HEXA OU EKSA?

Certa vez – por malandragem, ou falta de intimidade com o vernáculo –, alguém escreveu para um canal de TV a cabo exibir um cartazinho mostrando o seu sonho de torcedor: o “Eksa” – eu, também, queria, mas o “Hexa” .

O tal do “Hexa” avisou que nos preparássemos para recebe-lo, após os 2 x 0 daquele 30 de junho de 2002, na japonesa Yokohama, quando ganhamos a guerra contra os alemães. Mas ficamos à sombra das parreiras imortais, em 2006, quando Roberto Carlos (o que não é o “Rei”) amarrava as suas chuteiras e o francês Henry fez o sonho do “Hexa” terminar “Eksa”. Em 2010, foi a vez do baixinho holandês Sneijder subir mais do que os grandalhões da nossa defensiva e repetir a dose, que teve veneno mais forte nos 7 x 1 alemães, em BH-2014.

Dias depois do grandioso vexame no Mineirão, uma amiga jornalista uruguaia, disse-me, de brincadeira: “Brasil hexa só quando gañar Uruguai, por un grande número de goles, en Centenário” – taí! Caminho aberto para o “Hexa”, nos 4 x 1 de 23 de abril deste 2017, no dito cujo Centenário. Além do mais, o escrete canarinho não cometeu o pecado de voltar ao gamado em uma Sexta-Feira Santa (pela ótica dos católicos apostólicos romanos).

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Pois bem! O Brasil, país mais católico do mundo, pela primeira vez, assistiu jogo da Seleção Brasileira em uma Sexta-Feira da Paixão. Foi no ano passado, nos 2 x 2 Uruguai. Após dominar o primeiro tempo, abrindo dois gols de frente, cedeu o empate, na etapa final, falhando muito, principalmente na defesa. Até poderia ter pedido, se Luisito Suárez não tivesse perdido chance de marcar, frente a frente com o goleiro Alisson.

O Brasil começou a (lava) jato. Abriu o placar, aos 45 segundos. Willian cruzou para a área, da direita, e Douglas Costa foi mais rápido do que a marcação para fazer: 1 x 0. Aos 25 minutos, Neymar lançou, pelo meio da zaga visitante, o apoiador Renato Augusto, que driblou o goleiro, pelo lado direito da área, e marcou um belo 2 x 0. Depois, veio festival de pixotadas canarinhas. Cavani marcou seu gol – pasmem! – completamente, desmarcado, aos 35, da mesm primeira fase. Na segunda, aos dois minutos, Luisito Suárez bateu um chute cruzado, da esquerda, aproveitando-se de falha gritante de David Luís. Alisson também falhou – castigo por ter desprezado a Sexta-Feira Santa (pela ótica dos católicos apostólicos romanos).

Àquela altura das Eliminatórias da Copa do Mundo, não poderíamos nem sonhar com “Eksa”. Sonho que voltou-se para o “Hexa” sob o comando do “professor” Aldenor Bachi, o Tite, nos devolvendo ao topo do ranking mundial da FIFA, nos dando a liderança da seletiva continental e a vaga antecipada no Mundial-1018. Pelo menos, no papel, o “Eksa” pode sonhar com o “Hexa”.

Brasil 2 x 2 Uruguai de 2016 valeu pela 5ª rodada das Eliminatórias sul-americanas na Arena Pernambuco, em Recife, apitado pelo argentino Néstor Fabián Pitana assistido pelos também “hermanos” Juan Pablo Belatti e Ezequiel Darío Brailovsky. Uma galera de 45.010 presentes levou R$ 4.961.890,00 para o cofrinho do estádio. Alisson; Daniel Alves, Miranda, David Luiz e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Fernandinho (Philippe Coutinho) e Renato Augusto; Willian (Lucas Lima), Neymar e Douglas Costa (Ricardo Oliveira), tendo Dunga por trinador foi o Brasil “castigado”, pelos uruguaios Muslera; Fucile, Coates, Victorino e Álvaro Pereira; Arévalo Rios, Carlos Sánchez (Stuani), Vecino e Cristian Rodríguez (Álvaro González); Luis Suárez e Cavani, chefiados por Oscar Tabárez.

Com o resultado, o Brasil ficava em terceiro lugar nas Eliminatórias sul-americanas. Poranto, mais perto do “Eksa” e mais longe do “Hexa”, que, agora, está mais perto.

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