Robério Negreiros faz campanha pela FGV

Era para ser ontem o anúncio da banca que vai realizar o concurso para a Câmara Legislativa do DF. Ocorre que, como não houve acordo entre os membros da Mesa Diretora, a decisão ficou para daqui a 15 dias. Segundo secretário da Casa, o deputado distrital Robério Negreiros (PSDB) tenta, já há algum tempo, convencer os pares de que a FGV seria a melhor escolha, em detrimento do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação, Seleção e Promoção de Eventos (Cebraspe), antigo Cespe, e do Instituto Americano de Desenvolvimento (Iades). Argumentações diversas já foram utilizadas em defesa do Cebraspe, por exemplo, tais como: tem tradição em certames para casas legislativas, é de Brasília, é respeitado etc. Mas nada convence o tucano, que faz questão da FGV. Nos corredores, no elevador, na garagem, no gabinete… em todos os cantos ele argumenta, defende e bate o pé: só serve se for a FGV.

Até documentar, documentou

A insistência dele tem causado estranhamento. E adiado o andamento do tão aguardado processo seletivo. O parlamentar já até oficializou a preferência. Em memorando, datado de 11 de abril, e enviado à Presidência da Casa, ele tenta desqualificar o antigo Cespe. O texto, assinado por Negreiros, cita denúncias envolveria o Cebraspe, citando o que chamou de “fraude” em um processo seletivo para o cargo de delegado da Polícia Civil de Goiás. “Venho alertar a Mesa Diretora, no sentido de que esta Casa não contrate quando da realização do concurso público da CLDF, instituições envolvidas em escândalos na realização de outros concursos”, escreveu.

“Como a FGV…”

A recomendação é até pertinente e seria perfeitamente compreendida se ele não estivesse em plena campanha pró-FGV. Ele chega a citar a instituição no texto, que foi protocolado há dois meses no gabinete do presidência: “Sugerimos que, ao contratar a empresa organizadora do concurso, busque-se entidades idôneas, como FGV e outras que realizam concursos em nível nacional, não só aquelas que vêm atuando nos concursos do Distrito Federal”, diz, no memorando.

A ata do “eu sozinho”

Afastado da presidência nacional do PHS, Eduardo Machado fez uma reunião em Goiânia com três ou quatro aliados, em que ele assinaria, sozinho, uma ata desconstituindo todo o diretório nacional do partido, composto por mais de 40 pessoas. Pelo menos seis razões motivam o afastamento do político goiano, que quer enfiar goela abaixo o retorno dele ao comando da sigla. Mas ele só tem o apoio do presidente do diretório de Minas Gerais, deputado federal Marcelo Aro, que é, inclusive, BFF (best friend forever) do deputado cassado e preso Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É também da patota de Machado o tesoureiro nacional do partido, Murilo Oliveira, que é conterrâneo dele e foi levado pela Polícia Militar do DF, há uma semana, após invadir a sede da legenda, em Brasília, e tentar furtar documentos do partido. Que equipe!

Cadê o post que estava aqui?

Parece arrependido o goiano Machado. Ele tratou de apagar das redes sociais postagens recentes em que exaltava o fato de ter conseguido entrar na sede do partido, após invadi-la, depois de ter sido afastado do comando.

Enquanto o governo tenta…

A deputada distrital Telma Rufino (Pros) reitera que fez críticas realmente ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram), no sentido de que o órgão dificulta a regularização fundiária no DF. “Sou base do governo que trabalha pela legalidade. Infelizmente, enquanto os técnicos do governo trabalham para resolver o problema fundiário no DF, o Ibram trabalha para enterrar”, opina.

Categoria exaltada

A rápida solução do sequestro do bebê no Hospital Regional da Asa Norte motivou manifestações dos partidários do pleito da Polícia Civil, que luta por equiparação salarial no DF. O deputado distrital Wellington Luiz (PMDB) foi à tribuna da Câmara Legislativa parabenizar a categoria, “que demonstrou competência de responsabilidade”. E aproveitou, é claro, para alfinetar o governo: “Conseguimos, em 24 horas, dar uma resposta à sociedade, mesmo tendo uma polícia totalmente sucateada e abandonada. O governador precisa entender que investimento em segurança pública é uma forma de prevenir o crime.”

Bons exemplos

O Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF) divulgou nota em que cita três casos recentes que pautaram uma agenda positiva para o governo: além da solução para o sequestro, investigadores da 1ª DP prenderam um dos maiores traficantes da Asa Sul; e, em Planaltina, agentes da 31ª DP descobriram uma falsa acusação de estupro e libertaram um inocente. “Tudo isso mostra que, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelos policiais civis, ainda temos conseguido dar uma resposta à sociedade”, diz a entidade, em nota.

Nem vídeo salva

O governador Rodrigo Rollemberg se apressou em gravar um vídeo para exaltar os policiais pelo feito. O sindicato criticou: “A desmotivação e a indignação dos policiais com a falta de prioridade na segurança pública por parte do Governo do Distrito Federal são enormes. E nem a pressa do governador em gravar um vídeo parabenizando os policiais civis pelo resgate do bebê fez com que os bravos heróis se esqueçam do compromisso firmado com a categoria. Nós cumprimos nossa promessa de defender a sociedade. E o governador? Cumpre a sua palavra?”.

Em viagem

Líder do governo, o deputado distrital Rodrigo Delmasso (Podemos) explica por que não saiu na foto com o governador Rodrigo Rollemberg na Câmara Legislativa, na última terça-feira: está em Foz do Iguaçu, para o congresso da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). Tá explicado!

Fundo Constitucional

Embaixador do tema na Câmara Legislativa, o deputado Wasny de Roure (PT) propõe uma audiência pública para tratar da destinação dos recursos do Fundo Constitucional para a segurança pública. Em pronunciamento no Plenário, ele pediu apoio dos colegas para que o debate ocorra antes da votação do projeto da Lei da Diretrizes Orçamentárias, prevista para o fim deste mês.

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