Nem tudo que reluz é ouro

Diana Leiko

Esta semana eu li uma notícia que, apesar de não estar relacionada a Brasília, trata-se de um problema que extrapola muito o âmbito local: a disseminação de notícias falsas pelas redes sociais. A PM de Londrina, no norte do Paraná, tem alertado a população sobre boatos compartilhados por esses canais. Nos últimos dias, têm circulado mensagens relacionadas ao rapto de crianças e adolescentes na porta de escolas e também sobre a ação de quadrilhas de sequestradores na região. Tudo falso.

Isso é muito sério. Uma informação falsa como essa causa um pânico generalizado. E o mais grave é incentivar a violência. Muitos devem se lembrar do caso da Fabiane de Jesus. Em 2014, ela tinha 33 anos, estava em casa, no Guarujá (SP), quando foi confundida com uma mulher que teve seu retrato falado distribuído por uma página de Facebook. Esse retrato falado era supostamente atribuído a uma pessoa que sequestrava crianças na região para praticar magia negra. Resultado? Os vizinhos da Fabiane foram até a casa dela, arrancaram ela de lá a ponta pés, chutes, quebraram as costelas dela, a Fabiane teve traumatismo craniano e morreu vítima de notícia falsa.

Publicidade

46ccb3c4-9ec4-4894-9108-66955326d16b

Acontece só em país subdesenvolvido como o Brasil? Não. No ano passado, quando a França comemorava seu feriado nacional, um caminhão atropelou 80 pessoas na cidade de Nice. Na época, um professor canadense que jamais havia pisado na França foi acusado de ser o terrorista. Tudo isso porque ele postou uma selfie na internet, que foi roubada, adulterada e nessa foto falsa aparecia o professor com um colete de bombas. O tablet dele foi substituído pelo alcorão e sua foto foi parar na capa de um jornal espanhol. Esse professor foi vítima de ódio na internet, a vida dele virou um inferno e, por sorte, ele não teve o mesmo final que a Fabiane.

maxresdefault-1

Eu já aproveito para falar de outro boato que surgiu nas redes esta semana sobre a volta do Orkut. Falso também.  O que ocorreu foi a criação de um clone quase perfeito: o orkut.li. Esse novo site não tem protocolo https, ou seja, não oferece segurança na troca de dados. A réplica foi feita cuidadosamente pelo paulistano Murillo Fagá, de 23 anos, desenvolvedor de software. Ele garante que garante que não há qualquer esquema fraudulento por trás do projeto, mas até que isso fosse divulgado, muitos sites noticiaram a novidade que causou euforia no público saudoso da rede social do Google.

1499866483703

Hoje, ao ler mais notícias, me deparei com esta: tem se tornando cada vez mais comum o compartilhamento em redes sociais de denúncias de crianças que foram roubadas de seus pais em espaços públicos de Campo Grande (MS). Essas informações são compartilhadas com frequência e muitas vezes sem ter sua veracidade checada, espalhando boatos que causam medo em parte da população. No entanto, a polícia da capital mato-grossense garante que não houve registro de nenhum caso no decorrer deste ano.

Por fim, mais uma que provavelmente meus leitores devem saber. Um novo tipo de corrente tem se espalhado pelo Facebook Messenger. Trata-se de um boato pedindo para que as pessoas não adicionem um contato chamado “Jayden K. Smith” por ele ser supostamente um hacker. De acordo com o site UOL, O Facebook afirmou que está ciente na corrente e afirmou que o viral não passa de um boato.”Aceitar um pedido de amizade no Facebook ou Messenger não dá a ninguém o controle de seu computador ou contas online”, afirmou o comunicado da rede social.

jayden-k-smith

Este assunto rende muito, então, aproveitando que comecei um curso de fact-checking, vou explorar mais à frente o que tem sido feito para que esses boatos, que podem destruir vidas, sejam barrados. Mas eu já dou um conselho: duvide. Questione. Não acredite em tudo que você recebe no WhatsApp ou aparece nas redes sociais.

Cadastre-se para receber as notícias do Jornal de Brasília.

COMPARTILHAR