Os campeões

É mais ou menos meia noite em Dubai. Sofri um bocado para conseguir conectar o laptop e acompanhar as finais dos estaduais (estou sete horas à frente em termos de fuso), mas está valendo – para falar a verdade, o problema deve ser do meu computador velho de guerra, porque a internet por aqui é altamente turbinada, como posso perceber pelos vizinhos que deitam e rolam com seus celulares de última geração.
Pensando ser malandro, sexta-feira baixei o aplicativo da operadora de TV no celular. A intenção era cercar por todos os lados a possibilidade de acompanhar os jogos, afinal de contas, a conexão por aqui iria demorar umas três horas e meia, tempo suficiente para verificar o que acontecia de Norte a Sul do Brasil, buscando dos resultados do Re-Pa, em Belém; até o Novo Hamburgo x Internacional, em Caxias do Sul. Não deu certo. Fica carregando, carregando e nada. A saída foi o “on line” dos sites.
Antes de prosseguir na aventura, uma constatação: a festa dos títulos começou ainda no sábado. Diante da telinha acompanhei o Confiança derrotar o Itabaiana, na casa do rival, para faturar o Campeonato Sergipano. Dois times tradicionais do pequeno estado nordestino. Pena que tenha acontecido uma confusão no finzinho, mas final é assim mesmo – aos 50 e aos 51 do segundo tempo o Itabaiana ainda perdeu a chance de empatar para desespero de sua torcida que está na fila desde 2012.
Assim que consegui conexão vi que o Fluminense saiu na frente no Maracanã e Robinho colocou o Galo em vantagem em Minas Gerais. Na televisão do aeroporto passa Milan x Roma (o time da capital virou o primeiro tempo ganhando por 2 a 0). Outra atualizada e vejo que o Novo Hamburgo também está em vantagem no Rio Grande do Sul. Pausa para falar com os filhos e a mãe via whatsapp. Aproveito para ler comentários e vejo muitas críticas à atuação do árbitro na final carioca. Ao meu lado, alguns franceses festejam a derrota da extrema direita nas eleições presidenciais. Neste momento, Corinthians, Coritiba, Atlético Mineiro e Novo Hamburgo são campeões. No Rio, pênaltis. São as informações que consigo (que agonia…).
Saio um pouco do lance a lance do Maracanã e vejo que Cruzeiro e Internacional empataram no início do segundo tempo. No Rio, alterações. Wellington Silva, para muitos um dos melhores do Flu no campeonato, é substituído – entra Maranhão, muito criticado pela torcida. Abel, pelo visto, quer usar a velocidade para fazer o segundo gol. Mas… E se a decisão for mesmo para os pênaltis? Decisão complicada… Na televisão, o Milan fez um, mas a Roma também marcou de novo. Está 3 a 1, agora, mas só eu olho para a tela, dividindo as atenções com o computador.
Aparece a informação do público no Maracanã: mais de 68 mil presentes; pagantes, 58.399. Muito pouco. Há uns dez anos isso seria público para Fla-Flu da sexta rodada, mas encolheram o estádio, deu nisso. Quem cantará mais alto no final?
Pelas informações são 30 do segundo tempo e cada torcida diz que seu time é melhor (amigos rubro-negros afirmam que o empate sai a qualquer instante; tricolores garantem que o segundo gol está próximo). A conexão cai. São quatro minutos que parecem quatro anos. Quando volta, chance perdida lá, chance perdida cá e… Gol de Guerrero. O Flamengo vai faturando o Carioca. Mais mudanças. Zé Ricardo recua o Flamengo. Abel vai para o desespero e coloca jovens corredores. Será que muda alguma coisa até o fim do jogo? Admito… É uma agonia trabalhar assim, mesmo porque, quando saio do lance a lance para escrever tudo pode acontecer.
Vejo que Cavalieri é expulso aos 49 do segundo tempo. Nos primeiros 45 minutos vi muitas críticas à atuação do árbitro. Como não estou vendo o jogo não posso falar nada, mas com o segundo gol rubro-negro, vai ser difícil colocar na conta da arbitragem. O título é do Flamengo, como é do Corinthians em São Paulo e do Atlético Mineiro em Minas Gerais – o Coritiba faturou no Paraná. Algumas das maiores torcidas do Brasil estão em festa. No Rio Grande do Sul, pênaltis. O lance a lance ficou meio doido, informaram dois erros seguidos do Colorado, mas no fim valeu a informação do Novo Hamburgo campeão gaúcho.
Quando aperta…
A Juventus está praticamente na final da Liga dos Campeões. Ganhou do Monaco fora de casa (2 a 0), sofreu dois gols até agora em toda a competição, tem o melhor goleiro do mundo… Enfim… Só mesmo se der pane geral a Vecchia Signora não chegará até Cardiff. Mesmo assim, a alvinegra de Turim decidiu poupar titulares no clássico local contra o Torino – no Campeonato Italiano o título também está praticamente assegurado.
Só que o time grená fez 1 a 0 e, mesmo com um jogador expulso, segurava o resultado. A derrota seria a primeira da Juventus em seu estádio neste Italiano e a galera, claro, protestava – perder é ruim, perder para o maior adversário, então…
Aí, eis que chamam o argentino Higuain (o mesmo que marcara os dois gols contra o Monaco), que descansava tranquilamente no banco de reservas. Em pouco tempo ele entrou e marcou. Empate. Não era o resultado que os tifosi desejavam (em 18 jogos em seu estádio foi o único, até agora, que a Juventus não ganhou), mas pelo menos evitou-se a derrota e a avacalhação dos rivais.
Que vacilo
A diferença entre o Tottenham e o Chelsea, que ainda lutam pelo título do Campeonato Inglês, é de quatro pontos. No sábado poderia ter diminuído para apenas um: o Tottenham enfrentava o West Ham, que ocupa uma posição intermediária da tabela de classificação – o Chelsea joga apenas hoje contra o quase rebaixado Middlesbrough. E não é que o Tottenham perdeu, facilitando ainda mais a vida dos Blues? Mesmo que vença o troféu não será assegurado hoje (a vantagem chegará a sete pontos, com nove ainda em jogo), mas alguém duvida que o Chelsea conseguirá?

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