Melhor calar

Existem situações para as quais a melhor resposta, ou a melhor postura, é o silêncio.

A CBF, infelizmente, não segue esta conduta.

Publicidade

O grande lance polêmico deste fim de semana no futebol nacional foi o pênalti marcado/desmarcado a favor do Avaí (contra o Flamengo). O árbitro indicou a marca do pênalti, aplicou cartão amarelo ao atleta do rubro-negro e… Voltou atrás.

A discussão que veio a seguir foi intensa. Inclusive citando-se o fato de o narrador da emissora que transmitia a partida ter dito (ou não) “agora vai consultar a gente”, ou coisa parecida, em clara alusão à interferências externas – o que é proibido pela Fifa, pelo menos por enquanto.
A CBF, que vem “avaliando” lances polêmicos a cada rodada, publicou nota oficial afirmando que a decisão do árbitro (ou melhor, do grupo de arbitragem) fora correta e “didática”, inclusive relatando pormenores da jogada.

Claro que não entrou no mérito da possível fala do narrador da tevê. Nem falou, por exemplo, de lance semelhante ocorrido na partida da manhã de domingo, entre Botafogo e Bahia, no qual o pênalti foi marcado e cobrado – pela linha de raciocínio da entidade que comanda o futebol nacional, o alvinegro carioca foi prejudicado.

Como também foi prejudicado o Atlético Paranaense em seu jogo contra o Santos, só que aí por não ter um pênalti favorável assinalado.
Resumo da lambança: contra alguns pode marcar e desmarcar, ou não marcar. Contra outros, não.

Inversão

Foram realizados ontem à noite, na sede da Conmebol, no Paraguai (o correto, corretíssimo, seria falar em Luque, mas todos dizem mesmo Assunção), os sorteios que definiram os caminhos para se chegar às finais da Libertadores e da Sul-Americana – ao contrário da Uefa, que a cada fase realiza um sorteio, a entidade sul-americana decidiu de uma tacada só fechar o roteiro das duas competições continentais.

E o que vimos, infelizmente, foi a mesma distorção que aconteceu na Copa do Brasil: na Sul-Americana, os times que vieram “rebaixados” da Libertadores formaram um pote único, ou, para explicar melhor: os 32 times foram divididos em dois grupos para o sorteio. Num grupo estavam os dez recebidos da eliminação na Libertadores, mais os seis de “melhor campanha” na primeira fase da Sul-Americana; no outro grupo, os demais.

Com isso, Flamengo e Chapecoense ficaram no “pote 1”, ao lado do Corinthians. Fluminense, Sport e Ponte Preta, no “pote 2”.

Como quase aconteceu na Copa do Brasil (o Cruzeiro, beneficiado pela arbitragem, foi o único a eliminar um time vindo da Libertadores, no caso a Chapecoense), corre-se o risco de na terceira fase da Sul-Americana termos uma “Libertadores dos eliminados”, desqualificando e desqualificando a competição.

Segundona

A grave crise financeira que vem afetando o Náutico, depois dos problemas no Campeonato Pernambucano, está trazendo reflexos na campanha do Timbu no Brasileiro da Série B.

O Náutico é, hoje, após sete rodadas (praticamente um quinto do torneio) o lanterna, com apenas dois pontos ganhos. Já está a duas “rodadas perfeitas” (vencer e contar com a combinação favorável dos resultados dos rivais) para sair do Z-4 e a crise se instalou nos Aflitos.

Na noite de terça-feira, o alvirrubro de Recife perdeu, em casa (o estádio estava tristemente vazio), para o Paraná, que em décimo lugar na classificação nem pode ser considerado um dos bichos-papões da Segundona.

Para piorar a situação do Náutico, a Luverdense goleou o Brasil de Pelotas e o Criciúma empatou com o Figueirense, fora de casa. Ou seja: adversários diretos marcaram pontos preciosos na luta contra o rebaixamento.

Na parte de cima da classificação, o Juventude abriu uma “gordurinha” na ponta batendo o ABC em casa. O Internacional parou no América Mineiro e saiu, de novo, do G-4. No seu lugar entrou o Santa Cruz, que foi até Fortaleza e passou bem pelo Ceará. Em Campinas, o Guarani sapecou o Paysandu, afastou o Papão da zona de acesso e ocupa um lugarzinho importante no seu sonho de voltar à Série A (é sempre bom lembrar que o Bugre já foi campeão brasileiro, em 1978).

Renovação?

O Fluminense há dias barrou seu goleiro titular Diego Cavalieri. O mesmo fez o Flamengo, tirando do time titular Muralha – há quem fale que o rubro-negro deseja contratar o tricolor.

No Corinthians, Cássio volta à boa fase e já falam em liberar Wagner, sem oportunidades.
Fernando Prass, perto de sua renovação, fala alto e quer ser valorizado. Mas tem, como se diz no jargão do futebol, “sombras”.

Fábio, há tempos no Cruzeiro, andou esquentando o banco de reservas. No Botafogo, Jefferson, goleiro de seleção, contundiu-se, não foi “bem tratado” e hoje não figura sequer como primeiro reserva.

O mais curioso é que, dos citados, apenas os alvinegros parecem estar tranquilos com essa renovação forçada.

Cadastre-se para receber as notícias do Jornal de Brasília.

COMPARTILHAR