando “grandes” que foram eliminados por “pequenos” em fases iniciais da Copa do Brasil – ou recordar que Juventude e Criciúma, para citar apenas dois, surpreenderam o país ao ganharem a competição contra gigantes como Botafogo e Grêmio, respectivamente.

Aliás, por falar no título conquistado pelo time de Santa Catarina, na época dirigido por Felipão, não custa lembrar que o Criciúma eliminou o Atlético Mineiro na segunda fase do torneio e, na semifinal, tirou de jogada o Remo, que também na segunda fase da Copa do Brasil de 1993 desclassificara o Vasco.

Entendem agora quando falo da injustiça do atalho?

Arbitragens

Classificados ou não, vários times que permanecem na Copa do Brasil estão protestando contra as arbitragens.

O Palmeiras, que segue, afirma ter sido prejudicado contra o Internacional, em Porto Alegre. O Botafogo, que também continua, reclama também – as queixas são contra a mesma bandeirinha, Tatiana, que andou fazendo lambanças no clássico entre Vasco e Fluminense, sábado, pelo Brasileiro.
O caso mais grave, porém, aconteceu no Rio de Janeiro. Fluminense, fora; e Grêmio, dentro, afirmam terem sido prejudicados pela fraca atuação do árbitro Thiago Duarte Peixoto (que vinha de geladeira da Federação Paulista de Futebol). O tricolor carioca não aceita a expulsão do zagueiro Nogueira, com cinco minutos de jogo. Protesto que ganha ainda mais força quando, em lance considerado mais violento, o argentino Kannemann levou apenas amarelo. Para o tricolor gaúcho, as queixas são contra dois pênaltis não marcados a seu favor. Resumindo: o árbitro influiu, sim, no resultado da partida.

Emoção

Estamos a pouco mais de 24 horas da decisão da Liga dos Campeões, entre Real Madrid e Juventus, em Cardiff, no País de Gales.

Há duas décadas e meia a Itália dominava o futebol mundial, ou melhor, seus times eram o grande sonho de consumo dos boleiros. Naqueles tempos, a Europa realizava três torneios continentais e os times da Bota chegaram a conquistar todos na mesma temporada. Mais de uma vez.

Os tempos mudaram, alguns escândalos aconteceram (a Juventus chegou a ser rebaixada por combinar resultados), e o futebol italiano perdeu espaço (e dinheiro, não necessariamente nesta ordem) para Alemanha, Espanha e Inglaterra.

Uma conquista da Juventus, amanhã, pode ser o início da retomada da importância do calcio no cenário mundial. E um merecido prêmio para Buffon, o goleiro da Vecchia Signora.

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