“Não aceitaremos nada goela abaixo”

Presidente do sindicato mais representativo dos servidores do DF, o Sindireta, Ibrahin Yusef diz que, da forma que está, o projeto que altera a previdência é extremamente prejudicial para as categorias. Diz que a suspensão da votação na Câmara Legislativa é positiva, jã que haverá tempo para se ter ideia real dos “inúmeros prejuízos” que a proposta trará. Ele diz que os servidores – o Sindireta representa 17 categorias – continuarão a pressionar os deputados, para que rejeitem o PLC 122/2017, que, segundo o governo, é a tábua e salvação das finanças.

Em que medida a decisão de suspender a votação do PLC 122/2017 é positiva para os servidores?

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Favorece quando possibilita maior discussão do projeto, que tramitou de forma açodada, impulsionado pelo governo e seus interesses. Agora, os servidores e os próprios deputados poderão conhecer os inúmeros prejuízos contidos nessa proposta e rejeitar esse ataque aos direitos dos servidores.

É possível tornar o projeto positivo para as categorias com a ampliação da discussão da proposta do governo, que insiste que só os recursos da previdência poderiam salvar as contas?

Não é impossível, mas é bem difícil que isso ocorra. O projeto já foi criado de forma errada, unilateral, sem participação da categoria e das entidades representativas. Não houve diálogo. São muitos pontos que trazem prejuízos aos servidores e à sociedade. Tentar atrelar o pagamento dos salários à aprovação do projeto de interesse do governo é uma estratégia rasteira e que não nos assustará.

Os servidores continuam mobilizados para pressionar os parlamentares a recusar a proposta do jeito que ela está?

A mobilização é fundamental. A categoria precisa pressionar os deputados. Vamos mostrar que não aceitaremos nada goela abaixo. Os distritais vão ter que optar: ou ficam ao lado dos servidores públicos, que são a mola da economia do DF, ou ficam ao lado de Rollemberg e sua equipe, que são extremamente mal avaliados.

Que alternativa o sindicato proporia ao governo para resolver a questão?

Desde o anúncio da suposta crise financeira, temos apontado alguns caminhos. Há falhas na fiscalização e arrecadação de recursos. Estruturar essa área do governo é fundamental para reorganizar as contas. Combater a sonegação já representaria um imenso avanço, sem a necessidade de mexer no bolso dos trabalhadores.

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