Começou

“Quem quer ser campeão não escolhe adversário”. “Uma competição deste nível, em algum momento você vai enfrentar um rival forte”.

Foi assim, com frases feitas recheadas de clichês, que os cartolas brasileiros receberam o sorteio que definiu a Libertadores da América de 2017 – a maior Libertadores da história, segundo a Conmebol (verdade, pelo menos no que diz respeito à duração).

Publicidade

A principal competição entre clubes do futebol sul-americano agora tem três fases eliminatórias antes de chegar aos grupos. Na primeira, não temos times brasileiros. São seis equipes que jogarão por três vagas para a segunda fase eliminatória, onde estarão Botafogo (que enfrentará o Colo-Colo, do Chile) e o Atlético Paranaense (que terá pela frente o Millonarios, da Colômbia) – estes jogos, com os brasileiros decidindo fora de casa, acontecerão na última semana de janeiro e no início de fevereiro. Se passarem, Fogão e Furacão terão outra eliminatória antes de sonharem com a fase de grupos. A tal pré-pré-Libertadores que este colunista tantas vezes citou.

Quando finalmente estiverem definidos os 32 times, esperamos que com oito brasileiros, teremos os grupos – e aí, como sempre, começam as especulações sobre “grupos da morte” e “grupos fáceis”. Teoricamente, a situação do Flamengo é das mais complicadas. No seu grupo estão o San Lorenzo, da Argentina (que ganhou há pouco tempo a Libertadores); o Universidad Católica do Chile; e um dos sobreviventes da pré-pré (para nós, espera-se que seja o Atlético Paranaense). Realmente um grupo muito difícil.

Outro que vai precisar rebolar para chegar ao mata-mata é o Palmeiras. No seu grupo ficarão o Jorge Wilstermann, da Bolívia (problemas de altitude); o Peñarol do Uruguai; e outro sobrevivente da pré-pré, que pode ser, por exemplo, o Carabobo da Venezuela (não estranhem, não).

Mais uma vez homenageada na cerimônia, quando seu presidente recebeu o troféu pela conquista da Sul-Americana, a Chapecoense enfrentará o Nacional do Uruguai; o Lanus, da Argentina; e o Zulia, da Venezuela. Se o futebol fosse ciência exata, poderíamos dizer que o time catarinense tem chances de brigar, na teoria, pela segunda vaga – o favoritismo é da equipe uruguaia. Mas o futebol prepara surpresas a cada momento, sendo assim…

Santos, Atlético Mineiro, Grêmio não têm do que reclamar do sorteio. Saem como favoritos de seus grupos. A complicação pode começar a partir do mata-mata, quando o emparelhamento é feito na base do “melhor primeiro contra pior segundo” e assim sucessivamente. Já vimos times que brilharam em “grupos da morte” caindo logo no primeiro duelo eliminatório e equipes que passaram no sufoco da fase de grupos chegarem ao título, como aconteceu com o San Lorenzo.

A grana para os participantes, apesar de ainda não ser aquilo que vem sendo prometido melhorou. E o campeão pode faturar uns US$ 7,5 milhões (se sair daquela primeira eliminatória a quantia chega a US$ 8,2 milhões). Sem falar na vaga para o Mundial no Japão. Vale a pena. E se o leitor estranhou alguns dos nomes citados, lembro que o Boca Juniors, da Argentina, está fora – talvez o mais emblemático clube a participar da Libertadores.

Não terminou

Na calada, sem fazer alarde, o Internacional continua se movendo para dar tratos à bola no caso de Vitor Ramos, do Vitória. O Colorado continua buscando, na Justiça, que o time baiano perca pontos pela suposta escalação irregular do jogador no Brasileiro. Agora mesmo foram registradas novas provas que atestariam a tese do clube gaúcho, colocando, de novo, a CBF no olho do furacão. Ao contrário de 2013, quando Flamengo e Portuguesa erraram ao escalar jogadores sem condições na última rodada, o que acabou tirando o rubro-negro do rebaixamento, desta vez estranhamente a mídia não dá muita atenção ao fato. O que não impede que, daqui a pouco, vejamos o Vitória perdendo pontos que seriam (serão?) suficientes para salvar o Internacional.

Cadastre-se para receber as notícias do Jornal de Brasília.

COMPARTILHAR