A importância da revisão

Justamente para não dar aquela impressão de que linguistas são avessos a correções e aceitam um “vale-tudo” com relação à norma padronizada da língua, quero falar da importância da revisão.

As recomendações a respeito

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Coincidentemente, conversei com a Luciana Pereira, amiga revisora de longa data, que falou ter recebido um e-mail de uma empresa convidando-a a participar de alguma promoção. Assunto: “Pode vim”. Ora, revisora que é, Luciana se indignou e respondeu: “Da próxima vez, usem ‘pode vir’, e façam o convite valer a pena”.

Já é orientação até mesmo do Procon, com relação a propagandas feitas pela Internet, que se observe a correção da gramática. O uso de formas fora do que é padronizado pode indicar falta de oficialidade. A empresa que supostamente mandou o e-mail é bem grande e famosa. Desconfio de que seja um fishing. Por outro lado, não duvido da falta de cuidado… nem um pouco!

O que faço como revisor?

Ao revisar um texto, eu sempre digo que cuido, o máximo que consigo, de dois fatores importantes: (1) que o escritor não seja alvo de chacotas por sua escolha de grafia, de sintaxe, de estilo, ou mesmo por fazer alusão a algo que não percebeu; e (2) que o leitor possa entender, o mais aproximadamente possível, o recado que o emissor quer dar.

Todavia, e até casando um pouco com o que falamos na semana passada, também penso que muitos textos carregam consigo, ao mesmo tempo, a responsabilidade de mostrar um pouco da norma padronizada da língua. Claro que há vários estilos e eles vão “brincar” com a escrita. Mas aqueles que se apresentam com a devida seriedade acabam sendo uma “aula” para quem lê. Enfim, ensinar o errado não é legal.

A importância da dica

Como eu falo desses dois olhares que dedico como revisor, elenco motivos lógicos para se procurar um profissional para revisão: (a) para evitar passar pela exposição negativa, como no e-mail pra Luciana, (b) para que se tenha certeza de que seu interlocutor vai entender você, (c) para não perder clientes por desconfiança ou por falta de credibilidade como profissional. É o mínimo… que já é um máximo.

Além disso, se você não é um profissional das letras, não tem a obrigação de saber tudo. Aliás, nem eles conhecem todas as coisas relacionadas aos meandros da língua. Sempre há debates e, muitas vezes, chega-se à conclusão de que algum aspecto pode ser facultativo.

Eu já desconfiei de alguém que gritou numa reunião “aí eu desconcordo de você”. Engoli seco e suportei. Ao chegar em casa, consultei e aprendi: o verbo “desconcordar” existe. Vivendo e aprendendo. Contrate um revisor, tá?

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