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Histórias da Bola

Dia convocação

Antigamente, convocação para a Seleção Brasileira era algo muito forte. O torcedor esperava por aquilo com o mesmo entusiasmo que ligava o rádio, ou a TV, para acompanhar o jogo rodada. Torcia para tal jogador do seu time ser chamado, e comemorava a convocação como a marcação de um gol.

Em 1964, quando a Confederação Brasileira de Desportos-CBD – atual CBF – promoveu a Taça das Nações, em comemoração ao seu cinquentenário, foi um horror o treinador Aymoré Moreira não relacionar o centroavante Coutinho, do Santos. Cartolas, outros treinadores e jogadores não tiveram outro assunto. Até o técnico da seleção argentina – José Maia Minela – deu as suas piruadas. Segundo ele, se Coutinho tivesse enfrentado o seu time – Brasil 0 x 3 Argentina, em 3 de junho de 1964, no Pacaembu, ele teria usado um esquema tático diferente, por entender que só as tabelinhas Pelé-Coutinho e penetrações pelas pontas poderia desfazer o seu bloqueio no meio do campo e centro da área.

Coutinho, evidentemente, gostou do comentário de Minela, dizendo-se contente por saber que a sua bola era mais enchida no exterior do que no Brasil. E execrou as críticas ao seu peso. Garantia os seus 67 quilos não prejudicarem as suas atuações. Como prova, citava ter sido artilheiro do Torneio Rio-São Paulo-1964.

Na verdade, Coutinho fora o artilheiro da então maior competição interestadual do país naquela temporada, mas empatado com o palmeirense Servílio, ambos marcando nove gols. Antes, havia sido, em 1961, empatado com o companheiro santista Pepe, coincidentemente, com os mesmos nove tentos. Assim, cobrava não serem preciso mais dúvidas sobre as suas condições técnicas.

Além de ser escalado, pela imprensa, no “time dos gordinhos” – vivia comendo chocolate -, Coutinho ouviu comentários, também, de que fora esquecido por causa de indisciplinas cometidas por ele durante visita ao Egito, da excursão em 1963. Ele admitia as “pisadas”, mas garantia ter demonstrado à Comissão Técnica cebedense ter se recuperado das faltas.

Coutinho que perdera a vaga no time da Copa das Nações, para Aírton, do Flamengo, e Vavá, do Palmeiras, recebia criticas, ainda, de que preferia jogar pelo Santos do que pelo Seleção Brasileira, porque as excursões das equipe paulista lhe rendiam mais grana. Ele negava e garantia que o “Peixe” pagava menos.

Para ele, o melhor lado da competição fora a derrota para os argentinos, por terem devolvido aos brasileiros o senso da humildade, “uma lição para a Copa do Mundo-1966, porque o nosso torcedor estava acostumado só às vitórias”, declarou ao repórter Tarlis Batistas, da “Revista do Esporte” – N 282, de 01.08.1964.

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