Boa estreia

A cantora carioca Denise Studart acaba de lançar Joia Rara (independente), seu primeiro disco, no qual ela volta seu olhar para a obra do compositor Sandor Buys, ele que, junto com Denise e o violonista Luiz Flavio Alcofra (arranjador das dez músicas do álbum), cuidaram da produção musical.

Denise Studart (notem que as três letras finais de seu sobrenome apregoam arte) começou sua carreira aos 21 anos, na Itália, apresentando-se principalmente na cidade de Florença, cantando música brasileira.

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Curioso que sou, perguntei a ela o porquê da escolha de cantar um disco inteiro com músicas apenas de um compositor. Sua resposta veio certeira: “Eu queria fazer algo “novo” (cantar músicas do Chico, Gil, Caetano, Noel etc., que adoro, muitas cantoras já haviam feito.) Foi muito bacana gravar algo totalmente novo, dar espaço a um jovem compositor, trabalhar com novos arranjos, tudo isso foi muito estimulante. Conheci o Sandor e o Luiz Flavio Alcofra na Escola Portátil de Música (Casa do Choro), um ambiente muito estimulante, que frequento todos os sábados”.

Ouvindo o disco, a decisão deve ser louvada. Autor de um repertório que se vale do amplo espectro de gêneros musicais brasileiros, Sandor, às vezes com parceiros, mas na maioria das vezes sozinho, compõe desde samba e fado até valsa e marcha-rancho.

Aos ouvi-los, não esperem loucas levadas experimentais, nem tampouco fortes emoções sonoras. A formação instrumental é tradicional: violão de sete cordas, percussão, cavaquinho, bandolim, flauta, piano, baixo, bateria e sax. A partir deles, ouve-se arranjos apropriados, tocados por instrumentistas de qualidade.

Abrindo a tampa, “Peço Licença” tem a percussão e o sete cordas como destaque. Ao cantar esse belo samba afro, em tom menor, vê-se que a voz de Studart se sai melhor nas regiões médias e, por vezes, também nas agudas.

Antes, a bossa nova ligeira “Dois a Um” tem participação especial do bom cantor Marcos Sacramento. Com alguns “breques”, a letra vai bem na voz de Marcos e Denise.

No fado “Mar Vermelho” (parceria com Romão Silva), brilham a bela introdução do baixo tocado com arco e o bandolim. A letra brinca num jogo de palavras, enquanto Studart dobra a voz.

“Assim Como as Canções” é uma bonita valsa. Acompanhada apenas pelo piano de Kiko Horta, quando os agudos de Studart são postos à prova, um dos versos diz: “Seja brisa ou tempestade em seus lábios/ A cada instante mudo, habitar seu coração”.

O samba amaxixado “Joia Rara” (parceria com Eduardo Calil e Jorge Nessimian) tem flauta, sete cordas e cavaquinho como destaque no arranjo, e um suingue bom, no qual Studart deita e rola.

Fechando a tampa, duas marchas-rancho, quando um coro misto, além de abrir vozes, dá ao arranjo um clima festivo. E a letra do último deles é divertida, com rimas bem sacadas. Denise dá show.

Denise Studart dedica o melhor de sua interpretação ao repertório. Assim, Joia Rara é um trabalho cuidadoso, de uma mulher de voz afinada e afetuosa.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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