O PEZÃO DA RAPOSA

Os jornais escreviam o nome dele com “H”. Mas o seu “Ílton” era com “I” mesmo. E acentuado. Nada de americanismos. Mineiramente, foi registado por Ílton Chaves, no cartório de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, onde nasceu, em 28 de março de 1937.

Ílton é um dos grandes exemplos de “atleta modelo” do futebol brasileiro. Quando ele pintou no Cruzeiro, em 1964, Wilson Piazza acabara de chegar, do Renascença, clube de um bairro de Belo Horizonte. Ílton era titular e cinco de vida mais velho. Vendo o talento do rapaz, chamou-o no canto e sugeriu-lhe jogar pelo meio do campo. Passou-lhe muitos conselhos e foi parar na reserva. Devido à sua sugestão, o treinador Aírton Moreira (irmão de Zezé e de Aymoré) achara uma trinca perfeita para o setor, com Piazza, Tostão e Dirceu Lopes, todos garotos e que, a partir de 1965, levaram o clube a vencer cinco campeonatos estaduais consecutivos e uma Taça Brasil (a Copa do Brasil de hoje).

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Muito experiente, Ílton via a idade já ameaçando o seu futebol. Não reclamou da nova vida de “bancário”, virou coringa e reserva para a cabeça de área e as duas laterais. E, assim, foi em seu final de carreira. Em 1969, tornou-se auxiliar técnico de Gérson dos Santos.

Apelidado, pelos companheiro, por “Pezão”, Ílton viveu mais uma história interessante, durante uma excursão “cucaracha” cruzeirense, em 1967. A rapaziada vencia a seleção mexicana, em Leon, por 1 x 0, quando ele foi expulso de campo. A pedido dos colegas, que pressionaram muito ao juiz, ele foi autorizado a voltar ao jogo, o que só havia acontecido com o “Rei Pelé”.

Se, como atleta, Ílton “Pezão” Chaves esteve no grupo pentacampeão mineiro, sendo treinador ele foi o que mais dirigiu a moçada: 389 vezes, vencendo 213 jogos, empatando 89 e escorregando em 60. Levou o Cruzeiro a um tetra estadual – 1972/73/74/75 e a carregar, também, a Taça Minas Gerais-1973 – as suas passagens à frente da equipe foram em: 1970/71/72/75/79/80/83/84.

A carreira boleira de Ílton Chaves começou pelo futebol amador da cidade de Teófilo Otoni. Vendo o seu veneno, o Atlético-MG foi buscá-lo, em 1955. Após cinco temporadas no terreiro do “Galo”, ele mudou-se par a toca do “Coelho” (apelido do América-MG). Campeão brasileiro de seleções estaduais-1963, por Minas Gerais, o seu próximo trato foi com o “Diabo” (alcunha do América-RJ), onde ficou só uma temporada. Não resistiu ao convite do presidente Felício Brandi para dar uma ajudinha à “Raposa”. Foi assim!

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