No ar

Hoje tem seleção brasileira. Talvez o leitor esteja lendo a coluna já após a realização do jogo (7h05, horário de Brasília). Não há problema. É apenas um amistoso e contra a Austrália. Nada que possa fazer cair o dólar ou prender algum político corrupto. A pergunta do colunista, porém, é mais ampla: sabe o leitor que o Brasil está jogando hoje? Tem ideia do time que Tite colocará em campo? Foi avisado que, na sexta-feira, o treinador da seleção brasileira perdeu sua invencibilidade (e seus 100% de aproveitamento) perdendo para a Argentina? E que Gabriel Jesus deixou o campo, em Melbourne, com uma séria contusão no rosto?

Pois é…

A briga da CBF com a TV Globo, que não tinha estas duas partidas no pacote que comprou para a temporada da seleção, provocou este tipo de situação. A maior emissora do país (não há como negar este fato) simplesmente está ignorando os jogos do time de Tite na Austrália. Aliás, como faz com qualquer evento que não faça parte do seu cardápio. E quem perde com isso? Claro que o torcedor.

Um jogo às sete da manhã mexeria com os telejornais locais e um nacional (Bom Dia Brasil), além de um pedaço do programa de Ana Maria Braga. Nada que uma conversinha com os patrocinadores não resolvesse. Só que o problema vai além, muito além, da influência dos patrocinadores. A CBF, na verdade, quis bancar uma queda de braço com a emissora. Ganhou? Perdeu? Nós, pobres mortais, só saberemos se houver interesse de alguma das partes envolvidas. Hoje, temos de conviver com a falta de informações, infelizmente.

Há quem garanta que a CBF almeje voos mais altos, com a liberdade de veicular seus próprios anunciantes. A parceria com a TV Brasil pode ser boa para isso. E, claro, quando chegarem os jogos das Eliminatórias e a própria Copa do Mundo, a Globo “voltaria com tudo”. Só que para os patrocinadores da CBF não adiantam apenas os poucos amistosos (ano que vem parece que teremos seis até o Mundial). Eles querem aparecer nas partidas oficiais, naquelas que a pátria calça chuteiras e todos se ligam na seleção.
E é neste viés que a Globo aposta. A CBF vem perdendo dinheiro. Pelos problemas de seus mandatários, alguns patrocinadores deixaram a entidade de lado. E casa que não fatura fica em situação complicada.

Arbitragens

Estou com vontade de solicitar ao editor para escrever, uma vez por semana, uma coluna apenas relatando as lambanças das arbitragens. Talvez fique menos enfadonho do que, dia sim, outro também, abrir um tópico para falar do tema.

Na coluna de ontem não abordei o que aconteceu, por exemplo, na partida entre Avaí e Flamengo. Mesmo porque, nestes casos, é sempre bom esperar um pouquinho para que surjam novos fatos.

Que o árbitro apitou pênalti contra o Flamengo não há dúvida alguma. Que o auxiliar que fica atrás do gol falou algo com ele, também. Que o árbitro foi consultar o bandeirinha, idem. Mas… De onde veio a sinalização de que não fora pênalti (na opinião sabe-se lá de quem)? Ficam claras as imagens do bandeirinha dizendo que não ia se meter no lance. Mas o pênalti foi “cancelado”, o cartão amarelo aplicado ao jogador do Flamengo, também.

Surgem, então, as dúvidas: se não foi falta, houve simulação. Logo, o atacante do Avaí deveria receber cartão amarelo. Não recebeu. Estranho, não?
Sobrou para Marquinho, que já havia sido substituído e, exaltado, xingou e fez gestos dizendo que seu time estava sendo roubado.
Como o Tribunal é rigoroso, principalmente contra os pequenos, é bem provável que Marquinho seja suspenso por uns quatro ou cinco jogos. E o prejuízo do Avaí só aumenta…

Manezinho

Deixei de ver uma parte dos jogos da noite deste domingo para acompanhar um belo documentário feito pela ESPN sobre os 20 anos da primeira conquista de Guga em Roland Garros.

Por uma dessas coincidências inexplicáveis, eu estava na França no período. Tinha ido lá para acompanhar o Torneio de Paris, espécie de preparação para a Copa do Mundo de 1998.

Como os primeiros jogos da seleção foram em Lyon, onde inauguramos o Estádio de Gerland (belíssimo), vi os primeiros jogos do garoto cabeludo pela televisão – o mais interessante era explicar aos colegas que só acompanham futebol como o placar caminha, as jogadas, os emparelhamentos…

No dia seguinte à conquista do título, porém, com a seleção já em Paris onde jogaria no Parc des Princes, a coletiva de Guga recebeu um número de jornalistas impressionante para um esporte sem maior significação no país.

E o garoto conquistou a todos.

Com pequeno atraso, repito, sempre: parabéns Guga. Depois de Paris pude acompanhá-lo em outras quadras, inclusive em sua Florianópolis. Mesmo campeão, melhor do mundo, sempre atendia a todos com o sorriso que o caracteriza até hoje.
Reencontrei-o, há dois anos, na Sapucaí. Desengonçado, queria sambar. E atendia a todos com carinho. Um grande campeão.

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